sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Um gesto pode fazer a diferença - A história da Esperança

Quem me conhece sabe o quanto gosto de animais, gosto tanto que me dói senti-los tristes ou a passar dificuldades.

Tento sempre ajudar e participo em imensas campanhas a favor deles mas parece que toda a ajuda é pouca. Depois nunca me envolvi directamente; suponho que me pretendo salvaguardar de mim mesma, talvez.

De vez em quando aparecem na Empresa onde trabalho animais abandonados.

Dou-lhes comida sempre que posso e um carinho mas é dificil fazer muito mais do que isso. No entanto, no dia 16/11 tudo mudou.

Uma cadela preta, magra e linda apareceu.

Para além do seu estado, foi o seu olhar triste que me tocou e, devo dizer, me conquistou.

Devia ter sido abandonada à pouco tempo pois o seu estado geral não era dos piores.

Era tão doce e meiga que me encantou.

Todos os dias saudava a minha chegada ao trabalho com uma alegria e doçura tão grandes e tão sinceras que me enchiam o dia de felicidade.

Aos poucos fomo-nos habituando à companhia uma da outra e passou a acompanhar-me ao restaurante, à hora de almoço e até ao carro quando acabava o trabalho.

A minha angustia aumentava à medida que os dias passavam.

Ela ficava a ver-me partir e o frio e as noites eram um perigo para ela.

Tirei-lhe fotos e coloquei um pedido de adopção, embora sabendo quão dificil era obter um resultado positivo.

Resolvi dar-lhe um nome: Esperança, pois era a isso que eu me agarrava.

A sorte sorriu às duas: Surgiu uma familia de adopção.

Embora apreensiva, fiquei feliz.

A solidariedade entre os amigos dos animais é forte e forma uma cadeia que nos permite fazer algo de positivo por animais que, infelizmente, são alvo de abandono e da crueldade de quem, por definição, deveria ser racional e humano.

Após confirmação de que era um bom adoptante resolvi avançar.

Com medo que lhe acontecesse algo de mal, agora que estava tão perto de voltar a ser feliz, resolvi levá-la para minha casa.

Levei-a ao veterinário e após o seu estado confirmado saiu de lá desparasitada e com várias recomendações médicas a seguir.

Não me cabia a mim fazê-lo mas fi-lo de boa vontade.

Quando chegámos a casa, o encontro com o Tomás, o meu lindo e terno amigo canino, foi agitado.


Nada de grave. Aconteceu. Mas a Esperança estava desconfiada e o Tomás não me queria partilhar com uma desconhecida.

Bastaram 24H para tudo mudar.


Começaram a brincar e já estavam contentes na companhia um do outro.

O tempo cura muita coisa e com a adopção não é diferente.

Durante todo o ultimo dia que estive com ela em casa senti-me feliz mas quando a noite caiu, também a tristeza apareceu no meu coração.

Adorava ficar com ela mas... quem me dera poder partilhar o meu amor com os animais com quem partilho o resto; quem me dera...

Sei, no entanto, que a esperança vai ter um bom dono e que não volta a ser abandonada. Porque me sentia, então, tão triste?

Sentei-me no degrau na entrada da minha casa com o meu Tomás e a Esperança.

Foram momentos únicos em comunhão plena de sentimentos e carinho.

Seria tão fácil fazer-nos felizes; bastava um "sim" nada mais. E no entanto...

No fim-de-semana fui levá-la ao seu novo dono. Estava cheia de presentes que lhe tinha comprado: Uma caminha nova, goluseimas para além do bonito laçarote vermelho que lhe coloquei. Estava uma menina linda...

Durante todo o trajecto pensei: Será que vai ser feliz com ele? Será que vai ser tão amada como seria se fosse minha?

Será que... A incerteza equivale à angustia e esta é sempre indesejável.

Deveria sentir-me feliz e, no entanto...

Nunca me senti tão bem como naquele momento nem tão triste. Que ambiguidade...

Mas depois, pensei na quantidade de animais que, infelizmente, não tiveram nem nunca virão a ter a sorte da Esperança e ganhei novamente um novo alento.
Espero poder visitá-la para matar saudades e lhe dar miminhos; Mesmo tendo outro dono ela será sempre um pouco minha.

Confesso que foi um processo desgastante a nível psicológico e que fez crescer em mim, ainda mais, o respeito e a admiração, por todos os voluntários que, diariamente contra tudo e contra todos, lutam por lhes dar algum amor e dignidade.

Mudei a vida da Esperança mas ela também mudou a minha e nunca a vou esquecer por isso. Os animais têm esse poder extraordinário e ajudam-nos a tornar-nos pessoas melhores e mais solidárias com os nossos semelhantes e com os outros seres.
Quem não gosta de animais e os maltrata não pode ser boa pessoa.

Se esta foi um história feliz a realidade está, infelizmente, bem longe disso.

Enquanto isso acontecer nunca vou ser totalmente feliz.

Mas a Esperança está sempre com quem ajuda os animais. E um gesto pode fazer toda a diferença.

Não se pode chegar a todos mas pode-se ajudar… um de cada vez…

Teremos sempre a esperança de que, um dia, as "esperanças" por esse país fora tenham um lar com muito amor e respeito. É tudo o que eles pedem e tudo o que eles tanto merecem.


"Chegará o dia em que o Homem conhecerá o íntimo dos animais. E, nesse dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade."
Leonardo da Vinci


AJUDE! DIGA NÃO AO ABANDONO E AOS MAUS TRATOS

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Esperança

Todos sabem o quando gosto de animais e de como me aflige vê-los sofrer.

Sabemos que diáriamente, por todo o mundo, existem pessoas que sofrem, animais que sofrem mas geralmente, é o que nos bate directamente à porta o que nos comove mais.

Sabemos que não devia ser assim mas infelizmente é uma realidade incontornável e com a qual temos de aprender a viver.

Eu como sonhadora que ainda sou, tento sempre ajudar dentro das minhas possibilidades. Participo em campanhas de todo o género e que me inspiram confiança mas a minha ajuda parece sempre ser muito pouca.

Hoje o meu pensamento esteve sempre preenchido por uma cadelinha linda que está na rua e a quem estou a tentar ajudar dando-lhe comida e afecto. Dei-lhe o nome de Esperança porque é disso mesmo que se trata. Esperança de dias melhores para este ser meigo e afectuoso que só pede carinho e um cantinho para estar.

Isso fez-me reflectir sobre o que é ter Esperança.
É dela que precisamos para ganhar forças e continuar a nossa luta diária de vida.

Ter esperança é ter a fé sempre muito viva dentro de nós.
E que apesar das agruras da vida, podermos ter confiança que coisas boas vão acontecer.
É ter coragem para lutar e vencer todos os obstáculos.
É acreditar que tudo é possível e que nada é o fim...
Ela é, no fundo, a nossa energia e a mola propulsora para o nosso dia a dia.

Não devemos ficar somente agarrados a ela. Devemos usá-la para avançar porque ela é vida, ela é... esperança!


Esperança é um bichinho
um bichinho insistente
a gente quase nem percebe
não percebe, mas sente

Esperança chega suave
roça a pele, acarinha
e feito criança em colo de mãe
a gente se esconde e se aninha

Esperança pode quase tudo
revira, redescobre, reinventa
e a gente acredita de novo
a alma renasce, sedenta

Esperança é arco-íris
cor intensa, maravilhosa
de um dia pro outro
vai do cinza ao cor-de-rosa

Esperança leva adiante
reanima, alimenta
dói de vez em quando
mas o coração aguenta

Esperança, vem ao meu lado
quero-te todos os dias
pega na minha mão, divide comigo
tanta dor, tanta alegria.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Alentejo

Este fim-de-semana fui até ao Alentejo. Foram apenas 2 dias mas com o encanto de muitos mais.

"Vamos lá saindo por esses campos fora, que a manhã vem vindo nos lábios da aurora" .

Esta é uma frase que espelha muito bem o espírito do amanhecer no Alentejo. Terra de gente trabalhadora, acolhedora e simples.

É uma região pobre e seca e sei que existem por este nosso país fora outras paisagens bem mais atraentes e verdejantes mas o Alentejo tem uma mística difícil de explicar. Só quem a conhece e sente o seu pulsar, as suas tradições sabe do que estou a falar…

Sempre que lá vou sinto-me bem. As suas paisagens transmitem-me tranquilidade e as suas gentes conforto.

Miguel Torga cantou-o como ninguém. Deixo-vos aqui o seu sentir… tão parecido com o meu…

A lua que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O homem das castanhas

Se existe tradição de que gosto é este nosso hábito bem português de comer castanhas por altura do S. Martinho. É quase como que o sentir de toda uma cultura. Uma delícia!


Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono,à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.

É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.
Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.

José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O encanto do Outono


Apesar de gostar mais do tempo solarengo, uma das coisas de que mais gosto é de sentir as estações do ano mudarem.

É bom sentir que a natureza segue o seu percurso. Depois, cada estação tem o seu encanto.

Com o Outono começam o cair das primeiras folhas, as primeiras chuvas. Há um cheiro a terra molhada no ar. E não existe nada melhor do que aproveitar esses momentos.

O mar fica revolto e as praias vazias. As noites começam a ficar frias e voltamos a precisar de um cobertor na cama.

Os dias tornam-se mais pequenos mas também mais serenos. As pessoas começam a acender as suas lareiras. Comem-se as castanhas assadas.

Gosto das cores cálidas do Outono.

Adoro sentir as folhas secas espalhadas pelas ruas e estalando debaixo dos meus pés, delicio-me com o cheiro a terra molhada e com os silêncios próprios da estação.

São pequenos nadas que me enchem de alegria e que sabem tão bem…

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Paz interior


A paz interior é o caminho que queremos todos atravessar.

É essa senda onde as culpas ficaram para trás, o sentimento de dever cumprido fica presente e o arco-íris aponta para o infinito.

Buscamos todos, com vontade, força e luta constante. No entanto somos muito desajeitados nesta nossa busca, por vezes tão simples.

Há uns dias li um livro sobre culturas orientais que dizia:

"O caminho para conseguir a paz interior reside em acabar as coisas que começamos."

Depois e um longo período de reflexão pensei: Pode ser que seja verdade.

Olhei em meu redor vi todas as coisas que tinha iniciado e continuavam inacabadas... e assim pus mãos à obra e terminei-as.

Nem imaginam como me senti melhor!