sexta-feira, 30 de julho de 2010

Viver a vida


No seguimento do mail anterior lembrei-me do poema "Lembrete" de Mário Quintana e, neste preciso momento, não existe nada que faça mais sentido. Deviamos reflectir sobre o que ele encerra...

Lembrete

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!

Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.

Desta forma, eu digo:
"Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais."
                                                                 Mário Quintana

Uma Salva de Palmas para António Feio

Ontem à noite faleceu António Feio.
Hoje logo pela manhã é com esta notícia que acordo para mais um dia de trabalho.

Não conhecia António Feio mas o seu falecimento precose tocou-me muito. Era uma fatalidade anunciada mas assistir a toda a sua força, toda a sua luta e a todo o seu sentido de humor, mesmo na doença, é impressionante.

Costuma-se dizer que "Pelas costas dos outros vê-mos as nossas" e  normalmente estamos tão absorvidos pelo nosso dia a dia, que nos esquecemos do que se passa ao nosso lado.

António Feio era um grande actor e tive, por diversas vezes, oportunidade de o comprovar em algumas das peças de teatro a que assisti.

No entanto, o que me faz levar a escrever este post, não é bem pelo grande actor que era mas sim, e especialmente, pelo homem extaordinário, simples e sincero que parecia ser.

Ele não gostava de tristezas pelo que, a melhor forma de homenageá-lo é deixá-los com as suas palavras e com uma mensagem forte na qual ele acreditava e que nos devia fazer reflectir sobre a forma como levamos a nossa vida.

Até sempre António. Para ti, a minha grande salva de palmas!



Informação útil: http://aeiou.visao.pt/morreu-antonio-feio=f567761

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Uma vida para salvar tantas outras

Hoje comemoram-se os 125 anos do nascimento de Aristides de Sousa Mendes.

Há portugueses que se referem a Aristides de Sousa Mendes como o "Schindler português". No entanto, como diz Ruben Obadia, director do Jornal Publituris "Chamá-lo de Oskar Schindler português é diminui-lo. Schindler é que foi o Sousa Mendes alemão. Isso sim"

Schindler deve a sua grande notoriedade ao filme de Steven Spielberg.

E para Aristides de Sousa Mendes? Para quando o merecido reconhecimento?

Estamos em 2010 e, em Portugal, já quase ninguém se lembra quem foi Aristides de Sousa Mendes o que não deixa de ser muito triste.

Desta forma, achei que esta seria uma ocasião excepcional para nos lembrarmos do homem que mais vidas humanas salvou, em toda a História de Portugal.

Talvez pelo facto dos nossos "igrejos avós" terem sido quase todos eles valentes guerreiros (pessoas que mataram outros seres humanos), ainda custa aceitar a ideia de que Aristides foi um verdadeiro herói.

Cada época tem valores próprios... e a Carta dos Direitos Humanos só foi proclamada depois a 2ª Guerra Mundial.

Na base desta nova matriz de valores estão homens como Aristides de Sousa Mendes, cuja heroicidade está longe de ser amplamente reconhecida pelos portugueses.

Os grandes símbolos e os grandes heróis conferem ancoragem à identidade de um povo. São motivo de orgulho e o fundamento de uma auto-estima positiva.

Todos os portugueses de boa vontade podem e devem orgulhar-se de Aristides de Sousa Mendes.

Este herói português, supremo símbolo da liberdade e dos direitos humanos que teve de fazer uma opção: salvar do holocausto o maior número possível de vidas, em detrimento dos seus interesses pessoais, numa actuação humanitária corajosa, firme e continuada, sofrendo por isso a perseguição sistemática dos poderes instituídos, até ao fim da sua vida, sem renegar o seu gesto solidário.

O historiador Yehuda Bauer, no seu livro “A History of the Holocaust”, escreve: “o Cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, concede vistos de trânsito a milhares de judeus refugiados, em transgressão das regras do seu governo. Talvez a maior acção de salvamento feita por uma só pessoa durante o holocausto”.

Pagou caro o seu altruísmo e jamais conseguiu em vida o mínimo de reconhecimento pelo seu acto nobre.

Por todo o lado, facebook, sites, blogs, livros, filmes e tantos outros meios, se está a tentar dar voz e honrar este símbolo da nossa memória colectiva.
Infelizmente, ainda hoje a sua casa – que há muito deveria ser um Memorial e um Centro Universal dos Direitos Humanos – continua em ruínas…


Foi criada a Fundação Aristides de Sousa Mendes no sentido de tentar reabilitar o seu legado e a sua casa.

A Fundação tem por missão a divulgação e a defesa dos Direitos Humanos, tomando como referência a acção da personalidade deste grande homem.

Assim que se conseguir reabilitar a sua casa, esta será transformada em casa-museu que irá conter o espólio do cônsul que se tem estado a recolher, uma bibilioteca e centro de documentação, de arquivos e memórias e que irá dar uma particular atenção à questão dos direitos humanos e à história das perseguições durante a II Guerra Mundial, transmitindo às gerações futuras, principalmente aos mais jovens, a sua herança moral e promovendo, em colaboração com diversos parceiros, os acontecimentos de ordem cultural entre outras iniciativas...

Que este aniversário seja mais uma ocasião para divulgarmos a sua obra perene, e para interrogarmos a nossa consciência de cidadãos livres sobre o grau de degradação em que se encontra a Casa do Passal.

Para quem quiser saber mais sobre Aristides de Sousa Mendes deixo-vos aqui a biografia deste homem, com H grande que deve ser, por todos, reconhecido e homenageado.


Já que não o soubemos estimar em vida, que o façamos agora.

"Quem salva uma vida, salva o mundo" e ele fê-lo pelo que honremos a sua herança e a sua memória.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Regresso

Olá a todos,

Já cá não venho à precisamente 2 meses e 8 dias, muito tempo para estar ausente.

A verdade é que ando sem ânimo para nada e isso reflecte-se em todo o processo da minha vida.

O quebra-cabeças que estou a construir da minha vida e de que vos falei no meu ultimo post antes deste silêncio prolongado está com algumas peças soltas e não tenho encontrado forma de as encaixar correctamente, ou pelo menos, de forma a sentir-me com a paz de alma e força necessárias para inverter esta espiral de acontecimentos.

Muita coisa tem acontecido nestes últimos meses que me têm deixado sem energias. Muita coisa ainda vai acontecer mas não vale a pena sofrer por antecipação pois ai sofremos duas vezes e isso não faz sentido... mas a nossa cabeça trai-nos muitas vezes o que já sabemos à partida.

Este silêncio provoca em mim sentimentos contraditórios e de alguma culpa.

Criei na blogosfera, e ao contrário do que inicialmente poderia imaginar, algumas amizades e esta ausência de partilha que se criou foi em parte quebrada por minha culpa.

Tento inverter as coisas mas quando me sento ao computador para escrever qualquer coisa, nada me sai de interessante pelo que desisto… e tenho-o feito desde essa altura.

Já pareço o que a canção de António Variações tantas vezes refere “Estou bem aonde não estou…” e é assim que me tenho sentido ultimamente e isso deixa-me irritada... comigo mesma...

Sei que a vida não pára para que eu fique bem e existem situações tão piores que a minha que tenho de dizer basta!!! Qual grito do Ipiranga, que serve tanto de desabafo como de libertação.

Desta forma, quero-vos dizer que estou de volta, ou pelo menos, estou a tentar fazê-lo.

Vão voltar a ter notícias minhas (Se calhar algumas sem grande importância) ou de terceiros mas que ache interessante partilhar mas o importante é isso mesmo: Partilhar!!!!

Peço desculpa por este testamento pois não quero deixar-vos com "má onda".

Vocês mereciam uma explicação e esta é, em parte, o melhor que vos consigo dizer.

Estou de volta e isso é o que realmente importa!

Agradeço a muitos o carinho que, mesmo com esta ausência, me têm demonstrado.

É dele que me alimento e de todos os pequenos momentos de felicidade que vou tendo na minha vida.
A VIDA

A vida, acredita, não é um sonho
Tão negro quanto os sábios dizem ser.
Frequentemente uma manhã cinzenta
Prenuncia uma tarde agradável e soalhenta.

Às vezes há nuvens sombrias
Mas é apenas em certos dias;
Se a chuvada faz as rosas florir
Ó porquê lamentar e não sorrir?

Rapidamente, alegremente
As soalhentas horas da vida vão passando
Agradecidamente, animadamente
Goza-as enquanto vão voando.

E quando por vezes a Morte aparece
E consigo o que de Melhor temos desaparece?
E quando a dor se aprofunda
E a esperança vencida se afunda?

Oh, mesmo então a esperança há-de renascer,
Inconquistável, sem nunca morrer.
Alegre com a sua asa dourada
Suficientemente forte para nos fazer sentir bem
Corajosamente, sem medo de nada
Enfrenta o dia do julgamento que vem.
Porque gloriosamente, vitoriosamente
Pode a coragem o desespero vencer.
                                                                       Emile Bronte