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terça-feira, 3 de abril de 2012

Mais uma iniciativa "Limpa Portugal"


Sei que à muito tempo não escrevo artigos, num misto de “falta de tempo” e “falta de vontade” mas esta iniciativa, à semelhança do que fiz em 2010, não poderia deixar de documentar.

O “Limpa Portugal” teve nova edição no dia 24 de Março de 2012 e eu não pode deixar de, mais uma vez, participar.

Desta vez não fui sozinha. Levei o meu filho porque acho que é através dos bons exemplos que lhes mostramos o melhor caminho a seguir.

Estiveram envolvidos duzentos concelhos e o do Cartaxo, ao qual pertenço, foi um deles.
No nosso caso, tentámos dar o nosso contributo e limpámos, dentro do possível, o nosso concelho.

Este ano tivemos menos voluntários que em 2010 o que me entristeceu. Ainda assim, os que estiveram presentes, levaram a força, alegria  e motivação necessárias para que esta iniciativa voltasse a produzir bons resultados.

Não foi uma iniciativa perfeita. Muita coisa ficou ainda por fazer. No entanto, teve todo o mérito e vale pelo esforço de cidadania demonstrado. Agora é de esperar que o civismo impere e que as autoridades competentes façam o seu trabalho.

Se todos colaborarmos será mais fácil atingir os objectivos a que nos propomos. Sei que neste país é difícil fazer acontecer mas não fazermos nada é bem pior.

Uma coisa extraordinária a que assisti este ano foi ao nº de jovens que participaram.

A frase “de pequenino se torce o pepino” faz aqui todo o sentido e pela positiva.
É de pequeno que se forma o carácter de uma pessoa e são os bons exemplos que darão à nova geração os alicerces para construir um futuro melhor.

Foi bom ver pais e filhos juntos por um planeta melhor :)

Gostamos de criticar tudo e todos mas não nos apercebemos que é agindo, fazendo diferente que se consegue obter resultados, muitas vezes surpreendentes. Sábado passado foi, mais uma vez, um dos exemplos disso mesmo.

Seria bom que não houvesse necessidade deste dia. Seria bom que ele não se repetisse mas todos somos realistas.

O mais importante agora é não voltar a sujar Portugal.

Sei que é utopia mas se não sonharmos com dias melhores, o que nos resta?
Adorei mais uma vez colaborar!

Senti-me útil e fiquei com a certeza que, quando o Homem quer, a natureza vive.
Os meus parabéns ao principal mentor e obreiro deste Projecto a nível do Concelho: O Prof. Mário Júlio Reis e a todos os voluntários que abdicaram do seu sábado para mais esta acção cívica de cidadania.

Madre Teresa de Calcutá dizia que o que cada um de nós fazia podia ser apenas uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano seria menor. É este o espirito que devemos ter para com as outras pessoas, os animais e o nosso planeta. É este o espirito no qual todos nós, enquanto cidadãos, deviamos estar embuidos.

Bem haja quem limpa, quem protege e quem preserva.

O Planeta agradece!

Deixo-vos aqui mais algumas das fotos deste dia:






































sábado, 20 de novembro de 2010

A austeridade é uma ideia perigosa

Os tempos que correm não estão a ser fáceis e têm tendência a piorar. No entanto, quem nos "desgoverna" continua a querer atirar-nos areia para os olhos.

Penso que isto era o que deveria vir nas notícias... e não venderem-nos idiotices "à lá TVI"...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E o sonho voltou a cumprir-se...

Retomando o mote do 1.º Encontro… o sonho voltou a cumprir-se …

No passado sábado , dia 6 de Novembro , 61 amigos dos animais voltaram a encontra-se num divertido almoço , no Restaurante Parque Tejo no Centro de Congressos da Junqueira, em Lisboa.

Dizer que foi bom é pouco; foi excelente e, mais que isso, reconfortante saber que, apesar das dificuldades pessoais e da crise em que o país e, consequentemente todos nós, estamos mergulhados, não impediram que o 2.º Encontro da Arca de Noé e amigos dos animais em geral se concretizasse, num elo comum: o nosso amor pelos animais, tantas vezes (até vezes demais) mal-tratados e abandonados por quem deveria protegê-los.

Por um lado, lamentamos que o ser humano utilize o seu bem mais precioso, a inteligência , de forma tão negativa que leva à extinção tantos seres vivos, que leva a um aumento de poluição e de guerras que a não serem travadas a tempo, nos destruirão a todos.

No entanto, por outro lado, louvamos essa mesma inteligência que leva, cada vez mais seres humanos (infelizmente nunca os suficientes) a proteger, manter e fazer prosperar não só os seres vivos mas o próprio planeta.

É tão bom reencontrarmos os nossos pares, aqueles que, como nós, lutam contínua e, tantas vezes de forma completamente anónima, para que os Direitos dos Animais sejam respeitados, mantidos e transmitidos às novas gerações.

Esperamos que este 2.ª Encontro se repita por muitos e muitos anos, qualquer que seja a organização e o formato, com a mesma vontade, a mesma determinação e o mesmo sucesso.

Este ano tivemos algumas ajudas extra o que muito nos agradou. Tivemos algum apoio da moderação da Arca e dois patrocínios extraordinários que em muito vão contribuir para amenizar, nem que seja por um pouco, as carências de tantos animais e respectivas Associações.

Á Pedigree e à Royal Canin o nosso muito obrigado por se terem associado a esta iniciativa que, em conjunto com contribuições de pessoas singulares, contribuíram com cerca de 500 Kg de ração e outros donativos em géneros tão importantes para quem precisa.

Por motivos logísticos, estes donativos foram entregues a duas Associações da região de Lisboa: A Focinhos&Bigodes de Lisboa e a Bianca de Sesimbra.

Para além dos donativos em géneros tivemos este ano uma estreia, que foi a recolha de donativos em dinheiro.

Se o receio era muito, o resultado ultrapassou quaisquer expectativas.

Conseguimos juntar a bonita quantia de 1.288,15 euros que, depois do sorteio feito irão para a Associação Limiana dos Amigos dos Animais de Rua (Ponte de Lima), para a CRAPAA – Associação Protectora dos Animais Abandonados das Caldas da Rainha, para a Associação dos Amigos de Animais da Ilha Terceira e para a Associação Faialente dos Amigos dos Animais.

Este foi o esforço de uma equipa fantástica de amigos, na qual tenho o prazer de fazer parte que, em conjunto e com algum esforço, conseguiram levar a cabo este evento, tantas vezes criticado.

Apesar de ter sido um trabalho de grupo meu (CarpemDiem), da Maria João (marijonscp), da Cila (Patanisca) e do Paulo (jorginho11), cada um com a sua tarefa, tenho de dar um agradecimento especial à Cila, a nossa artista de serviço que, sozinha, fez 90 bonequinhos lindos para vender, pintou um lindo quadro que foi leiloado e fez um saco e caixa amorosos que também foram leiloados. Todo isto a favor dos animais.

Tivemos ainda a ajuda da Lígia (Mathilde356), a Tininha (TinaC), da Elisabete (Betapat) e da Ana Paula (minha mãe) que contribuíram para enriquecer todo o evento, a 1.ª com um lindo trabalho feito por ela para distribuir pelos convivas, a 2.ª com um perfume que foi rifado, a 3.ª com umas mantinhas feitas à mão que foram compradas e a 4.ª com um lindo poema. A elas o nosso especial obrigado.

Tivemos presentes membros “repetentes” e membros novos o que é sempre bom. Rever “velhos” amigos e conhecer outros tantos.

O pessoal do norte sempre fantástico. Mesmo com as distâncias, sempre os mais entusiasmados e empenhados.

Sem todos vocês, este evento não teria sido possível. A todos, sem excepção, o nosso muito obrigado.

Estamos muito orgulhosos pois superámos as nossas melhores expectativas. De qualquer modo, e infelizmente, sabemos que estes donativos nunca serão suficientes para as imensas dificuldades com que se debatem, diariamente, todas as Associações.

Isso dá-nos força para continuar e tudo quanto conseguirmos será uma vitória e mais um passo para o nosso objectivo, por todos partilhado: o bem-estar e a protecção dos animais.

Ficou bem claro no espírito de todos nós de são precisas mais do que palavras. É imprescindível querermos agir, seja de que forma for.

Há pessoas que amam o poder e não lhes interessa quem pisam ou maltratam; outras no entanto, têm o poder de amar; não só outros seres humanos como todos os outros seres vivos.


Estamos muito felizes com o sucesso deste nosso Encontro.

Queremos, mais uma vez, agradecer a todos quantos estiveram presentes e contribuíram para o sucesso desta iniciativa.

A terminar, deixo-vos com um poema que a minha mãe fez aquando deste encontro e que formula um pedido partilhado, pensamos que, por todos aqueles que amam os animais.

Em jeito de despedida esperemos que todos nós tenhamos muito, muito tempo para, neste mundo tão lindo mas também tão complicado e injusto, nos dedicarmos aos nossos objectivos onde se encontra a defesa e protecção dos nossos amiguinhos de quatro patas.

Muito obrigada pela vossa presença e pela vossa contribuição.

Este foi um trabalho conjunto que, não seria nada se não tivéssemos tido a adesão em massa que tivemos. Por isso, um bem haja a todos. Os animais agradecem!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A importância da notícia "O resgate dos Mineiros no Chile"

Esta notícia não teria para mim o impacto que teve não fosse o extraordinário acontecimento que foi e, sobretudo, os valores que o envolve.

Todos os dias, os noticiários dão-nos conta do que se passa no mundo. No entanto, quase sempre dão enfoque ao lado mais negro das notícias e que tem um efeito, em cada um de nós, de desalento e, pior de tudo, de indiferença.

Este acontecimento marca pela diferença.

Realça, para além das maravilhas da tecnologia, o empenho, a solidariedade, a união e a esperança.

Nos tempos difíceis que correm são estes os valores que deviam prevalecer pelo que, nem que seja só por isso, vale a pena divulgar.

Quem ajuda e salva uma vida, salva o mundo. Nem imagino a alegria desta equipa ao ter ajudado a salvar 33. É uma alegria contagiante e é por isso mesmo que a partilho.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

As cidades da minha vida - Praga

Através de uma amiga tive conhecimento de um desafio lançado pelo Carlos do Blog "Crónicas do Rochedo" que achei deveras interessante.

O desafio era falarmos numa das cidades da nossa vida.

Para quem gosta de viajar como eu é qualquer coisa de aliciante.

São tantos os sítios fabulosos que já tive oportunidade de visitar que se tornou muito difícil a escolha.

Em Portugal poderia nomear muitas e lá fora outras tantas. No entanto, decidi optar por uma que me encantou profundamente.

Essa cidade é Praga, na Republica Checa.

Eu sou pouco de cidades grandes, posso mesmo dizer até que sou pouco citadina. Tirando alguns casos pontuais gosto mais de lugares pequenos, ricos em história e, de preferência, verdejantes.

Praga reúne tudo isso.

É uma cidade pequena na qual podemos passear calmamente ao mesmo tempo que nos deslumbramos com a sua beleza.

A cidade de Praga é um dos mais belos e antigos centros urbanos da Europa, famosa pelo extenso património arquitectónico e rica vida cultural. É património Cultural Mundial da UNESCO e é, de facto, uma das cidade mais encantadoras que visitei.

Fez precisamente em Abril 4 anos que a visitei.

Sentir Praga é passear a pé pela Praça da cidade velha - o coração da cidade - e beber toda a sua história, toda a sua arquitectura, toda a sua cultura.

Em cada esquina, o deslumbramento.

É estar presente no exacto momento em que se ouvem as badaladas do relógio astronómico e festejar como se um momento único se tratasse, porque é disso mesmo que se trata.

É viver a sensação de atravessar a Ponte Carlos que liga a cidade velha ao Bairro pequeno, cheia de gente, com bandas de jazz a tocar animadamente, com caricaturistas e artesãos.

A melhor hora para o fazer é logo cedo e não aconselho a hora de almoço pelo inúmero fluxo de turistas... e carteiristas.É passear pelas suas ruas e ver a cada esquina um monumento impar. Um pedaço de história… história sofrida mas muito mais sentida. Para quem gosta de arquitectura, este é um dos melhores sítios para se estar.

A superfície ondulada concede a Praga uma beleza singular e um panorama impressionante. As colinas sobre a cidade oferecem uma infinidade de vistas magníficas.
O rio Vltava que atravessa a cidade dá origem a um outro aspecto específico da cidade - ilhas e meandros com cantos românticos.

O curso sinuoso do rio através da cidade, cheia de belas e antigas pontes, contrasta com a presença imponente do grande Castelo de Praga em Hradcany, que domina a capital na margem esquerda do rio e de onde tudo começou.

A abundância de torres e miradouros concedeu a Praga o atributo da cidade das cem torres ou das cem cúpulas. Actualmente, existem aproximadamente 500 torres e miradouros na cidade.

O centro de Praga é caracterizado por ruelas ziguezagueantes e edifícios de todos os estilos arquitectónicos - rotundas românicas, catedrais góticas, palácios de estilos renascença e barroco, casas em estilos de classicismo, Arte Nova, cubismo e funcionalismo ou edifícios modernos.

Praga é uma cidade de inesperadas e raras maravilhas. Desde a sua áurea mística até á sua arquitectura fascinante são muitos os pontos de interesse.

Passear pela cidade é uma experiência que não deixa ninguém indiferente. Aqui as épocas históricas misturam-se a cada esquina. Em cada rua, em cada praça, há edifícios de uma beleza estonteante. Não deixem de visitar as igrejas de São Nicolau, do Loreto ou do Menino Jesus de Praga, no Bairro de Mala Strana, no qual encontrarão também diversos palácios barrocos da antiga aristocracia checa, datados do séc. XVII.

Das imponentes construções góticas, como a Catedral de S. Vitus ou o edifício da Câmara Municipal, (ambas na Cidade Antiga), à explosão do Barroco passando pelos edifícios da renascença, pelas construções Arte Nova, estilo que conheceu aqui mais adesão do que em qualquer outra cidade europeia com Alphonse Mucha, ou pela arquitectura cubista, tão rara em todo o mundo e que aqui tem alguns belos exemplares... Praga é um verdadeiro catálogo de estilos arquitectónicos, característica que lhe confere uma sumptuosidade única e imperdível.

Na cidade velha (Stare Mésto em checo), multiplicam-se os edifícios de elevado valor arquitectónico, verdadeiras relíquias patrimoniais, do país como a igreja Týnský, em estilo gótico, o bairro Josefstadt, que inclui o gueto e o cemitério judaicos, do século XII e as sinagogas; o relógio Astronómico Orloj para além de muitos outros edifícios e pormenores encantadores.

Já na Cidade Nova (Nové mésto) poderão encontrar a Praça e a estátua de são Venceslau, erguida em 1915, o museu nacional, o Prikopy, local da antiga fortaleza; o Teatro dos Estados, o Teatro Nacional e inúmeros palácios e igrejas onde o estilo barroco exibe todo o seu esplendor! Uma outra característica desta cidade que me fascina é a sua intensa vida cultural.

Praga foi sempre conhecida pela sua herança artística. O teatro tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento cultural da cidade mas também possui uma forte tradição musical. Um dos espectáculos mais característicos da cidade e que recomendo vivamente a não perderem é o chamado "Black light Theatre - teatro negro" ou também conhecido por lanterna mágica.

Alguns dos teatros mais populares são de carácter experimental e incluem este género de teatro quase único desta região e que incluem as marionetas, a pantomina, a mímica e a multimédia. Muitas das vezes os actores vestem-se de negro e movem objectos num palco negro sem serem vistos, só com fantoches e noutras aparecem como sombras por detrás de um lençol. Nenhum deles exije conhecimento da língua pelo que se torna internacional e muito apreciado. Eu pude assistir a vários espectáculos mas recomendo um em especial:  “A Odisseia”.

Podem ainda sentar-se numa das muitas esplanadas existentes por toda a cidade e beber uma boa cerveja checa e alguns petiscos. Para comer recomendo o restaurante "U Zlaté Konvice" que se situa bem no centro numas caves romanas e góticas do Séc. XIV e na companhia de músicos que nos animam com a sua boa disposição ou no Grand Café.

As gentes checas não são das mais simpáticas. São extremamente fechados e desconfiados mas percebendo todo o contexto histórico percebe-se o porquê. Vão aprendendo com a liberdade pelo que temos de lhes dar tempo.

Havia tanta coisa para dizer desta cidade que se me alongasse nunca mais daqui saia.

Estou a preparar um outro post onde vos irei fazer uma espécie de visita guiada pela cidade tal como a conheci. Irei pegar no meu album de fotografias que fiz (as fotos são muitas, infelizmente tiradas analogicamente) e tentar voltar a Praga recordando-a. Não vai dar para falar de todos os pontos mas, com toda a certeza, dos a não perder de modo algum.

Praga é tão linda tão linda, que só mesmo indo lá para ver, para sentir o cheirinho a croissants às 7 da matina no , viver aquela azáfama diária e consumir toda aquela história, aquela cultura, aquelas paisagens.

A única coisa que aconselho é que fujam das chuvadas de verão e das temperaturas negativas que caracterizam o rigoroso Inverno e elejam os meses da Primavera e do Outono para visitar esta cidade verdadeiramente imperdível.

 Quem quiser aderir a este desafio esteja à vontade. É sempre bom conhecer mais um pouco dos recantos maravilhosos que existe por esse mundo fora.

domingo, 25 de abril de 2010

A revolução dos cravos

No outro dia estava a ouvir um amigo meu a explicar ao filho Diogo de 8 anos o que foi o 25 de Abril e ao fim de um bocado ouvi o miúdo dizer: 

- Foi aquele dia em que os cravos apareceram nas pistolas e as pessoas que estavam cansadas de ser infelizes, deixaram de o ser.

Achei aquela descrição tão inocentemente fantástica que me ficou na memória.

O Diogo não sabia realmente o significado do 25 de Abril. Mesmo eu, que tinha apenas dois aninhos quando a revolução aconteceu, só mais tarde me apercebi da dimensão desse sonhar sem amarras.

Às tantas, o miúdo sai-se com esta pergunta:

- Oh pai, mas onde está o 25 de Abril sempre?

Não acham uma excelente pergunta? Será que algum de nós a consegue responder?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O nosso Planeta

Hoje é o Dia Internacional da Terra, criado em 1970 e adoptado mundialmente em 1990.

40 anos depois continua tudo na mesma, senão pior.

O cenário não é famoso. O nosso relacionamento com o nosso planeta piorou nos últimos anos.

Apesar de estarmos mais eficientes, estamos cada vez a gastar mais recursos.

Consumimos muito mais do que aquilo que necessitamos, a nossa pegada ecológica está cada vez pior, não preservamos o ambiente, a biodiversidade está a perder-se a uma taxa sem precedentes, não apostamos nas energias renováveis nem na educação das pessoas.

A pressão sobre a Terra está a tornar-se cada vez maior.

Podemos ver isso mesmo todos os dias e penso que as alterações climáticas são apenas um dos sintomas.

Os exemplos partem de cima e é ai que começam logo a falhar. No entanto, cada um de nós é também responsável.

Na sua prepotência de se achar o “Rei do mundo” e de olhar somente para o seu próprio umbigo, o Ser Humano esquece-se que a Terra é a nossa vida. Sem ela, nada somos.


Tal como hoje, comemoramos sempre o dia disto e daquilo mas depois nada muda efectivamente.

As atitudes não podem resumir-se a dias específicos. Estes deviam servir somente como chamada de atenção.

Se não o fizermos a bem, mais cedo ou mais tarde, vamos sofrer as suas consequências. Aliás, já estamos a sofrê-las e penso sinceramente que isto é apenas uma pequena amostra.

Em 1854 o chefe Seattle, um simples índio considerado por muitos de "selvagem" fez, o que é para mim é a mais bela e profunda declaração de amor ao meio ambiente.

Ele disse: "Somos parte da terra e ela faz parte de nós.
As atitudes têm de mudar mas de uma forma permanente e sustentável.
Como é que hoje é o dia da Terra se é a Terra que faz os dias?
Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo."

Se quiserem ler o texto integral da sua declaração que é longa mas a valer muito a pena podem fazê-lo aqui: Chefe Seatle

Julgamo-nos os maiores mas perante a natureza somos muito pequeninos e ela está a ficar farta das nossas atitudes e a começar a rebelar-se.

Chegou o momento de pensarmos verdadeiramente no que andamos a fazer e passar da teoria à pratica.

(Con)vivemos com ela todos os dias. A questão agora é: Como o iremos fazer?



 
E quanto ao amanhecer
E quanto a chuva
E quanto a todas as coisas
Que você disse que conquistaríamos
E quanto aos campos de batalha
Ainda há tempo?
E quanto a todas as coisas
Que você disse serem suas e minhas
Você já parou para ver
Todo o sangue que já derramamos
Você já parou para ver
Esta Terra que chora, está se desfazendo


O que fizemos ao mundo
Olhe o que fizemos
E quanto a toda a paz
Que você prometeu ao seu filho
E quanto aos campos florescendo
Ainda há tempo?
E quanto a todos os sonhos
Que você disse serem seus e meus
Você já parou para ver
Todas as crianças mortas na guerra
Você já parou para ver
Esta Terra que chora, está se desfazendo


Eu costumava sonhar
Que podia ver além das estrelas
Agora não sei onde estamos
Mas sei que fomos longe demais


Ei, e quanto a ontem?
(E quanto a nós)
E quanto aos mares?
(E quanto a nós)
Os céus estão despencando
(E quanto a nós)
Não posso nem respirar
(E quanto a nós)
Preciso de você
(E quanto a nós)
E quanto ao valor da natureza?


É o útero do nosso planeta
(E quanto a nós)
E quanto aos animais?
(E quanto a nós)
Transformamos reinos em pó
(E quanto a nós)
E quanto aos elefantes?
(E quanto a nós)
Perdemos a confiança deles
(E quanto a nós)
E quanto as baleias que choram?
(E quanto a nós)
Debatendo-se nos mares
(E quanto a nós)
E quanto as florestas?


Queimadas apesar de nossos pedidos
(E quanto a nós)
E quanto a terra sagrada?
(E quanto a nós)
Dividida por ganância
(E quanto a nós)
E quanto ao homem comum?
(E quanto a nós)
Não podemos libertá-lo?
(E quanto a nós)
E quanto as crianças que estão morrendo?
(E quanto a nós)
Você não consegue ouvir seus choros?
(E quanto a nós)
Onde nós erramos?


Alguém me diga porque
(E quanto a nós)
E quanto ao seu filho?
(E quanto a nós)
E quanto aos dias?
(E quanto a nós)
E quanto a toda diversão deles?
(E quanto a nós)
E quanto ao Homem?
(E quanto a nós)
E quanto ao Homem que chora?
(E quanto a nós)
E quanto a Abraão?
(E quanto a nós)
E quanto a morte?
Nós ao menos nos importamos?
Podíamos aprender alguma coisa com estas palavras.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Marcha pelos animais

No sábado passado, dia 10 de Abril de 2010, realizou-se em Lisboa uma marcha em defesa dos direitos dos animais e contra a mais recente criação de uma secção dedicada à tauromaquia no Centro Nacional da Cultura.

Eu nunca fui de manifestações. Penso que em toda a minha vida participei em duas mas esta era uma daquelas a que não podia faltar. Quem me conhece sabe disso.

A concentração foi efectuada junto à Praça de Touros do Campo Pequeno e, a pé, lá fomos até à Assembleia da Republica.

Fiquei agradavelmente surpreendida com a adesão em massa das pessoas, que vieram do norte ao sul do país, especialmente com o facto de ter encontrado várias gerações.

Todos nós sabemos que o exemplo dos pais "contagia" mais, e mais facilmente os filhos do que a melhor das propagandas.

Gostei de ter participado mas confesso que não me agradou muito que o enfoque da marcha tenha sido a abolição das touradas; não que concorde com elas, muito pelo contrário. 

No entanto, todos sabemos que é mais fácil mudar um bairro inteiro que a mentalidade de uma só pessoa e português que se preze (não que eu preze muito este tipo de português), adora touradas.

Felizmente, esta ideia vai mudando mas aos poucos, melhor, muito devagarinho. 

Para mim, esta não deveria ter sido a prioridade. 

Existem situações bem mais graves e urgentes e enquanto estas não estiverem resolvidas deviamos concentrar-nos na causa animal por fases e "step-by-step" lá chegaríamos.

Em minha opinião,os direitos dos animais em geral seria o melhor tema.

Temos de unir esforços para que os nossos governantes (que, aliás, não governam coisa nenhuma) considerem os animais como seres de pleno direito, com leis que os defendam e os protejam.

A legislação, ou a falta dela é, neste momento, o mais importante.

Enquanto os animais forem considerados "coisas" não há qualquer legalidade para combater a incúria, os maus-tratos, o abandono, os abusos, enfim a crueldade.

Um dia tenho esperança na sábia frase de Leonardo da Vinci em que "virá o dia em que a matança de um animal será considerada crime tanto quanto o assassinato de um homem".

Nunca devemos pensar que os animais sofrem menos do que nós, humanos. A dor é a mesma para eles e para nós. Talvez pior, porque eles não podem ajudar-se a si mesmos. Foi por essa razão que lá estivemos e como dizia um dos muitos cartazes: "Fomos dar voz aos animais".

Na marcha a que fui, admirei certas pessoas que, com bastantes limitações físicas, quiseram estar presentes e dar o seu testemunho a favor dos seus animais em especial e de todos em geral.

Nada é perfeito. Mesmo dentro dos amantes de animais, como em muitas outras causas, existem fundamentalismos e interesses camuflados. Para mim, o que foi mais importante nesta marcha foi ver o cidadão comum que, como eu, se uniu pela mesma causa e que, como eu, não compreende e não aceita este triste estado de coisas.

Frases como: "Direitos dos animais são fundamentais", "Gatos e cães não são lixo urbano", "Cultura sim, touradas não" ou "Tortura não é cultura" foram alguns dos muitos motes que se ouviram.

Quando falei desta marcha a algumas pessoas ouvi certos comentários como: "Que idiotas, preocupados com animais. Deviam era preocupar-se com as pessoas e com coisas mais importantes".

Afirmações destas são indefensáveis porque são de gente "pequena" que não vê muito além do próprio umbigo.

Não temos de escolher uma causa em detrimento de outra.
Ambas são importantes e necessárias.

Abraham Lincoln dizia: "Eu sou a favor dos direitos animais bem como dos direitos humanos. Essa é a proposta de um ser humano integral."

Penso que esta frase resume tudo.

A única coisa que me revoltou nesta manifestação foi a absurda manipulação dos números que foi levada a cabo por alguns órgãos da comunicação social, que não fizeram mais do que menosprezar a maior manifestação de sempre feita em Portugal pelos direitos dos animais - Segundo um agente da polícia com quem falei, durante o próprio evento, estariam entre 3.500 a 4.000 pessoas.

Toda a ajuda é necessária e bem vinda desde que feita com isenção e seriedade e isso foi o que muitos não fizeram ou, pelos muitos interesses envolvidos, não quiseram.

Como cidadã só posso lamentar.

Temos de repetir esta marcha e que a divulgar; Informação, informação e bons exemplos sempre.

Na sociedade actual de quem não se fala, é esquecido e é isso que não queremos.

Falem bem ou falem mal mas falem.

Existiu uma frase que dizia: "Todos diferentes, todos animais" e é disto mesmo que se trata apesar de o esquecermos constantemente.

Quero agradecer a todas as pessoas presentes e a todos que diariamente, directa ou indirectamente, amam, ajudam e protegem os animais.

Uma grande festa a todos os animais e um abraço a todos que como eu, desejam um mundo mais justo em que Homens e animais co-habitem em harmonia.

Deixo-vos aqui um vídeo que fiz com as fotos que tirei e com os melhores momentos desta MARCHA PELOS ANIMAIS. Espero que gostem.

terça-feira, 23 de março de 2010

Iniciativa "Limpar Portugal" na minha terra...


No sábado passado, dia 20 de Março, apesar da chuva, foi um dia promissor: Limpámos Portugal.

Por todo o país foram mais de 100 mil voluntários a limpar mais de 11 mil lixeiras.

É triste vermos um país tão lindo, ficar tão poluído e abandonado.

Apesar da ideia ter surgido à 2 anos na Estónia, três anos depois, o conceito já pôs perto de 200 mil pessoas a limpar três países, um destes Portugal no sábado passado.

O Projecto Limpar Portugal é um movimento cívico que pretendeu, através da participação voluntária de pessoas particulares e de entidades privadas e públicas, promover a educação ambiental e reflectir sobre a problemática do lixo, do desperdício, do ciclo dos materiais e do crescimento sustentável, por intermédio da iniciativa de limpar a floresta portuguesa.

No nosso caso, limpámos o nosso concelho, onde fizemos o pleno: Todas as 8 Freguesias estiveram envolvidas, num total de mais de 300 voluntários.

A chuva que caiu constantemente ao longo da manhã não demoveu os participantes e assim pelas 8H45 da manhã lá estávamos todos nos respectivos pontos de encontro a recolher luvas, coletes, sacos e coordenadas para depois, em caravana, colocarmos “mãos à obra”.

Foi bom ver famílias inteiras a participar nesta iniciativa pois só assim se dá o exemplo e se educam as futuras gerações na defesa do meio ambiente.
Aliás, foram essas mesmas “futuras gerações” que marcaram, definitivamente o dia de sábado passado.

Eram a maioria e foi bom vê-los trabalhar na natureza, para a natureza.

Existiu no meu grupo uma adolescente que dizia: “E se fizéssemos isto mais vezes por ano?”

Na sua algo ingénua afirmação existe muita sabedoria. Pena é que não a coloquemos em prática mais vezes, não no sentido de agir sobre um mal feito mas próactivamente, não sujando.

O balanço total da acção ainda não é conhecido mas penso que o objectivo da sensibilização já foi alcançado.

Tal como eu, muitas pessoas não faziam ideia do que iam encontrar dentro das matas. No sábado sentiram que o problema existe. E, ao contrário do que se possa pensar, não é nos resíduos deixados após um piquenique que reside o principal problema. Há muito lixo industrial, monos e entulhos das obras caseiras.

Fazemos parte da natureza, única, bela e sensível. E o que temos feito por ela, pelo nosso ambiente, por nós mesmos? Porcaria, simplesmente.

Só pode ser por desconhecimento ou falta de civismo mas, infelizmente creio que é este ultimo a imperar.

Esta iniciativa não foi perfeita. Muita coisa ficou por fazer. No entanto, teve todo o mérito e vale pelo esforço de cidadania demonstrado. Agora é esperar que o civismo impere e que as autoridades competentes façam o seu trabalho.

Se todos colaborarmos será mais fácil atingir os objectivos a que nos propomos. Sei que neste país é difícil fazer acontecer mas não fizermos nada é bem pior.

Gostamos de criticar tudo e todos mas não nos apercebemos que é agindo, fazendo diferente que se conseguem obter resultados, muitas vezes surpreendentes. Sábado passado foi um dos exemplos disso mesmo.

Seria bom que não houvesse necessidade deste dia. Seria bom que ele não se repetisse.

O mais importante agora é não sujar Portugal, para que, no futuro, não seja preciso organizar mais uma acção para limpar Portugal.

Sei que é utopia mas se não sonharmos com dias melhores, o que nos resta?

O que posso dizer é que no sábado cheguei a casa com um ar de grande satisfação. Foi bom, muito bom, verificar que há tanta gente, de todas as idades, preocupados com o ambiente e empenhados na sua conservação.



Que este dia tenha servido de exemplo a quem se maltrata a si mesmo, maltratando a natureza.

Os bons exemplos são muito necessários e muito bem-vindos!

Adorei colaborar!

Senti-me útil e fiquei com a certeza que, quando o Homem quer, a natureza vive.

Os meus parabéns ao principal mentor e obreiro deste Projecto a nível do Concelho e Distrito: O Prof. Mário Júlio Reis, que muito trabalho deve ter tido.

Bem hajam a todos os que colaboraram

Bem haja quem limpa, quem protege, quem preserva!

Para o nosso bem, para o bem da nossa Terra!

Reportagem no programa Biosfera da RTP2, ao projecto nacional Limpar Portugal

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia internacional da Mulher

Hoje de manhã, quando estava a caminho do trabalho estava a pensar se haveria de escrever ou não um post sobre este tema.

Não sou grande apologista de dias específicos para o que quer que seja. No entanto, ao ouvir na rádio que, no ocidente, as mulheres ainda trabalham mais 16 horas por dia que os homens e que, por norma, ainda ganham 30% abaixo destes não pude ficar indiferente.

É incrível como em pleno séc. XXI isto ainda se passa. E não estou a falar noutras culturas em que a mulher não é mais do que simples mercadoria e onde as diferenças são avassaladoramente trágicas.

Assim, e apesar de achar que o dia da Mulher deveria ser todos os dias, também acho que enquanto existirem desigualdades, maus tratos e discriminação ainda faz sentido este dia. Por isso aqui vos deixo um poema em jeito de homenagem a todas as Mulheres...

PARA TI, MULHER

Levanta-te e luta,
Não te conformes.
Levanta-te e luta,
Não te rebaixes.
Levanta-te e luta
Não te menosprezes.
Levanta-te e luta,
Caminha a meu lado.
Daremos as mãos.
Uniremos forças
E, juntas, então
Qual força imparável
Que sabe o que quer
Mostramos ao mundo
o que é ser mulher!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cultura dos sem vergonha...

Foi com revolta e alguma repulsa que vi anunciado pelo Ministério da Cultura, na pessoa da Ministra Gabriela Canavilhas, a criação de uma secção dedicada à tauromaquia.

As sociedades modernas tendem a tornar-se cada vez mais civilizadas, abolindo, gradualmente, práticas medievais que as envergonham perante si próprias e perante o mundo, e cujo lugar deve apenas pertencer ao passado pelo que é lamentável esta atitude.

Independentemente dos prazeres pessoais de cada cidadão, que, obviamente, tem todo o direito de apreciar o que quer que apreciem, o facto é que, a sociedade não pode, nem deve, a bem da evolução civilizacional e moral, considerar aceitáveis, muito menos oficializar, práticas que impliquem a exploração e/ou sofrimento de quem não se pode representar a si próprio nem escolher participar nelas.

Em pleno século XXI chega a ser ofensivo discutir-se o sofrimento dos outros animais (que não os humanos).

Uma coisa é gostar e defender o que se gosta. Isso até aceito. Outra coisa é negar um facto evidente que é sofrimento alheio.

Quem é a favor desta prática medieval fala muito na tradição. Eu gosto das tradições mas existem algumas que não fazem sentido. Esta é uma delas.

No tempo dos romanos também era uma festa, uma tradição os espectáculos dos gladiadores e o assassinato de pessoas na arena e deixou de ser. Porque terá sido? Talvez porque infringia dor e morte, não? Esse devia ser o principio.

Os defensores das touradas alegam que se não fossem as touradas, os touros desapareceriam. No entanto, o argumento é tão fraco como ridículo.

Obviamente que, na eventualidade de se quererem manter estes animais seria perfeitamente possível mantê-los em regime de santuário, protegendo-os como acontece com tantos outros animais em vias de extinção.

Depois, em jeito de fuga dizem: Deviam preocupar-se com coisas mais importantes do que esta mas pergunto: Existem graus de importância? Estabelecidos por quem?

Porque temos de escolher um tema em detrimento de outro? oorque não lutar por ambas as causas, sejam elas quais forem, desde que acreditemos nelas?

Nem sempre o que é considerado legal (do ponto de vista do Direito) é moralmente admissível. A História tem-nos mostrado inúmeros bárbaros costumes, que estavam perfeitamente legalizados, e que se foram tornando ilegais, à medida que fomos evoluindo intelectual e moralmente.

Infelizmente, as vítimas da tauromaquia são silenciosas; não podem falar do que sentem, e, assim, comprovar a veracidade dos argumentos dos seus defensores. Todavia, os referidos defensores podem e devem, fazê-lo.

Não é incomum verem-se milhares de pessoas na rua, a manifestarem-se; Não é incomum ouvirem-se, na televisão e na rádio, intervenções de cidadãos indignados; Não é incomum lerem-se, na imprensa escrita, artigos de opinião e cartas de leitores. O que é incomum é verem-se similares declarações acontecerem em defesa dos interesses de outros, que não nós próprios.

Sou ribatejana e não me acho fundamentalista. No entanto, a tudo o que inflija dor, digo não obrigado.

Para mim, as touradas deviam acabar e acho prepotente da parte do governo designá-la como cultura pelo que me, na falta de outro poder, me acho no direito de manifestar a minha repulsa por esta atitude.

Fui ao dicionário ler a definição de cultura.

Cultura refere-se a crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identificam uma sociedade num determinado período. É o reflexo do desenvolvimento da humanidade.

Se assim é, que mau exemplo a nossa sociedade está a dar ao mundo e que pouco evoluídos estamos.

A tauromaquia é uma actividade de culto do sangue e da violência sobre os animais. Só os motivos económicos ganham na luta de ódio em que o Homem tem a cobardia de exercer sobre os animais.

Em toda a História da Humanidade sempre existiram tradições, cultos e crenças cruéis. Não devemos persistir no erro da manutenção de tradições retrógradas e sangrentas.

O ser humano é incrível pelo bem que faz mas também pelo mal que inflige e sabemos que muitas vezes não respeitam os direitos dos seus semelhantes, quanto mais dos outros seres vivos. No entanto, é necessário que esta situação se altere. Já se conquistou alguma coisa mas ainda não o suficiente pelo que não devemos manter-nos em silêncio.

O silêncio é conivente e mata em muitas situações.

Assinamos petições contra, revoltamo-nos mas parece que tudo que se faz parece pouco perante a força dos interesses económicos e menos claros de certos poderes.

Todos os argumentos são necessários pelo que vos deixo mais alguns: 10 argumentos para não se ir ver Touradas.

Sei que é um tema que gera polémica mas se calhar é disso mesmo que a nossa sociedade precisa, para agitar as consciências nos dias de hoje tão adormecidas.

Eu digo sim à Cultura como forma de dignificação da vida. Não à cultura da morte e dos sem vergonha...

Abraham Lincoln disse um dia "Eu sou a favor dos direitos animais bem como dos direitos humanos. Essa é a proposta de um ser humano integral."

Todos nós devíamos pensar no sentido que esta grande frase encerra.

Deixo-vos aqui dois artigos que acho muito bons e que reflectem bem o que penso desta atitude do governo:
"Viva la muerte" de Manuel António Pina no JN
"Morrer como um touro" de Paulo Varela Gomes no público