
Olá a todos!
Chegado o Verão e o sol, chega a boa disposição e os dias mais apraziveis pelo que vos venho sugerir um passeio diferente e a possibilidade de experimentarem uma alternativa a um dia do vosso fim-de-semana ou mesmo periodo de ferias.
Queria-vos apresentar o “Fatias de Cá”.
O “Fatias de cá” é um grupo de teatro criado em Tomar em 1979 e que tem, neste momento, 6 centros de produção teatral (Tomar, V. N. Barquinha, Chamusca, Constância, Coimbra e Lisboa) enquadrados pelo Fatias de Cá - Sede.
Sou fã deste conceito e já fui a muitas das suas peças que me surpreendem a cada nova aventura.
Espero continuar a fazê-lo e aconselho também a participarem nesta experiência. Com certeza, que não se vão arrepender.
Enquanto Companhia de Teatro, desenvolve projectos de âmbito profissional e amador pelo que conta com mais de 100 membros (entre permanentes, regulares e pontuais), ou seja, apesar de ter alguns actores profissionais é composto na sua essencia, por amadores que com esforço e dedicação têm feito este conceito crescer e ganhar cada vez mais adeptos.
A designação "Fatias de Cá" inspira-se no nome de um doce conventual (Fatias de Tomar) cuja receita pode ser considerada uma metáfora do acto teatral: batem-se as gemas de ovos demoradamente até obterem um aspecto cremoso e uniforme e vão a cozer em banho-maria numa panela especial até ficarem com a consistência do pão que se fatia e frita-se em calda de açúcar.
A opção estética do Fatias de Cá assume três vertentes:
- O património, quer o construído quer o paisagístico, é entendido como um espaço teatral privilegiado tendo em conta o cenário natural que comporta;
- A partilha com o público de um momento de refeição é assumido como uma forma de sociabilização e de concentração no espaço-tempo convocado pelo espectáculo;
- O acto teatral é entendido como um momento que emocione e divirta.
O preço é acessivel e as ofertas de peças são muito variadas e para todos os gostos. As adaptações são muitas (quase todas de Carlos Carvalheiro) e muitas de obras conhecidas como “O Equador” de Miguel Sousa Tavares, “Rapariga com brinco de pérola”, “A morte do Lidador” de Alexandre Herculano”, “O nome da Rosa” de Umberto Eco” (no Convento de Cristo em Tomar), “A Tempestade” de William Shakespeare (em Constância), “Diálogo das Compensadas” de João Aguiar (no Castelo de S. Jorge), O “Viriato” (no Castelo Almorol), “Inês” (em Coimbra), “Corto Maltese – Concerto em O´menor para a Harpa e Nitroglicerina” de Hugo Pratt (Na Destilaria da Brugueira em Torres Novas), “Sonho de uma noite de Verão” de William Shakespeare (na Mata dos Sete Montes em Tomar), “T de Lempicka” de John Krizanc (no Convento de Cristo em Tomar entre muitas outras.
Para perceberem um pouco mais do conceito deste grupo vou-vos explicar um pouco de algumas obras:
“Sonho de uma noite de Verão” de William Shakespeare
Local: Mata dos Sete Montes em Tomar
Duração: Aperitivo + 1h18 + jantar
Sinopse: Um casamento imposto obriga dois amantes a fugir da casa. Um grupo de comediantes ensaia uma farsa trágica para apresentar nos esponsais do duque de Atenas. Tudo se passa na noite de Midsummer num bosque mágico. E num sonho tudo pode acontecer…
Acresce o ambiente natural da Mata dos Sete Montes em Tomar. Local que Shakespeare acharia particularmente adequado para ser o cenário desta peça. O espectáculo é feito ao fim da tarde e, no final, o público é convidado para partilhar um jantar.
Conselho: Levem uma lanterna e calçado confortável
“T de Lempicka” de John Krizanc
Local: Convento de Cristo em Tomar
Duração: 1h05 + Piatti + 1h05 + Dolci
Sinopse: Depois de uma iniciática fila de espera muito conectada com o local onde nos encontramos, somos conduzidos por um mordomo, Dante Fenzo, ex-gondoleiro para o Il Vittoriale degli Italiani a casa de campo de Gabriele d’Annunzio. No final da fila aguarda-nos um camisa-negra mussoliniano que nos carimba um passaporte válido para dois dias: 10 e 11 de Outubro de 1927. Está para chegar precisamente nesse dia 10, a senhora Tamara de Lempicka (1898-1980) naquela época uma encantadora e jovem pintora polaca que pensa ir para Il Vittoriale pintar o retrato de um grande homem Gabriele d’Annunzio. Contudo logo que toma contacto com o grande poeta, fica surpreendida por o ver mais interessado em seduzi-la do que em pagar-lhe o trabalho que lhe encomendou e que a fez sair de Paris. Assim sendo, apercebemo-nos ao longo da acção da dicotomia feminilidade-masculinidade que Tamara de Lempicka estabelece e que se tornará uma postura muito própria da sua personalidade, acreditando que todos os seres humanos, homens e mulheres, são uma mistura destas duas componentes.
Curiosidade: Podem ver esta peça várias vezes pois todas elas podem ser diferentes. Irão dar-vos um passaporte à entrada que, por cada sessão, irão ter descontos.
Conselho: Levem amigos para que cada um deles siga uma personagem diferente para depois, ao jantar, reunirem-se para trocar ideias de como melhor perceber a história e seu enredo.
Em conclusão, poderemos assim dizer que, este grupo apresenta-nos uma nova forma de teatro utilizando o património histórico existente para contar uma história e partilhar a mesma com a intervenção directa do publico, incluindo uma refeição sempre enquadrada na peça. Esta característica faz com que existam peças sazonais, algumas delas só no periodo do verão, enquanto outras estarão em cena todo o ano.
Quer se goste ou não de teatro não se consegue ficar indiferente a este conceito. Basta ter uma mente aberta e querer experimentar algo diferente e original.
Para marcações ou para conhecer um pouco melhor este grupo, deixo-vos aqui os contactos:
Fatias de Cá
Apartado 140, 2304-909 Tomar
Telefone 960303991 (marcações)
Fax 249313857
www.fatiasdeca.net
Espero ter-vos despertado a curiosidade para conhecer este novo conceito de teatro e deixo-vos com uma frase que é atribuida a Galileu mas que é o lema do “Fatias de Cá: “não resistir a uma ideia nova nem a um vinho velho!”
Aproveitem e divirtam-se!