Por todo o país foram mais de 100 mil voluntários a limpar mais de 11 mil lixeiras.
É triste vermos um país tão lindo, ficar tão poluído e abandonado.
Apesar da ideia ter surgido à 2 anos na Estónia, três anos depois, o conceito já pôs perto de 200 mil pessoas a limpar três países, um destes Portugal no sábado passado.
O Projecto Limpar Portugal é um movimento cívico que pretendeu, através da participação voluntária de pessoas particulares e de entidades privadas e públicas, promover a educação ambiental e reflectir sobre a problemática do lixo, do desperdício, do ciclo dos materiais e do crescimento sustentável, por intermédio da iniciativa de limpar a floresta portuguesa.
No nosso caso, limpámos o nosso concelho, onde fizemos o pleno: Todas as 8 Freguesias estiveram envolvidas, num total de mais de 300 voluntários.
A chuva que caiu constantemente ao longo da manhã não demoveu os participantes e assim pelas 8H45 da manhã lá estávamos todos nos respectivos pontos de encontro a recolher luvas, coletes, sacos e coordenadas para depois, em caravana, colocarmos “mãos à obra”.
Foi bom ver famílias inteiras a participar nesta iniciativa pois só assim se dá o exemplo e se educam as futuras gerações na defesa do meio ambiente.
Aliás, foram essas mesmas “futuras gerações” que marcaram, definitivamente o dia de sábado passado.
Eram a maioria e foi bom vê-los trabalhar na natureza, para a natureza.
Existiu no meu grupo uma adolescente que dizia: “E se fizéssemos isto mais vezes por ano?”
Na sua algo ingénua afirmação existe muita sabedoria. Pena é que não a coloquemos em prática mais vezes, não no sentido de agir sobre um mal feito mas próactivamente, não sujando.
O balanço total da acção ainda não é conhecido mas penso que o objectivo da sensibilização já foi alcançado.
Tal como eu, muitas pessoas não faziam ideia do que iam encontrar dentro das matas. No sábado sentiram que o problema existe. E, ao contrário do que se possa pensar, não é nos resíduos deixados após um piquenique que reside o principal problema. Há muito lixo industrial, monos e entulhos das obras caseiras.
Fazemos parte da natureza, única, bela e sensível. E o que temos feito por ela, pelo nosso ambiente, por nós mesmos? Porcaria, simplesmente.
Só pode ser por desconhecimento ou falta de civismo mas, infelizmente creio que é este ultimo a imperar.
Esta iniciativa não foi perfeita. Muita coisa ficou por fazer. No entanto, teve todo o mérito e vale pelo esforço de cidadania demonstrado. Agora é esperar que o civismo impere e que as autoridades competentes façam o seu trabalho.
Se todos colaborarmos será mais fácil atingir os objectivos a que nos propomos. Sei que neste país é difícil fazer acontecer mas não fizermos nada é bem pior.
Gostamos de criticar tudo e todos mas não nos apercebemos que é agindo, fazendo diferente que se conseguem obter resultados, muitas vezes surpreendentes. Sábado passado foi um dos exemplos disso mesmo.
Seria bom que não houvesse necessidade deste dia. Seria bom que ele não se repetisse.
O mais importante agora é não sujar Portugal, para que, no futuro, não seja preciso organizar mais uma acção para limpar Portugal.
Sei que é utopia mas se não sonharmos com dias melhores, o que nos resta?
O que posso dizer é que no sábado cheguei a casa com um ar de grande satisfação. Foi bom, muito bom, verificar que há tanta gente, de todas as idades, preocupados com o ambiente e empenhados na sua conservação.
Que este dia tenha servido de exemplo a quem se maltrata a si mesmo, maltratando a natureza.
Os bons exemplos são muito necessários e muito bem-vindos!
Adorei colaborar!
Senti-me útil e fiquei com a certeza que, quando o Homem quer, a natureza vive.
Os meus parabéns ao principal mentor e obreiro deste Projecto a nível do Concelho e Distrito: O Prof. Mário Júlio Reis, que muito trabalho deve ter tido.
Bem hajam a todos os que colaboraram
Bem haja quem limpa, quem protege, quem preserva!
Para o nosso bem, para o bem da nossa Terra!
Reportagem no programa Biosfera da RTP2, ao projecto nacional Limpar Portugal





