terça-feira, 23 de março de 2010

Iniciativa "Limpar Portugal" na minha terra...


No sábado passado, dia 20 de Março, apesar da chuva, foi um dia promissor: Limpámos Portugal.

Por todo o país foram mais de 100 mil voluntários a limpar mais de 11 mil lixeiras.

É triste vermos um país tão lindo, ficar tão poluído e abandonado.

Apesar da ideia ter surgido à 2 anos na Estónia, três anos depois, o conceito já pôs perto de 200 mil pessoas a limpar três países, um destes Portugal no sábado passado.

O Projecto Limpar Portugal é um movimento cívico que pretendeu, através da participação voluntária de pessoas particulares e de entidades privadas e públicas, promover a educação ambiental e reflectir sobre a problemática do lixo, do desperdício, do ciclo dos materiais e do crescimento sustentável, por intermédio da iniciativa de limpar a floresta portuguesa.

No nosso caso, limpámos o nosso concelho, onde fizemos o pleno: Todas as 8 Freguesias estiveram envolvidas, num total de mais de 300 voluntários.

A chuva que caiu constantemente ao longo da manhã não demoveu os participantes e assim pelas 8H45 da manhã lá estávamos todos nos respectivos pontos de encontro a recolher luvas, coletes, sacos e coordenadas para depois, em caravana, colocarmos “mãos à obra”.

Foi bom ver famílias inteiras a participar nesta iniciativa pois só assim se dá o exemplo e se educam as futuras gerações na defesa do meio ambiente.
Aliás, foram essas mesmas “futuras gerações” que marcaram, definitivamente o dia de sábado passado.

Eram a maioria e foi bom vê-los trabalhar na natureza, para a natureza.

Existiu no meu grupo uma adolescente que dizia: “E se fizéssemos isto mais vezes por ano?”

Na sua algo ingénua afirmação existe muita sabedoria. Pena é que não a coloquemos em prática mais vezes, não no sentido de agir sobre um mal feito mas próactivamente, não sujando.

O balanço total da acção ainda não é conhecido mas penso que o objectivo da sensibilização já foi alcançado.

Tal como eu, muitas pessoas não faziam ideia do que iam encontrar dentro das matas. No sábado sentiram que o problema existe. E, ao contrário do que se possa pensar, não é nos resíduos deixados após um piquenique que reside o principal problema. Há muito lixo industrial, monos e entulhos das obras caseiras.

Fazemos parte da natureza, única, bela e sensível. E o que temos feito por ela, pelo nosso ambiente, por nós mesmos? Porcaria, simplesmente.

Só pode ser por desconhecimento ou falta de civismo mas, infelizmente creio que é este ultimo a imperar.

Esta iniciativa não foi perfeita. Muita coisa ficou por fazer. No entanto, teve todo o mérito e vale pelo esforço de cidadania demonstrado. Agora é esperar que o civismo impere e que as autoridades competentes façam o seu trabalho.

Se todos colaborarmos será mais fácil atingir os objectivos a que nos propomos. Sei que neste país é difícil fazer acontecer mas não fizermos nada é bem pior.

Gostamos de criticar tudo e todos mas não nos apercebemos que é agindo, fazendo diferente que se conseguem obter resultados, muitas vezes surpreendentes. Sábado passado foi um dos exemplos disso mesmo.

Seria bom que não houvesse necessidade deste dia. Seria bom que ele não se repetisse.

O mais importante agora é não sujar Portugal, para que, no futuro, não seja preciso organizar mais uma acção para limpar Portugal.

Sei que é utopia mas se não sonharmos com dias melhores, o que nos resta?

O que posso dizer é que no sábado cheguei a casa com um ar de grande satisfação. Foi bom, muito bom, verificar que há tanta gente, de todas as idades, preocupados com o ambiente e empenhados na sua conservação.



Que este dia tenha servido de exemplo a quem se maltrata a si mesmo, maltratando a natureza.

Os bons exemplos são muito necessários e muito bem-vindos!

Adorei colaborar!

Senti-me útil e fiquei com a certeza que, quando o Homem quer, a natureza vive.

Os meus parabéns ao principal mentor e obreiro deste Projecto a nível do Concelho e Distrito: O Prof. Mário Júlio Reis, que muito trabalho deve ter tido.

Bem hajam a todos os que colaboraram

Bem haja quem limpa, quem protege, quem preserva!

Para o nosso bem, para o bem da nossa Terra!

Reportagem no programa Biosfera da RTP2, ao projecto nacional Limpar Portugal

domingo, 21 de março de 2010

E de repende se faz poesia...

Hoje comemora-se o dia mundial da Poesia, exactamente no mesmo dia em que começa a Primavera.

Florbela Espanca dizia:" Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder...para me encontrar..."

Digam lá se estes dois momentos não se conjugam em perfeita harmonia?

A Primavera a chegar, qual musa inspiradora e, de repente, se faz poesia...

Estive a ver a origem da palavra poesia.
Vem do grego poieo, que significa: fazer, criar, fabricar, executar, agir, ser eficaz, conseguir e compor poema. Mas, considerando um significado mais subjectivo, podemos dizer que a poesia engrandece a alma e expressa sentimentos. É algo tão especial que precisa de um dia, também especial, para ser comemorado.

Poesia é um mundo de emoções que fervilha no interior de cada um.

Federico Garcia Lorca dizia que "Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas" e penso que tinha razão.

Desta forma, decidi comemorar este dia escolhendo um poema que tenta decifrar um pouco do "mistério" maravilhoso da chegada da Primavera.

ANUNCIAÇÃO

Surdo murmúrio do rio,
a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.
                                                         Miguel Torga

quinta-feira, 18 de março de 2010

Para reflectir...

Nos dias de hoje passamos o tempo a ouvir "desgraças" como se de um filme se tratasse.

Cada um de nós a lidar com o dia-a-dia sem olhar para o lado e sem reflectir no que se passa à nossa volta.

Cada vez mais se dá importância ao assessório e não ao essencial. Cada vez nos tornamos mais insensíveis e menos solidários.

O "suicidio" moral da humanidade a esquecer a ética para passar à "estética"...

Que cada um tire as suas proprias conclusões deste vídeo, que bem poderia ser um documentário muito representativo sobre aquilo em que nos tornámos.

Clica no link: A fotografia

terça-feira, 16 de março de 2010

Nós e o Sol

Este fim-de-semana fui passear até ao Alentejo de que tanto gosto.

Já não saia à algum tempo pois o mesmo não estava a ser amigo de quem gosta de passear como eu.

Foi muito agradável voltar a fazê-lo e sentir o calor que só a magia do sol nos pode transmitir. Daí ter começado a pensar nele e em como é importante nas nossas vidas.

Desde os tempos primitivos que o sol sempre foi adorado como um Deus. Os tempos evoluíram mas nem por isso o sol deixou de ser menos maravilhoso.
Não vou falar da importância dos seus aspectos químicos. De que o sol é essencial para todas as coisas vivas e para o bom funcionamento do planeta. Isso já todos nós sabemos.

Quero falar antes no quanto ele influi no nosso bem estar.

Falo por mim, mas o tempo tem influência directa na minha disposição e depois de um Inverno rigoroso como há muito não se via, sabe muito bem voltar a vê-lo e a senti-lo.
Isso acontece porque o clima, a luz do dia têm a capacidade de influenciar o estado de espírito das pessoas.

Já repararam como na Primavera e no Verão há mais bom humor no ar e, no Inverno, mais introspecção?

Todas as estações têm a sua magia mas os dias de luz transmitem-nos muito mais do que imaginamos.

Além das reacções químicas positivas que a presença do sol traz para o organismo, são os benefícios psicológicos que mexem mais connosco. Nos meses e estações onde os dias são mais quentes, iluminados e longos, existe algo no ar que nos convida a sair e interagir.

Ficamos mais bem humorados e com mais energia.
Da mais simples ameba à mente de um Shakespeare ou de um Einstein, toda a vida é fruto da força que emana do sol e que saudades eu tinha já dele.

Sejamos como o sol
que não usa nenhuma recompensa,
não espera lucros, nem elogios, nem fama
Simplesmente BRILHA!!!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia internacional da Mulher

Hoje de manhã, quando estava a caminho do trabalho estava a pensar se haveria de escrever ou não um post sobre este tema.

Não sou grande apologista de dias específicos para o que quer que seja. No entanto, ao ouvir na rádio que, no ocidente, as mulheres ainda trabalham mais 16 horas por dia que os homens e que, por norma, ainda ganham 30% abaixo destes não pude ficar indiferente.

É incrível como em pleno séc. XXI isto ainda se passa. E não estou a falar noutras culturas em que a mulher não é mais do que simples mercadoria e onde as diferenças são avassaladoramente trágicas.

Assim, e apesar de achar que o dia da Mulher deveria ser todos os dias, também acho que enquanto existirem desigualdades, maus tratos e discriminação ainda faz sentido este dia. Por isso aqui vos deixo um poema em jeito de homenagem a todas as Mulheres...

PARA TI, MULHER

Levanta-te e luta,
Não te conformes.
Levanta-te e luta,
Não te rebaixes.
Levanta-te e luta
Não te menosprezes.
Levanta-te e luta,
Caminha a meu lado.
Daremos as mãos.
Uniremos forças
E, juntas, então
Qual força imparável
Que sabe o que quer
Mostramos ao mundo
o que é ser mulher!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cultura dos sem vergonha...

Foi com revolta e alguma repulsa que vi anunciado pelo Ministério da Cultura, na pessoa da Ministra Gabriela Canavilhas, a criação de uma secção dedicada à tauromaquia.

As sociedades modernas tendem a tornar-se cada vez mais civilizadas, abolindo, gradualmente, práticas medievais que as envergonham perante si próprias e perante o mundo, e cujo lugar deve apenas pertencer ao passado pelo que é lamentável esta atitude.

Independentemente dos prazeres pessoais de cada cidadão, que, obviamente, tem todo o direito de apreciar o que quer que apreciem, o facto é que, a sociedade não pode, nem deve, a bem da evolução civilizacional e moral, considerar aceitáveis, muito menos oficializar, práticas que impliquem a exploração e/ou sofrimento de quem não se pode representar a si próprio nem escolher participar nelas.

Em pleno século XXI chega a ser ofensivo discutir-se o sofrimento dos outros animais (que não os humanos).

Uma coisa é gostar e defender o que se gosta. Isso até aceito. Outra coisa é negar um facto evidente que é sofrimento alheio.

Quem é a favor desta prática medieval fala muito na tradição. Eu gosto das tradições mas existem algumas que não fazem sentido. Esta é uma delas.

No tempo dos romanos também era uma festa, uma tradição os espectáculos dos gladiadores e o assassinato de pessoas na arena e deixou de ser. Porque terá sido? Talvez porque infringia dor e morte, não? Esse devia ser o principio.

Os defensores das touradas alegam que se não fossem as touradas, os touros desapareceriam. No entanto, o argumento é tão fraco como ridículo.

Obviamente que, na eventualidade de se quererem manter estes animais seria perfeitamente possível mantê-los em regime de santuário, protegendo-os como acontece com tantos outros animais em vias de extinção.

Depois, em jeito de fuga dizem: Deviam preocupar-se com coisas mais importantes do que esta mas pergunto: Existem graus de importância? Estabelecidos por quem?

Porque temos de escolher um tema em detrimento de outro? oorque não lutar por ambas as causas, sejam elas quais forem, desde que acreditemos nelas?

Nem sempre o que é considerado legal (do ponto de vista do Direito) é moralmente admissível. A História tem-nos mostrado inúmeros bárbaros costumes, que estavam perfeitamente legalizados, e que se foram tornando ilegais, à medida que fomos evoluindo intelectual e moralmente.

Infelizmente, as vítimas da tauromaquia são silenciosas; não podem falar do que sentem, e, assim, comprovar a veracidade dos argumentos dos seus defensores. Todavia, os referidos defensores podem e devem, fazê-lo.

Não é incomum verem-se milhares de pessoas na rua, a manifestarem-se; Não é incomum ouvirem-se, na televisão e na rádio, intervenções de cidadãos indignados; Não é incomum lerem-se, na imprensa escrita, artigos de opinião e cartas de leitores. O que é incomum é verem-se similares declarações acontecerem em defesa dos interesses de outros, que não nós próprios.

Sou ribatejana e não me acho fundamentalista. No entanto, a tudo o que inflija dor, digo não obrigado.

Para mim, as touradas deviam acabar e acho prepotente da parte do governo designá-la como cultura pelo que me, na falta de outro poder, me acho no direito de manifestar a minha repulsa por esta atitude.

Fui ao dicionário ler a definição de cultura.

Cultura refere-se a crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identificam uma sociedade num determinado período. É o reflexo do desenvolvimento da humanidade.

Se assim é, que mau exemplo a nossa sociedade está a dar ao mundo e que pouco evoluídos estamos.

A tauromaquia é uma actividade de culto do sangue e da violência sobre os animais. Só os motivos económicos ganham na luta de ódio em que o Homem tem a cobardia de exercer sobre os animais.

Em toda a História da Humanidade sempre existiram tradições, cultos e crenças cruéis. Não devemos persistir no erro da manutenção de tradições retrógradas e sangrentas.

O ser humano é incrível pelo bem que faz mas também pelo mal que inflige e sabemos que muitas vezes não respeitam os direitos dos seus semelhantes, quanto mais dos outros seres vivos. No entanto, é necessário que esta situação se altere. Já se conquistou alguma coisa mas ainda não o suficiente pelo que não devemos manter-nos em silêncio.

O silêncio é conivente e mata em muitas situações.

Assinamos petições contra, revoltamo-nos mas parece que tudo que se faz parece pouco perante a força dos interesses económicos e menos claros de certos poderes.

Todos os argumentos são necessários pelo que vos deixo mais alguns: 10 argumentos para não se ir ver Touradas.

Sei que é um tema que gera polémica mas se calhar é disso mesmo que a nossa sociedade precisa, para agitar as consciências nos dias de hoje tão adormecidas.

Eu digo sim à Cultura como forma de dignificação da vida. Não à cultura da morte e dos sem vergonha...

Abraham Lincoln disse um dia "Eu sou a favor dos direitos animais bem como dos direitos humanos. Essa é a proposta de um ser humano integral."

Todos nós devíamos pensar no sentido que esta grande frase encerra.

Deixo-vos aqui dois artigos que acho muito bons e que reflectem bem o que penso desta atitude do governo:
"Viva la muerte" de Manuel António Pina no JN
"Morrer como um touro" de Paulo Varela Gomes no público