quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Desejos para o ano novo...

Nascer… a coisa mais importante que acontece a cada um de nós… o momento de sair da escuridão e enfrentar o mundo.

Também o nascimento de um novo ano é um ritual de passagem… para o futuro, para o desconhecido, para a esperança de dias melhores.

Festas, alegrias, surpresas, esperanças… o que representa para cada um de nós o início de mais um ano?

O que esperamos de cada um quando começa o ano?
Tudo igual?
Tudo diferente?
Tudo melhor?

Apesar de eu não estar muito optimista no que diz respeito a este novo ano que está a chegar tenho sempre a esperança que as coisas corram bem e é a este sentimento de esperança que, no fundo, todos nos agarramos nos breves momentos que separam o velho do novo ano: Um novo desejo, uma nova oportunidade, um novo recomeço.

A cada dia de nossa vida, aprendemos com os nossos erros ou com as nossas vitórias. Mas o importante é saber que todos os dias vivemos algo novo.

Que o novo ano que se inicia, possamos viver intensamente cada momento com muita paz e esperança e, acima de tudo, muita saúde.

Estes são os meus votos para todos: BOAS ENTRADAS E FELIZ ANO DE 2010!

"Para sonhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre."

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Reflexão de natal

É quase Natal e pensamos que seria justo, pelo menos nesta altura do ano estar toda a gente feliz... mas não é mesmo nada assim.

Muita, mas mesmo muitas pessoas, nesta altura do ano sofrem ainda mais a agonia da solidão... do querer dar algo especial aos filhos e nem sequer ter o que colocar na mesa... da agonia da doença e sofrer junto com a familia... da ausência de entes queridos...

E PORQUÊ???

Nestas alturas não consigo deixar de pensar nisso... ou desejar que esta minha realidade nunca mude... de poder estar proxima das pessoas que amo, ver a alegria de ter comida na mesa e a magia no olhar do meu filho ao abrir os presentes... da tranquilidade e paz de espirito que isso representa...

Acho que só isso bastava a tanta gente para ser feliz!!!!

Tal como as uvas vindimadas que nos nossos campos descansam agora, enquanto se transformam em algo ainda mais precisoso também cada um de nós deve, por momentos, parar e reflectir para que se faça desta a época da serenidade e da redenção e que possamos todos amanhecer renovados, fortalecidos e solidários.

Que neste tempo de amizade e família mas também de renascimento e confiança no futuro, possamos todos encontrar a tranquilidade e a esperança que nos levarão mais além no caminho do progresso e do bem estar.

É isso que desejo a todos...

UM FELIZ NATAL, cheio de momentos mágicos junto dos que mais amam E PRÓSPERO ANO NOVO com muita saúde e boa disposição!
QUE O CALOR DA AMIZADE NOS AQUEÇA A TODOS NESTES DIAS TÃO FRIOS!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Estrela de Natal

Euphorbia pulcherrima, baptizada de poinsétia, mas também conhecida por estrela-do-natal ou cardeal, é a planta da época.

Encontramo-la na primeira fila das montras ou em versão plástica nas lojas dos 300... Afinal, é mais uma invenção americana que invadiu os nossos Natais.

Apesar desta situação, não deixa de ser uma bonita planta.

A poinsétia que conhecemos hoje é descendente de um arbusto nativo do México e da América Central, onde crescia espontaneamente. Os aztecas utilizavam-na bastante.

Era utilizada para a produção de tintas usadas na cosmética, para tingir tecidos e a sua seiva para a produção de medicamentos contra a febre. Hoje ainda se utiliza as poinsétias esbranquiçadas, para a produção de cremes depilatórios.

No século XVII, esta planta começa a ter um significado natalício, quando uns frades franciscanos a utilizam numa procissão de Natal e quando são associadas, pela sua forma, à "estrela de Belém". Há poinsétias laranjas, verde pálido, marmoradas , salpicadas, vermelhas, rosas...

Em 1828, Joel Roberts Poinsett - o primeiro embaixador americano no México e famoso botânico - descobriu esta planta numa das suas saídas de campo. Impressionado com a sua beleza e cor, Poinsett recolheu algumas estacas da planta que enviou para as suas estufas na Carolina do Sul. Alguns anos mais tarde, a euphorbia pulcherrima era baptizada de poinsétia em honra do responsável pelo seu achamento.

A sua difusão e comercialização enquanto planta de interior deve-se a Paul Ecke, um floricultor da Califórnia. Ao reparar que a sua floração coincidia com a época natalícia, imediatamente transformou a poinsétia num dos símbolos do Natal.

Várias espécies foram desenvolvidas e reduzidas para poderem ser usadas como plantas de interior. A Paul Ecke devem-se também as variedades mais conhecidas.

As poinsétias são plantas que requerem imensos cuidados. Para "florirem" (ou seja, para que os seus botões e brácteas se formem) a tempo do Natal, as plantas devem ser sujeitas a um tratamento de luz que dura cerca de oito semanas. A partir do primeiro dia de Outubro, devem estar na total escuridão durante 14 horas por noite para que as suas folhas se transformem.

Mas...não é só beleza, também têm algum perigo... a sua seiva leitosa em contacto com a pele e mucosas provoca inflamações, dor e comichão, também pode irritar os olhos, a sua ingestão causa náuseas, vómitos e diarreia...mas não provoca a morte, como dizem (só se for ingerido grandes quantidades).

Sabem...o que parecem ser pétalas das flores, são brácteas, folhas modificadas que têm a função de proteger as flores verdadeiras que são as pequeninas que se encontram no centro da planta.

Conta a lenda mexicana...que uma menina de nome Pepita, não sabia o que oferecer ao Menino Jesus na missa do Natal. Expõe assim o seu problema ao seu primo Pedro, que a acompanha a caminho da Igreja. Pedro consola Pepita, e diz que aos olhos de Deus, não importa o valor da oferta, o que interessa é a intenção. Pepita vai colhendo plantas no caminho...quando chega à Igreja, vê a pobreza da sua oferta e chora... mas mesmo assim oferece as plantas. Então frente a toda a congregação reunida no templo, as folhas dos ramos ficam tingidas de uma cor brilhante e vermelha. O povo fica espantado e declara o acontecimento como um milagre.

É interessante conhecer as histórias por detrás das coisas, não acham? Faz-nos vê-las de uma outra forma. Foi o que me aconteceu com esta Estrela de Natal!




segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Existe amizade virtual ou simplesmente amizade?


Hoje acordei a pensar nos amigos.

Amigos estes que não vejo muitas vezes... mas que os sinto.

Penso que este meu sentir foi resultado de uma tarde bem passada que tive à uns dias com umas amigas que "conheci" virtualmente e que foi muito boa.

Aquelas horas que estivemos juntas pareceram apenas minutos tal era a sintonia.

Nestas coisas ou existe o click, aquela coisa kármica que nos une ou nada feito. Eu tenho tido sorte.

Isto fez-me pensar no que é a amizade virtual e no que ela encerra.

Existirá mesmo amizade virtual ou é simplesmente amizade?

Conhecer pessoas novas está cada vez mais fácil. As novas tecnologias facilitam a nossa ligação com outras pessoas sem termos que estar ao lado delas fisicamente.

Estamos cansados de saber que isso trás os seus perigos, nem tudo o que parece é. Eu vou sempre com cautela. No entanto, também acredito que, apesar de todos esses perigos, existem amizades reais que tiveram início na Internet. Eu sou um exemplo disso mesmo.

Vou-vos contar duas histórias que se passaram comigo e que comprovam o que tenho estado a dizer.

Ainda longe do tempo da tecnologia existia uma coisa a que chamávamos de "penfriends". Não sei se já ouviram falar.

Era uma rede internacional de amizade onde as pessoas podiam trocar correspondência, normalmente através de carta, onde nos dávamos a conhecer.

Sempre adorei escrever e sempre tive muitos "penfriends" e de várias nacionalidades. Adorava ir à caixa de correio ver se tinha carta. Era uma alegria.

Existiram aqueles de quem nunca mais tive notícias mas outros com quem ainda falo hoje.

Tenho um amigo em particular que "conheci" com apenas 15 anos. É brasileiro e chama-se Marco.

A nossa amizade já cresceu para além do virtual mas foi ele que nos deu a conhecer.

Já passaram mais de 15 anos desde o nosso 1.º Encontro mas passados todos estes anos, nunca perdemos o contacto.

A amizade é assim, mesmo com a distância, deve-se regar, tal qual como uma flor.

Outro caso foi de uma amiga que conheci através de uma troca de mails relativamente à adopção de um cão, como sabem uma das minhas paixões.

A coisa foi crescendo de tal forma que hoje somos boas amigas e visita de casa uma da outra mesmo apesar das distâncias.

Algumas amizades tornaram-se tão fortes, que praticamente ninguém acredita que tenham surgido virtualmente.

Conheço pessoais "virtuais" com quem tenho mais proximidade do que com outros amigos com quem convivo socialmente. Estranho, não é?

Mas volto à mesma pergunta: Existirá mesmo amizade virtual?

A amizade não é um sentimento real que temos e que vai crescendo à medida em que vamos travando conhecimento com alguém?
O que importa que seja através de um computador?

Sei que as pessoas nem sempre são o que dizem ser mas acredito que a maior parte delas é sincera.

Acredito que existam "pessoas" do outro lado do ecrã do computador, mesmo que nunca as tenha visto, mesmo que nunca lhes tenha escutado o som da voz.

Pessoas com problemas ou não, alegrias ou tristezas, felizes ou desesperadas, mas com algo em comum: sentimentos reais!

Claro que a amizade, ao crescer, nos faz querer mais mas, neste ponto o que realmente vejo, é que não importa se é virtual ou real, as pessoas são sempre iguais nas suas idas e vindas ou com suas breves passagens em nossa vida.

Existe de tudo nestes amigos e cada um tem as suas características. Uns são mais alegres, outros mais sérios, outros mais confidentes mas, acima de tudo, não deixam de ser amigos.

É para mim um prazer receber aquela mensagem, aquele abraço... mesmo que virtual.

Por trás de um ecrã frio, existe o envolvimento, as emoções e a esperança do (re)encontro.

Chamem-me ingénua, sonhadora, o que quiserem. Mas as experiências que até agora tive levam-me neste sentido.

A Internet, mesmo com os seus perigos, permitem-nos conhecer pessoas extraordinárias que, de outra forma não seria possível e, nem que seja só por isso, vale a pena.

Podem deixar de ser só amizades virtuais. Ou então, nunca deixar de o ser. No entanto, nunca deixam de ser amizades.

Para tentar perceber ainda mais esta questão fui até ao dicionário.

Virtual: do Lat. virtus, adj., existe como faculdade, mas sem exercício ou efeito; potencial; possível; suscetível de se exercer ou realizar.
Amizade: do Lat. amicitate, s. f., quer dizer afeição; amor; boas relações; laço cordial; dedicação; benevolência.

Pela análise dos dois termos, poderíamos definir amizade virtual como uma relação afectuosa que ainda não se efectivou. Mas será isto totalmente verdade? Não acredito.

As minhas amizades virtuais são tão efectivas como este teclado em que escrevo neste momento estas palavras e tão afectivas como qualquer uma das minhas amizades. Este é um típico caso em que o idioma não expressa com exactidão a realidade.

Amigos são amigos em qualquer lugar. Em casa, na faculdade, no trabalho, não importa. Uma verdadeira amizade não tem hora nem lugar para começar.

Essa amizade que começa em frente ao frio ecrã de um computador se conservada, cresce. E dá início a uma intensa troca de calor. Até que chega um momento em que devemos trazê-la para o mundo real. E aquele amigo de mensagens mostra-se não só mais um amigo mas, muitas vezes, o amigo ideal.

Sinto que vocês, meus amigos virtuais ou não, fazem parte do meu mundo real e quero que continuem nele. Porque vocês são, para mim, realmente muito especiais.


Pode ser que um dia deixemos de nos falar.
Mas, enquanto houver amizade,
faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe.
Mas, se a amizade permanecer,
um do outro há de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos.
Mas, se formos amigos de verdade,
a amizade nos reaproximará
Pode ser que um dia não mais existamos.
Mas, se ainda sobrar amizade,
nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe.
Mas, com a amizade
construiremos tudo novamente,
cada vez de forma diferente,
sendo único e inesquecível cada momento
que juntos viveremos e nos
lembraremos para sempre.

Albert Einstein

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Uma imagem de nós mesmos

Todos nós, em algum momento da nossa vida, pensamos que temos a razão do nosso lado e que os outros é que não nos entendem.

Se temos razão algumas vezes, noutras isso não acontece.

Temos muita dificuldade em aceitar os nossos erros, os nossos defeitos. No entanto, raramente perdoamos os erros dos outros.

Esta foto de Gilberto de Nucci descreve como nenhuma outra este nosso comportamento.

Segundo ele, os Homens caminham pela terra em fila indiana, cada um carregando uma mochila à frente e outra atrás.

Na mochila da frente, colocamos as nossas qualidades, as nossas conquistas.
Na de trás, guardamos todos os nossos defeitos.

Por isso, durante a jornada da vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuimos, presas ao nosso peito e ao mesmo tempo reparamos impiedosamente, nas costas do companheiro que está à nossa frente e em todos os defeitos que possui.

Nesse momento julgamo-nos melhores do que ele, sem perceber que a pessoa atrás de nós está a pensar a mesma coisa a nosso respeito.

Interessante, não acham?

Em que lugar vamos nós nesta fila?

Vale a pena pensar nisto.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Um gesto pode fazer a diferença - A história da Esperança

Quem me conhece sabe o quanto gosto de animais, gosto tanto que me dói senti-los tristes ou a passar dificuldades.

Tento sempre ajudar e participo em imensas campanhas a favor deles mas parece que toda a ajuda é pouca. Depois nunca me envolvi directamente; suponho que me pretendo salvaguardar de mim mesma, talvez.

De vez em quando aparecem na Empresa onde trabalho animais abandonados.

Dou-lhes comida sempre que posso e um carinho mas é dificil fazer muito mais do que isso. No entanto, no dia 16/11 tudo mudou.

Uma cadela preta, magra e linda apareceu.

Para além do seu estado, foi o seu olhar triste que me tocou e, devo dizer, me conquistou.

Devia ter sido abandonada à pouco tempo pois o seu estado geral não era dos piores.

Era tão doce e meiga que me encantou.

Todos os dias saudava a minha chegada ao trabalho com uma alegria e doçura tão grandes e tão sinceras que me enchiam o dia de felicidade.

Aos poucos fomo-nos habituando à companhia uma da outra e passou a acompanhar-me ao restaurante, à hora de almoço e até ao carro quando acabava o trabalho.

A minha angustia aumentava à medida que os dias passavam.

Ela ficava a ver-me partir e o frio e as noites eram um perigo para ela.

Tirei-lhe fotos e coloquei um pedido de adopção, embora sabendo quão dificil era obter um resultado positivo.

Resolvi dar-lhe um nome: Esperança, pois era a isso que eu me agarrava.

A sorte sorriu às duas: Surgiu uma familia de adopção.

Embora apreensiva, fiquei feliz.

A solidariedade entre os amigos dos animais é forte e forma uma cadeia que nos permite fazer algo de positivo por animais que, infelizmente, são alvo de abandono e da crueldade de quem, por definição, deveria ser racional e humano.

Após confirmação de que era um bom adoptante resolvi avançar.

Com medo que lhe acontecesse algo de mal, agora que estava tão perto de voltar a ser feliz, resolvi levá-la para minha casa.

Levei-a ao veterinário e após o seu estado confirmado saiu de lá desparasitada e com várias recomendações médicas a seguir.

Não me cabia a mim fazê-lo mas fi-lo de boa vontade.

Quando chegámos a casa, o encontro com o Tomás, o meu lindo e terno amigo canino, foi agitado.


Nada de grave. Aconteceu. Mas a Esperança estava desconfiada e o Tomás não me queria partilhar com uma desconhecida.

Bastaram 24H para tudo mudar.


Começaram a brincar e já estavam contentes na companhia um do outro.

O tempo cura muita coisa e com a adopção não é diferente.

Durante todo o ultimo dia que estive com ela em casa senti-me feliz mas quando a noite caiu, também a tristeza apareceu no meu coração.

Adorava ficar com ela mas... quem me dera poder partilhar o meu amor com os animais com quem partilho o resto; quem me dera...

Sei, no entanto, que a esperança vai ter um bom dono e que não volta a ser abandonada. Porque me sentia, então, tão triste?

Sentei-me no degrau na entrada da minha casa com o meu Tomás e a Esperança.

Foram momentos únicos em comunhão plena de sentimentos e carinho.

Seria tão fácil fazer-nos felizes; bastava um "sim" nada mais. E no entanto...

No fim-de-semana fui levá-la ao seu novo dono. Estava cheia de presentes que lhe tinha comprado: Uma caminha nova, goluseimas para além do bonito laçarote vermelho que lhe coloquei. Estava uma menina linda...

Durante todo o trajecto pensei: Será que vai ser feliz com ele? Será que vai ser tão amada como seria se fosse minha?

Será que... A incerteza equivale à angustia e esta é sempre indesejável.

Deveria sentir-me feliz e, no entanto...

Nunca me senti tão bem como naquele momento nem tão triste. Que ambiguidade...

Mas depois, pensei na quantidade de animais que, infelizmente, não tiveram nem nunca virão a ter a sorte da Esperança e ganhei novamente um novo alento.
Espero poder visitá-la para matar saudades e lhe dar miminhos; Mesmo tendo outro dono ela será sempre um pouco minha.

Confesso que foi um processo desgastante a nível psicológico e que fez crescer em mim, ainda mais, o respeito e a admiração, por todos os voluntários que, diariamente contra tudo e contra todos, lutam por lhes dar algum amor e dignidade.

Mudei a vida da Esperança mas ela também mudou a minha e nunca a vou esquecer por isso. Os animais têm esse poder extraordinário e ajudam-nos a tornar-nos pessoas melhores e mais solidárias com os nossos semelhantes e com os outros seres.
Quem não gosta de animais e os maltrata não pode ser boa pessoa.

Se esta foi um história feliz a realidade está, infelizmente, bem longe disso.

Enquanto isso acontecer nunca vou ser totalmente feliz.

Mas a Esperança está sempre com quem ajuda os animais. E um gesto pode fazer toda a diferença.

Não se pode chegar a todos mas pode-se ajudar… um de cada vez…

Teremos sempre a esperança de que, um dia, as "esperanças" por esse país fora tenham um lar com muito amor e respeito. É tudo o que eles pedem e tudo o que eles tanto merecem.


"Chegará o dia em que o Homem conhecerá o íntimo dos animais. E, nesse dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade."
Leonardo da Vinci


AJUDE! DIGA NÃO AO ABANDONO E AOS MAUS TRATOS

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Esperança

Todos sabem o quando gosto de animais e de como me aflige vê-los sofrer.

Sabemos que diáriamente, por todo o mundo, existem pessoas que sofrem, animais que sofrem mas geralmente, é o que nos bate directamente à porta o que nos comove mais.

Sabemos que não devia ser assim mas infelizmente é uma realidade incontornável e com a qual temos de aprender a viver.

Eu como sonhadora que ainda sou, tento sempre ajudar dentro das minhas possibilidades. Participo em campanhas de todo o género e que me inspiram confiança mas a minha ajuda parece sempre ser muito pouca.

Hoje o meu pensamento esteve sempre preenchido por uma cadelinha linda que está na rua e a quem estou a tentar ajudar dando-lhe comida e afecto. Dei-lhe o nome de Esperança porque é disso mesmo que se trata. Esperança de dias melhores para este ser meigo e afectuoso que só pede carinho e um cantinho para estar.

Isso fez-me reflectir sobre o que é ter Esperança.
É dela que precisamos para ganhar forças e continuar a nossa luta diária de vida.

Ter esperança é ter a fé sempre muito viva dentro de nós.
E que apesar das agruras da vida, podermos ter confiança que coisas boas vão acontecer.
É ter coragem para lutar e vencer todos os obstáculos.
É acreditar que tudo é possível e que nada é o fim...
Ela é, no fundo, a nossa energia e a mola propulsora para o nosso dia a dia.

Não devemos ficar somente agarrados a ela. Devemos usá-la para avançar porque ela é vida, ela é... esperança!


Esperança é um bichinho
um bichinho insistente
a gente quase nem percebe
não percebe, mas sente

Esperança chega suave
roça a pele, acarinha
e feito criança em colo de mãe
a gente se esconde e se aninha

Esperança pode quase tudo
revira, redescobre, reinventa
e a gente acredita de novo
a alma renasce, sedenta

Esperança é arco-íris
cor intensa, maravilhosa
de um dia pro outro
vai do cinza ao cor-de-rosa

Esperança leva adiante
reanima, alimenta
dói de vez em quando
mas o coração aguenta

Esperança, vem ao meu lado
quero-te todos os dias
pega na minha mão, divide comigo
tanta dor, tanta alegria.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Alentejo

Este fim-de-semana fui até ao Alentejo. Foram apenas 2 dias mas com o encanto de muitos mais.

"Vamos lá saindo por esses campos fora, que a manhã vem vindo nos lábios da aurora" .

Esta é uma frase que espelha muito bem o espírito do amanhecer no Alentejo. Terra de gente trabalhadora, acolhedora e simples.

É uma região pobre e seca e sei que existem por este nosso país fora outras paisagens bem mais atraentes e verdejantes mas o Alentejo tem uma mística difícil de explicar. Só quem a conhece e sente o seu pulsar, as suas tradições sabe do que estou a falar…

Sempre que lá vou sinto-me bem. As suas paisagens transmitem-me tranquilidade e as suas gentes conforto.

Miguel Torga cantou-o como ninguém. Deixo-vos aqui o seu sentir… tão parecido com o meu…

A lua que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O homem das castanhas

Se existe tradição de que gosto é este nosso hábito bem português de comer castanhas por altura do S. Martinho. É quase como que o sentir de toda uma cultura. Uma delícia!


Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono,à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.

É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.
Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.

José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O encanto do Outono


Apesar de gostar mais do tempo solarengo, uma das coisas de que mais gosto é de sentir as estações do ano mudarem.

É bom sentir que a natureza segue o seu percurso. Depois, cada estação tem o seu encanto.

Com o Outono começam o cair das primeiras folhas, as primeiras chuvas. Há um cheiro a terra molhada no ar. E não existe nada melhor do que aproveitar esses momentos.

O mar fica revolto e as praias vazias. As noites começam a ficar frias e voltamos a precisar de um cobertor na cama.

Os dias tornam-se mais pequenos mas também mais serenos. As pessoas começam a acender as suas lareiras. Comem-se as castanhas assadas.

Gosto das cores cálidas do Outono.

Adoro sentir as folhas secas espalhadas pelas ruas e estalando debaixo dos meus pés, delicio-me com o cheiro a terra molhada e com os silêncios próprios da estação.

São pequenos nadas que me enchem de alegria e que sabem tão bem…

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Paz interior


A paz interior é o caminho que queremos todos atravessar.

É essa senda onde as culpas ficaram para trás, o sentimento de dever cumprido fica presente e o arco-íris aponta para o infinito.

Buscamos todos, com vontade, força e luta constante. No entanto somos muito desajeitados nesta nossa busca, por vezes tão simples.

Há uns dias li um livro sobre culturas orientais que dizia:

"O caminho para conseguir a paz interior reside em acabar as coisas que começamos."

Depois e um longo período de reflexão pensei: Pode ser que seja verdade.

Olhei em meu redor vi todas as coisas que tinha iniciado e continuavam inacabadas... e assim pus mãos à obra e terminei-as.

Nem imaginam como me senti melhor!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Animais nossos amigos

Como referi no meu post anterior, o encontro de sábado foi um espectáculo. Foi bom rever quem já conhecia, conhecer quem não conhecia e criar alguns laços que ficarão de certo para toda a vida!

Tudo o que possa escrever é pouco para descrever este encontro mas houve alguém que o soube fazer melhor do que ninguém.

Pegando no mote da canção "Os animais são nossos amigos", não poderia terminar este assinalar de futuras memórias sem vos deixar o poema que foi escrito pelo Vicktor e citado durante o almoço. Muito obrigado Vicktor.

Fiz uma pequena montagem que me parece estar à altura do mesmo. Espero que gostem.

É um poema lindo, como só ele sabe fazer, e que expressa muito bem o que sentimos pelos animais e o que eles representam para nós.

A realidade foi muito para além do sonho

O dia 24 de Outubro de 2009 foi um dia inesquecível e vai ficar para sempre na minha memória e na de todos os que lá estiveram como se dum sonho bonito se tratasse. No entanto, a realidade do que aconteceu neste dia foi muito para além do sonho.

Um sonho bonito nasceu numa daquelas tardes inspiradas em que o ser humano dá mais um passo na importante caminhada da vida: juntar alguns amigos, unidos pela forte determinação de defender os animais duma sociedade que lhes é hostil, almoçar, conviver e conversar sobre este tema que lhes é querido.

Se o sonho foi um sonho bonito a realidade foi maravilhosa. Quase setenta pessoas responderam ao desafio, uniram esforços e transformaram um suposto encontro de alguns amigos num grande encontro onde a amizade e a solidariedade não só entre os presentes, como especialmente para com os animais que tiveram a magia de os juntar esteve sempre à flor da pele.

Entre os humanos a certeza da razão que os uniu nesta imensa manifestação de querer: a defesa de uma melhor qualidade de vida, duma maior protecção para os animais pois os ANIMAIS SÃO NOSSOS AMIGOS. E a amizade retribui-se com mais amizade ainda.

Mas não ficaram somente por palavras ou por sentires as acções que toda esta gente de boa vontade realizou: unindo esforços, numa grande dádiva pessoal e procurando apoios em quem os poderia dar, conseguiram juntar cerca de 700 quilos de rações (quase uma tonelada) e muitos outros mimos para serem distribuídos por Associações de voluntários que dedicam todos os seus meios, saberes e tempo à defesa e protecção dos animais abandonados.

Apesar de existiram muitas Associações, demasiadas a precisarem de apoio teve de ser efectuado um sorteio e as felizes contempladas foram: A Associação dos Amigos dos Animais Abandonados da Moita, Associação Patas Errantes em Sintra, União Zoófila em Lisboa e a Associação dos Amigos dos Animais de Almada. No entanto, ainda se conseguiu ajudar, embora em doações de menor numero outras 2 ou 3 Associações.

Foi muito gratificante esta conquista e só com a boa vontade de muitos se conseguiu ajudar quem tanto necessita. Isso deixou-nos a todos com um sorriso nos lábios e com o coração e a alma cheios como que a dizer: Missão cumprida!

Muitas horas depois de iniciado este encontro convívio, na hora das despedidas, o coração estava pequeno pela separação que se iria dar, cada um de regresso a suas casas desde o norte ao sul de Portugal, mas os rostos espelhavam felicidades, sorrisos abertos, na certeza de missão cumprida, e no desejo de novo encontro de grande solidariedade para com os animais.

É triste constatar como habitualmente é tão difícil fazer-se qualquer coisa significativa em Portugal. No entanto, este encontro demonstrou que ainda existe esperança pois, e neste caso, mesmo sem apoios da moderação do site pelo qual nos conhecemos, conseguimos levar para a frente um evento que teve um imenso sucesso.

Ficou bem claro no espírito de todos nós de que é imprescindível queremos agir mas também sabemos o quanto o apoio oficial é importante para esta missão e que os políticos deverão urgentemente legislar no sentido de que os animais jamais voltem a ser considerados como coisas tal como o faz a lei actual. Mas também para a defesa da sua vida em condições dignas de um ser vivo.

A organização considerou, e muito bem, ser devido ao esforço e à presença de TODOS o êxito deste evento. O que começou por uma brincadeira transformou-se em algo memorável e que jamais será esquecido.

Quero agradecer a todos a presença mas não posso deixar de agradecer em especial às seguintes pessoas: À Cila (Patanisca) que, comigo, teve a ousadia de iniciar todo este processo e de o levar para a frente, à Maria João (marijonscp) que desde quase o inicio desta aventura nos ajudou de uma forma incansável sendo o 3.º membro da organização de pleno direito, à Paula Cairo (ratolinhas) que deu uma ajuda determinante na questão do transporte e distribuição de donativos, tendo até conseguido ajuda externa à Arca para o fazer, à Mila (Doroteia) que não pôde estar presente no almoço mas que nos deu uma ajuda preciosa no que diz respeito aos crachás e ao Victor (Vicktor) pelo seu extraordinário contributo nas doações e pela sua imensa sensibilidade pelos textos e poema com que nos brindou.

Este foi um trabalho conjunto que, não seria nada se não tivéssemos tido a adesão em massa que tivemos. Por isso, um bem haja para todos. Os animais agradecem!

Beijos,

Sara Louro (CarpemDiem)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

No balanço da música


Estas ultimas semanas tenho tido uns dias stressantes, cheias de trabalho e preocupações, de tal forma, que não tenho tido vontade para mais nada.

No entanto hoje, no regresso a casa ouvi uma musica que adoro mas que não ouvia à muito tempo e isso fez-me sentir bem. Relaxou-me e, por momentos, senti-me em paz e bem disposta.

Isso fez-me ter vontade de escrever sobre ela e sobre o que a música representa para mim.

Eu gosto muito de música.

Convivo com ela diariamente e gosto da sua companhia.

Alguém disse um dia: "Mostre-me um lar em que habite a música e mostrar-lhe-ei um lar, feliz, tranquilo e alegre".

Na verdade, é difícil imaginar que existam lares sem música. Para mim, é uma presença constante e sem ela parece que me falta alguma coisa.

Oiço música a toda a hora, em casa, no carro, no trabalho…

Não havia músicos em minha casa mas sempre se ouviu música, sempre se ouviu alguém cantarolar. Para além do meu pai que tocava umas notas na guitarra e entoava canções de Zeca Afonso e outros temas do cancioneiro português, todos gostavam de cantar, todos gostavam de música.

Uma das lembranças mais vivas da minha infância é ir de viagem em família e estarmos todos a cantar. Não interessava quem cantava bem ou mal. Não era isso que interessava. O importante eram os momentos de magia. Momento da mais pura felicidade.

Fui crescendo sempre com a música presente. Mais tarde, cresceu também em mim a vontade de aprender a executar algumas das melodias que tanto gostava de ouvir.

Com 10 anos comecei a aprender a tocar saxofone, muito graças à influência do meu avô materno.

Nunca fui uma boa executante. Era mais do género “desenrascada”. A verdade é que com ele desfrutei de alguns dos melhores momentos da minha adolescência.

Depois, aprendi a tocar guitarra.
Também aqui nunca fui brilhante mas suficiente para aproveitar tudo o que de bom ela me proporcionava.

Saber ler música para mim sempre foi uma tarefa chata e só mais tarde é que reparei a mais valia em que se tinha tornado.

Sempre adorei cantar (Canto no carro e até no banho) mas, por incrível que pareça, nunca pertenci a nenhuma agrupamento do género.

A música é incrível. Transmite-nos vários estados de espírito, várias vivências.

Graças talvez à influência paterna, sempre fui muito ecléctica na música, acabando por gostar de muitos géneros musicais diferentes e de diferentes nacionalidades.

Desde a música clássica e os blues passando pela música tradicional, pelo rock e pelo heavy metal gosto de tudo um pouco.

Tudo depende do meu estado de espírito.

Se um dia me apetece deitar a casa abaixo e ouvir Metallica, outras vezes apetece-se ouvir uma melodia com uma letra marcante (adoro letras que me digam algo)e oiço Bob Dylan ou algo com uma mensagem forte. Pode ainda apetecer-me paz de alma e ouvir um Adágio ou então ouvir outro tipo de interpretes como Sting, U2 ou Offspring ou então uma boa guitarrada. Posso ainda querer dançar uma boa salsa apesar de não saber dançar.

Tudo depende da minha disposição.

Para além de ouvir música, recomendo a todos a oportunidade de aprender música. É muito importante pois acaba por estar sempre ligada aos momentos que compõem a nossa existência.

Não se deve pensar, porém, que a música traz sempre prazer. Não é assim.

O que para mim é agradável de ouvir pode não o ser para outra pessoa. O ouvido não é o mesmo. As influências diferentes.

Por outro lado, as horas em que as mães têm de ouvir exercícios de piano, clarinete, violoncelo etc., quase podem levá-las ao desespero. Lembro-me bem lá em casa com os meus treinos de saxofone. Eram de arrepiar :)

"Suportar" esses períodos de exercício requer muita imaginação e paciência.

Mas a participação na arte musical ajuda-nos a apreciá-la mais tarde, pelo menos é essa a minha experiência.

Nos dias de tensão, quando a vida frequentemente parece ser enfadonha, é bom esquecermo-nos de nós mesmos por momentos e dar ao corpo e à mente a oportunidade de esquecer as tensões e ansiedades e receber novas forças. A música pode ajudar-nos nesse processo.

A música é importante para o nosso amadurecimento saudável. Nota-se bem isso nas crianças. Agora que sou mãe ainda tenho uma maior percepção deste facto.

Sons brandos e suaves servem para acalmar e provocam o sono; melodias agradáveis e animadas trazem contentamento.

Rute Mathews, no seu livro You Need Music ("A Música é Necessária") disse: "Quando as crianças sabem cantar ou tocar, obtêm duplo benefício, porque isso se torna um meio de expressão individual. Não nos preocupamos tanto com o que as crianças farão pela música, como com o que a música pode efectuar em seu favor. A criança que encontra prazer na música não procurará fazer acções menos boas.".

A música tem desempenhado uma parte importante na minha vida.

O Dr. Lee DuBridge, presidente do Instituto de Tecnologia da Califórnia, escreveu: "Partilho a opinião de muitos matemáticos e cientistas, de que existe estreita relação entre a matemática, a ciência e a música. A harmonia da Natureza e as harmonias da música transmitem mensagens para nós. (...) A música é uma preciosa herança cultural que cada pessoa deve ter .privilégio de compreender e desfrutar".

Concordo com o que ele disse.

Até para a maioria dos leigos, a música não é um passatempo mas um meio de vida, uma parte da personalidade. Quem se empenha nalguma actividade musical, quer seja tocar um instrumento, participar dos cânticos na igreja ou simplesmente ouvir os sons musicais, pode aprender a amar, a respeitar e a apreciar a música como uma arte. Para essa pessoa, a vida sempre será interessante.

A música é uma linguagem universal que consegue unir diferentes culturas, diferentes realidades. Influencia a nossa vida espiritual e a nossa vida interior.

Reflecte a nossa tranquilidade, agitação, vivacidade, desalento, vitalidade ou debilidade – todas as modificações que ocorrem na nossa vida - de modo mais directo e peculiar do que qualquer outro meio de comunicação humano.

Desprezar a música é ignorar uma dimensão inteira da experiência humana pois é nela que se encontra o maior vínculo de comunicação de toda a humanidade, unindo todas as camadas da sociedade, de todas as idades e gerações.

De facto, existem na vida poucas coisas capazes de unir as pessoas.

A música tem essa capacidade.

sábado, 17 de outubro de 2009

Teoria do divertimento

Um dos benefícios de se viver em ambientes abertos é a presença de estímulos diversos ao exercício da imaginação.

Quando vi este vídeo achei a ideia genial pelo que decidi partilhá-la convosco.

A iniciativa tem o nome de “Teoria do Divertimento”. Trata-se de estimular pessoas a desenvolver ideias que levem a um incremento de atitudes socialmente relevantes por meio do estímulo do divertimento.

Cada ideia apresentada é examinada por um júri. As escolhidas são premiadas.

Esta é uma delas: Piano-escada



As pessoas que utilizam o metro usam preferencialmente as escadas rolantes para entrar e sair das estações.

Como forma de estimular o uso das escadas comuns, alguém apareceu com a ideia de instalar, nos degraus dessas escadarias, sensores que emitem sons quando submetidos a pressão.

Os sons foram programados conforme a escala de um piano e os degraus receberam revestimentos que simulam essa escala. A engenhoca foi instalada numa estação de Estocolmo.

Resultado: houve um aumento de 61% no uso das escadas comuns.

Nos dias de hoje, em que as pessoas andam tão cabisbaixas, esta seria uma excelente ideia para levantar o ânimo, nem que fosse, por uns momentos. Depois, muitas vezes as ideias mais simples são as que dão melhores frutos. Basta ter imaginação.

domingo, 11 de outubro de 2009

Mal-me-quer, Bem-me-quer...

Nome científico: chrysantheme leucanthenum

Hoje, num dos meus passeios domingueiros vi que os campos, apesar de já termos chegado ao Outono, ainda estavam cobertos por imensas flores, entre elas centenas de malmequeres.

Eu adoro malmequeres! É uma das minhas flores favoritas.

Gosto de vê-las no campo, em liberdade. Gosto de lhes sentir o cheio e a intensidade.

É uma flor simples mas é na sua simplicidade que se encontra toda a sua beleza.

Ao longo dos tempos muito de disse sobre ela e através dela, símbolo do bem e do mal me quer.

A tradição de desfolhar os malmequeres começou na Idade Média. Se um cavaleiro andasse com um malmequer sem uma pétala, queria dizer que já tinha escolhido a sua dama.

Em França, as margaridas desfolham-se assim: il/elle m'aime, un peu, beaucoup, passionément, à la folie, pas du tout. Aqui, dizemos: bem-me-quer, mal-me-quer...

Seja no campo pessoal, social ou profissional todos queremos aceitação, todos queremos ser amados. No entanto, nos dias de hoje isso é muito difícil, seja pelo egoísmo crescente da sociedade, seja pela hipocrisia de não sabermos quem diz realmente a verdade.

É interessante pensar nisto e em como uma simples flor como esta se pôde transformar numa metáfora de vida, da vida de cada um de nós...

Como cantava Amália Rodrigues: "... O Malmequer não é constante, o Malmequer muito varia! Vinte folhas dizem morte. Treze dizem alegria!

Apesar do dramatismo da canção, acaba por descrever bem o que é a vida, ora doce, ora amarga mas ainda assim a valer a pena.

Mais do a sua beleza, o malmequer transmite-me sentimentos de bem estar, de tranquilidade e de liberdade, tão difíceis de encontrar nos dias de hoje.

É por isso que gosto dela: Por ser selvagem, livre e ainda assim tão bela!

Uma das melhores descrições que li sobre ela é a de Alberto Caeiro e é com ela que vou encerrar este meu pensamento desejando a todos uma vida cheia de bem-me-queres...

"Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar..."
Alberto Caeiro

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Porque complicamos tanto as coisas?

Num acampamento, Sherlock Holmes e seu o parceiro Dr. Watson montam a sua tenda e, depois de uma boa refeição e uma garrafa de vinho, deitam-se para dormir.
Algumas horas depois, Holmes acorda o seu fiel amigo:
- Meu caro Watson, olhe para cima e diga-me o que vê.
Watson responde:
- Vejo milhares e milhares de estrelas.
Holmes então pergunta:
- E o que é que isso significa?
Watson pondera durante um minuto, depois enumera:
- 1) Astronomicamente, significa que há milhares e milhares de galáxias e, potencialmente, biliões de planetas;
- 2) Astrologicamente,observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de sorte;
- 3) Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 3h15 pela altura em que se encontra a Estrela Polar;
- 4) Teologicamente, posso ver que Deus é todo-poderoso e somos pequenos e insignificantes;
- 5) Meteorologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Correcto?
Holmes fica um minuto em silêncio, então responde:
- Watson, seu imbecil! Significa apenas que alguém nos roubou a tenda!!!

"A VIDA É SIMPLES, NÓS É QUE TEMOS A MANIA DE COMPLICAR."

domingo, 4 de outubro de 2009

Porque amamos os nossos animais?

Hoje, dia 4 de Outubro, comemora-se o Dia de São Francisco de Assis, considerado o padroeiro dos animais. Por sua relação de amor e respeito pelos animais, a data serve também para comemorar o Dia Mundial dos Animais.

Nada melhor do que festejar este dia reflectindo sobre a sua importância para nós.

Eu não tenho duvidas mas ainda assim faço a pergunta: Porque amamos os nossos animais?

Penso que nós amamos os nossos animais porque só seres tão próximos de nós como eles parecem ver a bondade que se esconde em todo o ser humano.

Qualquer pessoa tem o seu lado bom, quer seja a nossa vizinha mal educada e que não diz bom-dia a ninguém, mas que a gente sabe que trata o seu próprio cão a pão-de-ló; ou um homem capaz de roubar outro homem, mas incapaz de maltratar o seu gato.

Um animal tem a capacidade de amar o que somos, amar a nossa alma.

Podes ser um anão, um deficiente, um campeão de Fórmula 1, o que for.

Alguém disse um dia "Ninguém se pode queixar da falta de um amigo, podendo ter um cão" e é verdade.

Se tivermos um animal, podemos estar certos: ele amar-te-á sempre.

Muitos dizem: eles gostam de ti porque lhes dás comida e tratas dele mas será que é só isso? Tenho a certeza que não.

Para um animal, não importa se és uma freira, um traficante, o presidente ou um mendigo. Ele também não está interessado na tua profissão, na tua cor, nas tuas preferências politicas, se és carteiro, bombeiro, médico, mecânico, estafeta ou empresário.

Amamos um animal porque somos amados por ele. Amamos um animal porque muitas vezes conseguimos comunicar melhor com eles do que com os humanos que estão ao nosso lado.
Ele ama-nos mesmo com os nossos defeitos. Ele retribui o nosso amor com o seu bem estar, as suas lambidelas, as suas birras. Ele gosta e nós e pronto. Não procura respostas.

Se repararmos bem eles ficam felizes com tão pouco. No seu coraçãozinho existe sempre lugar para mais um. Ficam felizes com pouca coisa, uma taça de comida, uma taça de água, uma festinha… Ensinam-nos que o importante não é o que queremos mas sim o que temos.

Amamos um animal porque eles são inocentemente egoístas. Nos querem só para eles e não escondem os seus desejos. O ossinho é só dele, o brinquedo é só dele, a casinha é só dele. E pronto. Assim tão simples!! Tudo é simples num animal. Até os seus defeitos são tão escancarados, são tão descaradamente sinceros, que fica muito difícil não acharmos virtudes neles!

Por isso para mim é tão difícil ver como nós, seres chamados de humanos, tratamos os animais. Como é possível?

O amor só tem uma forma e não são as barreiras criadas por nós, seja de religião, raça ou espécie, que nos deveria impedir de o praticar.

Que este dia nos sirva para reflectir sobre o quão importante é protegê-los e amá-los e cada um, à sua maneira, contribuir para esta mudança de mentalidades e atitudes tão necessária nos dias de hoje.


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O que é a felicidade?


Há uns dias vi um documentário na televisão sobre o que era a felicidade.

Na sequência disso e por eu ser insatisfeita por natureza e achar que nunca serei realmente feliz decidi reflectir sobre o tema.

Pesquisei sobre o assunto e à dias que estou a tentar colocar por palavras o que sinto sobre o mesmo. No entanto, em conversa com um amigo, consegui encontrar um ponto final, pelo menos para este post.

Impõe-se a pergunta: O que é afinal a Felicidade?

Sinceramente não sei.

Tentei ler sobre o tema tentando apreender alguns conceitos e dai tirar as minhas próprias conclusões.

Segundo os especialistas, a felicidade existe e está muito perto de nós.
Dizem que a felicidade mora dentro do coração de cada um de nós. Então porque é tão difícil ser feliz?

Hoje em dia, ninguém, ou quase ninguém diz que é feliz.

Talvez por estarmos demasiado "absorvidos" nos nossos problemas, não conseguimos ver pequeninas coisas bonitas que nos rodeiam.

Há, realmente, muitas coisas más: a guerra, a fome, as doenças e as nossas insatisfações...

Mas a felicidade é criada passo a passo. É uma aprendizagem.

A felicidade não tem pressa. Nós é que estamos sempre muito apressados...


As crianças são as que melhor expressam este conceito. A felicidade para elas, com uma simplicidade invejável, está em pequenos gestos, num jogo de futebol com os amigos ou numa refeição cheia de coisas boas.

É com este mesmo sentimento pueril que Daniel Gilbert, professor de psicologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que estuda a felicidade há mais de duas décadas, coloca a sensação de bem-estar: “É difícil dizer o que é, mas sei quando eu a vejo. É simplesmente sentir-me bem”.

Nas suas pesquisas e livros sobre o tema, Gilbert mostra o que teimamos em não perceber no dia-a-dia: a felicidade não é uma sensação eterna ou um estado de êxtase, daqueles que se atingem nos momentos de extremo prazer. Estar feliz ou triste é um ir e vir. Apesar de difíceis, os processos de infelicidade também funcionam como um momento para amadurecer, pensar e repensar as atitudes e os projectos.

Não existe uma resposta certa ou única sobre o que fazer ou como chegar à felicidade. Mas existem pistas do que nos leva até ela.

Segundo o psicólogo israelita Daniel kahneman, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, passamos a julgar a nossa felicidade não pela situação actual, mas pela perspectiva de melhorar de vida no futuro. Meu Deus, quantas vezes cometi esse erro.

A felicidade não é uma posse permanente porque não dá para estar bem o tempo todo. Mas também não precisa ser uma eterna projecção. Vale a pena passar os olhos no que temos tão ao alcance das mãos. Parece simples, não é?

O filósofo grego Aristóteles afirmava, há mais de 2 mil anos, que a felicidade atingia-se pelo exercício da virtude e não da posse. Acho que ele, na sua imensa sabedoria, é que tinha razão. Infelizmente, ainda tropeçamos neste conceito, não acham?

Para nós, muitas vezes, a suposta felicidade é ter um carro novo, roupas novas, etc mas será um conceito correcto? Não, acho que não.

Penso que as crianças é que sabem, melhor do que ninguém, o que é estar feliz.
Pois tudo o que elas fazem e sentem baseia-se na simplicidade.

A felicidade quase sempre se encontra perto; nós é que, na ânsia de encontrá-la, nem a conseguimos ver.

A noção de Felicidade é subjectiva. Cada pessoa tem o seu conceito. O que para uns traz felicidade, para outros pode ser indiferente.

Deixo-vos aqui a reportagem que vi sobre este tema e que me levou a escrever este post:


Nietzsche dizia que o segredo da felicidade era que cada um de nós pudesse ter a hipótese de encontrar justamente a concepção da vida que nos permitisse realizar o seu máximo de felicidade e que isso não impedia necessariamente que a nossa vida permanecesse lastimável e pouco invejável.

Sorte daqueles que já conseguiram alcançar esse estádio. Eu ainda estou a tentar chegar lá e nem sei se algum dia conseguirei.

Apesar de tudo e de ser um exercício difícil, chego à conclusão que a felicidade é tão mais simples de alcançar do que parece. Basta consciencialização e constância na procura.

Se tivermos sempre presente que a felicidade não é, nem nunca será um continuum e que são os pequenos momentos que somados nos dão algo mais… nos dão prazer, nos dão aquela sensação de satisfação tão difícil de descrever mas tão boa, ai conseguiremos ter a sensação de paz interior e de plenitude necessária para nos considerarmos felizes.

Quando perguntaram a Cormac McCarthy, o autor da obra “A Estrada” ou da sua trilogia de fronteira onde se inspiraram os irmãos Cohen para fazer o filme “Este País Não é para Velhos”, sobre o que era a felicidade ele respondeu: “Um par de botas”.

Ou aquela história do lorde inglês que dormitava na Câmara dos Lordes enquanto um colega seu de bancada discorria com a verborreia típica de um político, sobre os feitos da Inglaterra e sua influência no mundo e que se voltou para um colega e comentou “O meu momento mais feliz, foi quando um porco meu ganhou um prémio numa feira” voltando de seguida a dormitar. Note-se que este homem era um dos mais ricos da Inglaterra.

Depois ainda temos aquela canção que diz “Felicidade, é uma casa pequenina, qualquer lugar que se ilumina, quando a gente quer amar”.

Exemplos destes existem muitos e só provam que, no fundo, a felicidade é, essencialmente, um estado de espírito.

Então pensei: o que me dá paz de espírito, o que me trás felicidade?

Por exemplo o sorriso do meu filho, um passeio com o meu cão, contemplar a natureza, viajar, o ter a minha família presente, ter saúde e ter amigos.

Depois pensei… afinal sou feliz!

Então, agora só preciso encontrar a paz interior necessária para gozar em pleno esta felicidade!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O guardador de rebanhos


Acho este poema de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, lindo e de grande significado!

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caeiro (O guardador de rebanhos)

domingo, 27 de setembro de 2009

Mito e fama

Gosto muito de cinema.

Durante anos, ia ao cinema como quem pratica um ritual. Escolhia o filme que queria ver, contactava a companhia desejada e preparava-me para sair. Era delicioso!

No entanto, desde que o meu filho nasceu, fez agora 2 anos, que este ritual tem sido cada vez mais dificil de concretizar.

Ontem quebrei este ciclo e nem imaginam o quanto soube bem.

Ao adormecer, talvez ainda embebida pela história do filme que havia visto, relembrei um poema que a minha mãe (o talento para a poesia da familia) fez a meu pedido aquando de um trabalho que fiz à anos atrás sobre o cinema e decidi escrever sobre ele.

Mito; Fama;
Luz e cor
No universo de um ecrã
Fora dele, a vida;
A rotina; o enfado
Será o preço da fama
Ou simplesmente um mito?
A vida, só por si é luta;
Envolvimento; é mistério
Eternamente renovado
E nós, actores famosos,
numa multidão
Eternamente sós.
Por isso, meus senhores,
Não duvidem:
O Mito somos todos nós!

Mito ou fama? Mito e fama? Penso que a pergunta extrapola o seu significado e faz-nos pensar na vida e em todos os mitos que criamos à volta dela.

Fernando Pessoa dizia que o "mito é um nada que é tudo" mas haverá explicação razoável para eles? Ou, pelo contrário, pertencerão eles a uma categoria de seres cuja capacidade de fascinar os outros, fica para além daquilo que pode ser compreendido?

Somos nós que criamos o mito, que o alimentamos e o destruímos consoante o nosso "humor" e a nossa necessidade de ter ou não, algo que nos faça "sobressair", "venerar", "idolatrar", no geral o espelho de como gostaríamos de ser vistos um dia, por pouco tempo que fosse...

O Mito e a Fama juntos são o "casal" quase perfeito. A Fama pode ser, ao contrário do Mito, efémera, dolorosa, por estar mais exposta... o Mito refugia-se muito na incógnita, na duvida... por isso mesmo se a vida é realmente luta, envolvimento e mistério eternamente renovado. E nós, actores famosos, numa multidão eternamente sós não duvidem amigos: O Mito somos mesmo todos nós!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Scalabis Urbe

PARA DIVULGAÇÃO:
Vai arrancar hoje, dia 25 de Setembro, na zona histórica de Santarém, o «Scalabis Urbe», Festival de Música, Tecnologia, Arte e Desporto Urbano de Santarém.

Até 4 de Outubro, o programa apresenta workshops, conferências, showcases, concertos, demonstrações, espectáculos, instalações de arte, exposições, entre outras actividades, segundo o divulgado em comunicado.

Ao nível da música, o evento acolherá a 4 de Outubro o DJ Vibe, o único português até hoje a figurar na lista dos melhores 100 DJs aos olhos da internacional Dj Magazine. No mesmo dia, DJ Expender também assegurará a animação musical.

Octa Push e Macacos do Chinês são também presenças asseguradas.

O festival vai promover exposições de arte contemporânea, com obras de artistas como Miguel Glue (DJ dos da Weasel), Pedro Matos e Frederico “Klit”.

Decorrerão diversas workshops. A workshop de Djing com Dj Ride terá lugar no Teatro Sá da Bandeira, às 18:00 de sexta-feira. A Workshop de Música com Rui Miguel Abreu (Blitz, Etic, Ant3na, Red Bull Music Academy), é no mesmo sítio, dia 28, às 21:30.

Mesmo que não gostem dos géneros aqui apresentados, podem sempre aproveitar para conhecer a cidade de Santarém que é muito bonita e que é, para quem não sabe, a Capital do Gótico e a Capital trovadoresca.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

As máscaras da vida


É verdadeiramente impressionante a quantidade de "máscaras" que se usa no dia-a-dia. Há quem as use por necessidade, há quem as use por estatuto e há quem as use para camuflar o seu verdadeiro eu.

Para além disso, mudamos muitas vezes de máscara de acordo com o momento. Será que é pelo seu rigor? Não, provavelmente não.

Como dizia uma bela frase que li à uns dias atrás: "Dê uma máscara ao Homem e ele dirá toda a verdade", é isso que ocorre com o ser humano. Ele precisa de máscaras, de uma pseudo-existência para poder admitir o que realmente é ou o que gostaria de ser...

Gosto de acreditar que não uso muitas máscaras. Aliás, gosto de pensar que o que uso não são máscaras mas camadas.

De camada a camada vou ocultando o que não me interessa partilhar à primeira vista. Mas cada coisa que mostro, tento que seja verdadeira. Nunca gostei de enganar ninguém, a menos que propositadamente.

Conforme a proximidade com determinada pessoa, as camadas vão desaparecendo naturalmente. Se for caso disso. É preciso tempo. Algum tempo. Mesmo entre as poucas pessoas que me conhecem bem duvido que haja alguém que conheças as camadas todas.

Quem trabalha comigo conhece uma camada. Quem é meu amigo, conhece-me com muito menos camadas. Quem vive comigo, quem dorme comigo conhece camadas que os meus amigos não conhecem e vice-versa.

E depois existem outras camadas que ninguém para além de mim conhece. E ainda outras que provavelmente nem eu conheço. Mas procuro-as. Constantemente.

Aonde estará a última camada? A última máscara no Eu de cada um? A essência?

Fotografia: A magia de captar sensações...

Este fim-de-semana foi calmo pelo que aproveitei para tirar umas fotografias.

Como gosto muito, lembrei-me de escrever sobre o tema.

Para mim a fotografia é algo sublime. É uma forma de captar sensações...

Adorava ter a mestria que aprecio em muitos. No entanto, bem ou mal, nunca deixarei de tentar fazê-lo porque fotografar é um exercício artístico que cada vez me satisfaz mais.
Lembro-me que já desde tenra idade tinha esse fascínio. Observar uma fotografia e tentar descobrir o que se esconde por detrás dela.

As fotografias podem transmitir-nos o tudo ou o nada. Tudo depende do momento.

As pessoas, as emoções, as vivências. Tudo nela se reflecte como se de um momento único se tratasse.

É como se tivessem uma alma e essa alma está sempre connosco mas nem sempre se revela. Nós é que devemos tentar chegar a ela, ao eu mais profundo e escondido de cada um de nós e que se quer conhecer e dar a conhecer.

A fotografia tem esse fascínio.

Gosto de fotografar praticamente tudo do nosso quotidiano, por considerar que a boa fotografia é, em grande parte, fruto da oportunidade. Estar com a máquina nas mãos, na hora certa e no lugar certo e ter a sensibilidade para apertar o botão. É uma sensação muito boa. Depois é captar um momento que ficará para sempre, seja uma memória intensa ou um relato ocasional. Simples como olhar o sol nascer.

Um amigo disse-me um dia que "Fotografia não é Arte, é Olhar" e não poderia estar mais de acordo.

Há quem Olhe e não Veja pelo que é sempre bom andar de máquina na mão em busca desses olhares. Depois gosto de viajar e de andar por aqui e por ali e assim posso sempre aliar a fotografia ao passear por recantos escondidos que tanto bem fazem à alma.

E é isso mesmo que a fotografia permite: Captar a alma das coisas e, no fundo, de nós mesmos!

PS. Para quem quiser visitar alguns dos meus olhares: www.olhares.com/SCLouro

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Imagem com sensações

Muitas vezes uma imagem fala mais do que mil palavras.

Esta, para mim, é uma delas...

Green Festival

O Festival “Green Festival” arranca hoje e espera vir a provar que "cada gesto faz a diferença".

Se não tem programa para o fim-de-semana convido-o a ir até lá. É o maior festival de sustentabilidade do país e o seu programa é muito interessante e variado.
Este evento, que vai na segunda edição, é o maior do género em Portugal, prolonga-se durante uma semana e dirigisse a um público diversificado.

E assim, pegando um pouco no mote deste festival e porque o ambiente é importante venha também você fazer a diferença.

Para mais informações: http://www.greenfestival.pt/2009/

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A graciosidade da borboleta...

A borboleta é um daqueles seres graciosos que nos vem provar que mesmo sendo frágil e efémera nunca deixa de ser bela...


















Com arte de bailarina consagrada
e numa coreografia de ondas e laços,
desenha em largas curvas os compassos,
como quem dança ao som de uma toada
que apenas ela ouve, mas descreve
nos volteios da sua trajectória.
Por fim e numa pausa breve,
ergue as asas, em jeito de vitória.
E parece aguardar a aclamação
que lhe é devida, por tão bela exibição

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

António Aleixo

Todos em minha casa gostam de musica. Durante toda a minha infância estive rodeada por ela.

Lembro-me na minha meninice de estar à mesa em familia e o meu pai pegar na viola e tocar umas musicas.

Só sabe uns quantos acordes e nem imaginam a quantidade de musica popular portuguesa ele cantava.

Em muitos desses momentos usavamos os poemas de António Aleixo para brincarmos com as palavras e quem sabia, cada um à sua vez, cantarolava os poemas.

À poucos dias, não sei bem porquê veio-me à memoria esses momentos inolvidáveis e deu-me vontade de falar deles e do seu poeta.

Assim, gostaria, e para quem ainda não ouviu falar, de vos dar a conhecer António Aleixo que para mim e para muitos é um dos melhores poetas populares que Portugal conheceu.

Apesar de ser semi-analfabeto era famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos ainda hoje tão actuais.

No emaranhado de uma vida recheada de pobreza, mudanças de emprego, imigração, tragédias familiares e doenças, na sua figura de homem humilde e simples, havia o perfil de uma personalidade rica, vincada e conhecedora das diversas realidades da cultura e sociedade do seu tempo. Do seu percurso de vida fazem parte profissões como tecelão, guardador de cabras, polícia e servente de pedreiro, trabalho este que, como imigrante foi exercido em França

De regresso ao seu país natal, restabeleceu-se novamente em Loulé, onde passou a vender cautelas e a cantar as suas produções pelas feiras portuguesas, actividades que se juntaram às suas muitas profissões e que lhe renderia a alcunha de "poeta-cauteleiro".

Faleceu por conta de uma tuberculose, em 16 de Novembro de 1949, doença que tempos antes havia também vitimado uma de suas filhas.

Apesar de não saber escrever teve a ajuda do Dr. Joaquim Magalhães pelo que deixou como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX.

Em homenagem ao Poeta e à sua obra, no parque da cidade de Loulé foi levantado um monumento frente ao “Café Calcinha”, local outrora frequentado pelo Poeta.

Há alguns anos também passou a existir uma «Fundação António Aleixo» com sede em Loulé e que já usufrui do Estatuto de Utilidade Pública, o que lhe permite atribuir bolsas de estudo aos mais carenciados.

Deixo-vos aqui algumas das minhas favoritas quadras da sua autoria e aconselho-os a ler os dois volumes do “Este livro que vos deixo”.

É assombrosa a actualidade das suas quadras.

Boas leituras!

Após um dia tristonho
De mágoas e agonias
Vem outro alegre e risonho
São assim todos os dias

Os que bons conselhos dão
Ás vezes fazem-me rir
Por ver que eles próprios são
Incapazes de o seguir


Contigo em contradição
Pode estar um grande amigo;
Dúvida mais dos que estão
Sempre de acordo contigo.


Quando te vês mal, e dizes
Que preferias a morte,
Pensa que outros menos felizes
Invejam a tua sorte

Que o mundo está mal, dizemos,
E vai de mal a pior;
E, afinal, nada fazemos
P´ra que ele seja melhor.

Talvez paz no mundo houvesse,
Embora tal não pareça,
Se o coração não estivesse
Tão distante da cabeça.

É tão engraçada a vida ...
Sem que a gente a veja assim,
Volta ao ponto de partida,
Quando está perto do fim.

Embora os meus olhos sejam
Os mais pequenos do mundo,
O que importa é que eles vejam
O que os Homens são no fundo.

Que importa perder a vida
Em luta contra a traição
Que a razão mesmo vencida
Não deixa de ser razão.

P´ra mentira ser segura
E atingir profundidade
Tem que trazer sempre à mistura
Qualquer coisa de verdade.

Uma mosca sem valor
Pousa com a mesma alegria
Na careca de um doutor
Como em qualquer porcaria.

Se umas quadras são conselhos
Que vos dou de boa fé;
Outras são finos espelhos
Onde o leitor vê quem é.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O poder dentro de nós mesmos

Para reflectir...

É comum não querermos aceitar certos aspectos de nós mesmos. Isso leva-nos ao abuso do álcool, dos cigarros, das drogas, da comida etc. É uma forma de nos castigarmos por não sermos perfeitos. Mas... perfeitos para quem? De quem são as exigências e expectativas que continuamos a tentar atender? Proponha-se a deixar ir embora de sua vida as exigências e os padrões de outras pessoas. Sendo apenas você mesmo, descobrirá que é maravilhoso, exactamente como é neste instante.

Louise L. Hay do livro "O Poder Dentro de Você"

Só de sacanagem


Gosto muito deste texto de Elisa Lucinda:

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Por quem os sinos dobram?

À poucos dias, aquando de um passeio, e recordando-me do épico filme com Ingrid Bergmam e Gary Cooper tirei esta foto aos sinos da Igreja de Penela em Lousã.

Gosto muito de fotografia e achei interessante concentrar a minha atenção naqueles simples sinos que ao longo do anos, na sua posição altaneira, tantas histórias teriam para nos contar.

Passam despercebidos a maior parte do tempo e, no entanto, são testemunhos singelos de histórias. Histórias de alegrias e tristezas. No fundo histórias de vida...

No final do dia, ao chegar ao hotel, liguei a televisão e deparei-me, mais uma vez, com histórias angustiantes que acontecem a cada minuto no nosso lindo planeta azul.

Os relatos são tantos e a uma velocidade tal que acabamos muitas vezes por olhar para eles como se estivéssemos a ver um filme, como se de uma banalidade se tratasse. E assim, sem muitas vezes nos apercebermos tornamo-nos mais insensíveis, mais frios.

Isso fez-me pensar.

Como chegámos a este ponto? Como nos tornámos insensíveis à dor alheia só porque está longe?

Crianças a morrer, pessoas a sofrer, animais a serem maltratados, o nosso planeta a ser dizimado... Dizemos é a vida, que não há nada a fazer.

Será que não há mesmo?

Não me venham a dizer que todos temos as mesmas oportunidades porque não é verdade;

Se cada um de nós fizer um pouco logo este transformar-se-á em algo gigantesco, como se fossemos gotas para um imenso oceano.

Utopia? Talvez.

Voltando à fotografia pensei: Por quem os sinos dobram?

Não consigo chegar a uma conclusão satisfatória, pelo menos para mim.

Só me lembro do poema do John Donne (1571-1631) que dizia assim:

"Se o género humano perde um Homem,
Todo o género humano perde e se sente diminuído,
Por isso
não me perguntem por quem os sinos dobram
Eles dobram por ti"


Parece que as nossas prioridades andam trocadas, não acham?

Os animais de ninguém...

A pedigree em colaboração com o site Petnet estão a promover uma iniciativa contra o abandono dos animais e decidiram eleger o dia 18 de Setembro como o culminar desta acção.

Todos sabem o quando amo os animais pelo que venho contribuir na divulgação desta iniciativa porque para mim os animais importam...

E agora perguntam vocês: Porquê um luto contra o abandono?

Não basta apenas lamentar a triste realidade. Há que agir de alguma forma para que, apesar de tudo, estes animais também não sejam esquecidos e que é possível fazer um futuro melhor para muitos.

Como participar?

Existem muitas formas de participar e demonstrar o seu Luto contra o Abandono. Pode divulgar o movimento e o site (http://www.petnet.iol.pt/lutocontraoabandono/)
de 1 a 18 de Setembro, dia escolhido para o culminar desta acção e no qual o seu apoio será fundamental para que consigamos mudar o rumo da vida destes cães.

Assim, no dia 18, para além da imagem e ou assinatura que utilize no seu perfil online, seria importante que imprimisse a imagem da campanha e a afixasse em local visível, como por exemplo na janela do seu carro, no local de trabalho e outros e utilizasse roupa preta.

Basta clicar para fazer o download da imagem, disponível em diversos formatos no site, de modo a que possa utilizá-la em redes sociais e nos meios convencionais como poster/impressão.

Contamos consigo para participar e ajudar a divulgar este movimento. Não se esqueça, para ajudar a sua imaginação é o limite.

Vai ver que fazer a diferença é fácil - basta ter coração.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

E assim se faz poesia...

Quero o voo das borboletas e o equilibrio dos beija-flor!