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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Disconnect to Connect

As novas tecnologias têm coisas fantásticas quando usadas de uma forma saudável e com moderação.

Nada substitui o contacto humano.

Na minha opinião, este vídeo faz um dos melhores retratos da sociedade actual.

Vale a pena reflectir sobre a mensagem que encerra porque nunca é tarde para mudar.


sexta-feira, 30 de julho de 2010

Viver a vida


No seguimento do mail anterior lembrei-me do poema "Lembrete" de Mário Quintana e, neste preciso momento, não existe nada que faça mais sentido. Deviamos reflectir sobre o que ele encerra...

Lembrete

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!

Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.

Desta forma, eu digo:
"Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais."
                                                                 Mário Quintana

Uma Salva de Palmas para António Feio

Ontem à noite faleceu António Feio.
Hoje logo pela manhã é com esta notícia que acordo para mais um dia de trabalho.

Não conhecia António Feio mas o seu falecimento precose tocou-me muito. Era uma fatalidade anunciada mas assistir a toda a sua força, toda a sua luta e a todo o seu sentido de humor, mesmo na doença, é impressionante.

Costuma-se dizer que "Pelas costas dos outros vê-mos as nossas" e  normalmente estamos tão absorvidos pelo nosso dia a dia, que nos esquecemos do que se passa ao nosso lado.

António Feio era um grande actor e tive, por diversas vezes, oportunidade de o comprovar em algumas das peças de teatro a que assisti.

No entanto, o que me faz levar a escrever este post, não é bem pelo grande actor que era mas sim, e especialmente, pelo homem extaordinário, simples e sincero que parecia ser.

Ele não gostava de tristezas pelo que, a melhor forma de homenageá-lo é deixá-los com as suas palavras e com uma mensagem forte na qual ele acreditava e que nos devia fazer reflectir sobre a forma como levamos a nossa vida.

Até sempre António. Para ti, a minha grande salva de palmas!



Informação útil: http://aeiou.visao.pt/morreu-antonio-feio=f567761

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Regresso

Olá a todos,

Já cá não venho à precisamente 2 meses e 8 dias, muito tempo para estar ausente.

A verdade é que ando sem ânimo para nada e isso reflecte-se em todo o processo da minha vida.

O quebra-cabeças que estou a construir da minha vida e de que vos falei no meu ultimo post antes deste silêncio prolongado está com algumas peças soltas e não tenho encontrado forma de as encaixar correctamente, ou pelo menos, de forma a sentir-me com a paz de alma e força necessárias para inverter esta espiral de acontecimentos.

Muita coisa tem acontecido nestes últimos meses que me têm deixado sem energias. Muita coisa ainda vai acontecer mas não vale a pena sofrer por antecipação pois ai sofremos duas vezes e isso não faz sentido... mas a nossa cabeça trai-nos muitas vezes o que já sabemos à partida.

Este silêncio provoca em mim sentimentos contraditórios e de alguma culpa.

Criei na blogosfera, e ao contrário do que inicialmente poderia imaginar, algumas amizades e esta ausência de partilha que se criou foi em parte quebrada por minha culpa.

Tento inverter as coisas mas quando me sento ao computador para escrever qualquer coisa, nada me sai de interessante pelo que desisto… e tenho-o feito desde essa altura.

Já pareço o que a canção de António Variações tantas vezes refere “Estou bem aonde não estou…” e é assim que me tenho sentido ultimamente e isso deixa-me irritada... comigo mesma...

Sei que a vida não pára para que eu fique bem e existem situações tão piores que a minha que tenho de dizer basta!!! Qual grito do Ipiranga, que serve tanto de desabafo como de libertação.

Desta forma, quero-vos dizer que estou de volta, ou pelo menos, estou a tentar fazê-lo.

Vão voltar a ter notícias minhas (Se calhar algumas sem grande importância) ou de terceiros mas que ache interessante partilhar mas o importante é isso mesmo: Partilhar!!!!

Peço desculpa por este testamento pois não quero deixar-vos com "má onda".

Vocês mereciam uma explicação e esta é, em parte, o melhor que vos consigo dizer.

Estou de volta e isso é o que realmente importa!

Agradeço a muitos o carinho que, mesmo com esta ausência, me têm demonstrado.

É dele que me alimento e de todos os pequenos momentos de felicidade que vou tendo na minha vida.
A VIDA

A vida, acredita, não é um sonho
Tão negro quanto os sábios dizem ser.
Frequentemente uma manhã cinzenta
Prenuncia uma tarde agradável e soalhenta.

Às vezes há nuvens sombrias
Mas é apenas em certos dias;
Se a chuvada faz as rosas florir
Ó porquê lamentar e não sorrir?

Rapidamente, alegremente
As soalhentas horas da vida vão passando
Agradecidamente, animadamente
Goza-as enquanto vão voando.

E quando por vezes a Morte aparece
E consigo o que de Melhor temos desaparece?
E quando a dor se aprofunda
E a esperança vencida se afunda?

Oh, mesmo então a esperança há-de renascer,
Inconquistável, sem nunca morrer.
Alegre com a sua asa dourada
Suficientemente forte para nos fazer sentir bem
Corajosamente, sem medo de nada
Enfrenta o dia do julgamento que vem.
Porque gloriosamente, vitoriosamente
Pode a coragem o desespero vencer.
                                                                       Emile Bronte

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O quebra-cabeças da vida...

A vida é cheia de términos e novos começos.
A cada curva há algo que nos desafia, seja o novo, o formidável ou simplesmente o familiar.
O que para uns é uma montanha intransponível, para outros um desafio a vencer.
O que se torna sombrio para alguns, ainda permanece iluminado para outros.
Os optimistas vêem o caminho à frente.
Os pessimistas ficam tão ocupados em olhar para trás que, muitas vezes, não conseguem ver a solução bem diante deles.
Se ficarmos a segurar a corda que nos arrasta para trás não teremos mãos livres para agarrar a corda que nos puxa para frente.

E é assim a vida... um autêntico quebra-cabeças.

Um quebra-cabeças onde se pode dizer que cada escolha feita (acertada ou errada) representa uma de suas peças.

Cada dia que passamos é uma nova peça encaixada. Outras vezes tentamos encaixar uma peça em local que não é o destinado a ela e isso pode ser comparado com os erros que cometemos no decorrer de nossas vidas.

Cada erro atrasa ainda mais o termino do jogo... que exige do jogador o máximo de atenção possível, assim deve ser feito na vida também.

Às vezes algumas coisas acontecem e não entendemos o motivo, mas depois vemos que tudo se encaixa como um quebra-cabeças e é exactamente assim.

Quantas vezes batemos com a cabeça para resolver nossos problemas até tudo começar a fazer sentido, o não, o sim, o sorriso, a lágrima, o silêncio, a fala, tudo acontece para abrirmos espaço às novidades.

Tal como num jogo, também na vida devemos procurar os meios para resolver o enigma criado a cada experiência nova, a cada erro cometido, a cada relacionamento vivido. Como num jogo nada pode ser desprezado, até mesmo os riscos assumidos que estão ali para nos mostrar quão difícil é simplificar o agrupamento das peças da vida.

Tudo é uma aprendizagem. No final, este quebra-cabeças falará por nós!

Estou a montar o meu! E tu?

domingo, 25 de abril de 2010

A revolução dos cravos

No outro dia estava a ouvir um amigo meu a explicar ao filho Diogo de 8 anos o que foi o 25 de Abril e ao fim de um bocado ouvi o miúdo dizer: 

- Foi aquele dia em que os cravos apareceram nas pistolas e as pessoas que estavam cansadas de ser infelizes, deixaram de o ser.

Achei aquela descrição tão inocentemente fantástica que me ficou na memória.

O Diogo não sabia realmente o significado do 25 de Abril. Mesmo eu, que tinha apenas dois aninhos quando a revolução aconteceu, só mais tarde me apercebi da dimensão desse sonhar sem amarras.

Às tantas, o miúdo sai-se com esta pergunta:

- Oh pai, mas onde está o 25 de Abril sempre?

Não acham uma excelente pergunta? Será que algum de nós a consegue responder?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O nosso Planeta

Hoje é o Dia Internacional da Terra, criado em 1970 e adoptado mundialmente em 1990.

40 anos depois continua tudo na mesma, senão pior.

O cenário não é famoso. O nosso relacionamento com o nosso planeta piorou nos últimos anos.

Apesar de estarmos mais eficientes, estamos cada vez a gastar mais recursos.

Consumimos muito mais do que aquilo que necessitamos, a nossa pegada ecológica está cada vez pior, não preservamos o ambiente, a biodiversidade está a perder-se a uma taxa sem precedentes, não apostamos nas energias renováveis nem na educação das pessoas.

A pressão sobre a Terra está a tornar-se cada vez maior.

Podemos ver isso mesmo todos os dias e penso que as alterações climáticas são apenas um dos sintomas.

Os exemplos partem de cima e é ai que começam logo a falhar. No entanto, cada um de nós é também responsável.

Na sua prepotência de se achar o “Rei do mundo” e de olhar somente para o seu próprio umbigo, o Ser Humano esquece-se que a Terra é a nossa vida. Sem ela, nada somos.


Tal como hoje, comemoramos sempre o dia disto e daquilo mas depois nada muda efectivamente.

As atitudes não podem resumir-se a dias específicos. Estes deviam servir somente como chamada de atenção.

Se não o fizermos a bem, mais cedo ou mais tarde, vamos sofrer as suas consequências. Aliás, já estamos a sofrê-las e penso sinceramente que isto é apenas uma pequena amostra.

Em 1854 o chefe Seattle, um simples índio considerado por muitos de "selvagem" fez, o que é para mim é a mais bela e profunda declaração de amor ao meio ambiente.

Ele disse: "Somos parte da terra e ela faz parte de nós.
As atitudes têm de mudar mas de uma forma permanente e sustentável.
Como é que hoje é o dia da Terra se é a Terra que faz os dias?
Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo."

Se quiserem ler o texto integral da sua declaração que é longa mas a valer muito a pena podem fazê-lo aqui: Chefe Seatle

Julgamo-nos os maiores mas perante a natureza somos muito pequeninos e ela está a ficar farta das nossas atitudes e a começar a rebelar-se.

Chegou o momento de pensarmos verdadeiramente no que andamos a fazer e passar da teoria à pratica.

(Con)vivemos com ela todos os dias. A questão agora é: Como o iremos fazer?



 
E quanto ao amanhecer
E quanto a chuva
E quanto a todas as coisas
Que você disse que conquistaríamos
E quanto aos campos de batalha
Ainda há tempo?
E quanto a todas as coisas
Que você disse serem suas e minhas
Você já parou para ver
Todo o sangue que já derramamos
Você já parou para ver
Esta Terra que chora, está se desfazendo


O que fizemos ao mundo
Olhe o que fizemos
E quanto a toda a paz
Que você prometeu ao seu filho
E quanto aos campos florescendo
Ainda há tempo?
E quanto a todos os sonhos
Que você disse serem seus e meus
Você já parou para ver
Todas as crianças mortas na guerra
Você já parou para ver
Esta Terra que chora, está se desfazendo


Eu costumava sonhar
Que podia ver além das estrelas
Agora não sei onde estamos
Mas sei que fomos longe demais


Ei, e quanto a ontem?
(E quanto a nós)
E quanto aos mares?
(E quanto a nós)
Os céus estão despencando
(E quanto a nós)
Não posso nem respirar
(E quanto a nós)
Preciso de você
(E quanto a nós)
E quanto ao valor da natureza?


É o útero do nosso planeta
(E quanto a nós)
E quanto aos animais?
(E quanto a nós)
Transformamos reinos em pó
(E quanto a nós)
E quanto aos elefantes?
(E quanto a nós)
Perdemos a confiança deles
(E quanto a nós)
E quanto as baleias que choram?
(E quanto a nós)
Debatendo-se nos mares
(E quanto a nós)
E quanto as florestas?


Queimadas apesar de nossos pedidos
(E quanto a nós)
E quanto a terra sagrada?
(E quanto a nós)
Dividida por ganância
(E quanto a nós)
E quanto ao homem comum?
(E quanto a nós)
Não podemos libertá-lo?
(E quanto a nós)
E quanto as crianças que estão morrendo?
(E quanto a nós)
Você não consegue ouvir seus choros?
(E quanto a nós)
Onde nós erramos?


Alguém me diga porque
(E quanto a nós)
E quanto ao seu filho?
(E quanto a nós)
E quanto aos dias?
(E quanto a nós)
E quanto a toda diversão deles?
(E quanto a nós)
E quanto ao Homem?
(E quanto a nós)
E quanto ao Homem que chora?
(E quanto a nós)
E quanto a Abraão?
(E quanto a nós)
E quanto a morte?
Nós ao menos nos importamos?
Podíamos aprender alguma coisa com estas palavras.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Encruzilhada

Tenho andado sem tempo para fazer o que realmente gosto, como actualizar o blog ao ritmo que gostaria.

Isso deixa-me um pouco angustiada. É sempre uma correria sem fim...

Faltam horas no meu dia e não vejo melhoras para esta situação.


Estou numa encruzilhada e só vejo o tempo a passar…

Tanto sonho perdido
E a vida não quer saber:
Se não foi, não será jamais
E se foi, foi. E só.
Cada escolha, racional ou instintiva,
Elimina uma chance
Um sucesso, um fracasso, um nada
E sempre resulta em perda.
E no entanto,
É querido sonhar,
É necessário perder;
Uma escolha a cada segundo
Chances muitas, de tudo, todas
Boas para quem sabe
Que sempre há ganhos
Mesmo os nunca sonhados...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Para reflectir...

Nos dias de hoje passamos o tempo a ouvir "desgraças" como se de um filme se tratasse.

Cada um de nós a lidar com o dia-a-dia sem olhar para o lado e sem reflectir no que se passa à nossa volta.

Cada vez mais se dá importância ao assessório e não ao essencial. Cada vez nos tornamos mais insensíveis e menos solidários.

O "suicidio" moral da humanidade a esquecer a ética para passar à "estética"...

Que cada um tire as suas proprias conclusões deste vídeo, que bem poderia ser um documentário muito representativo sobre aquilo em que nos tornámos.

Clica no link: A fotografia

terça-feira, 16 de março de 2010

Nós e o Sol

Este fim-de-semana fui passear até ao Alentejo de que tanto gosto.

Já não saia à algum tempo pois o mesmo não estava a ser amigo de quem gosta de passear como eu.

Foi muito agradável voltar a fazê-lo e sentir o calor que só a magia do sol nos pode transmitir. Daí ter começado a pensar nele e em como é importante nas nossas vidas.

Desde os tempos primitivos que o sol sempre foi adorado como um Deus. Os tempos evoluíram mas nem por isso o sol deixou de ser menos maravilhoso.
Não vou falar da importância dos seus aspectos químicos. De que o sol é essencial para todas as coisas vivas e para o bom funcionamento do planeta. Isso já todos nós sabemos.

Quero falar antes no quanto ele influi no nosso bem estar.

Falo por mim, mas o tempo tem influência directa na minha disposição e depois de um Inverno rigoroso como há muito não se via, sabe muito bem voltar a vê-lo e a senti-lo.
Isso acontece porque o clima, a luz do dia têm a capacidade de influenciar o estado de espírito das pessoas.

Já repararam como na Primavera e no Verão há mais bom humor no ar e, no Inverno, mais introspecção?

Todas as estações têm a sua magia mas os dias de luz transmitem-nos muito mais do que imaginamos.

Além das reacções químicas positivas que a presença do sol traz para o organismo, são os benefícios psicológicos que mexem mais connosco. Nos meses e estações onde os dias são mais quentes, iluminados e longos, existe algo no ar que nos convida a sair e interagir.

Ficamos mais bem humorados e com mais energia.
Da mais simples ameba à mente de um Shakespeare ou de um Einstein, toda a vida é fruto da força que emana do sol e que saudades eu tinha já dele.

Sejamos como o sol
que não usa nenhuma recompensa,
não espera lucros, nem elogios, nem fama
Simplesmente BRILHA!!!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cultura dos sem vergonha...

Foi com revolta e alguma repulsa que vi anunciado pelo Ministério da Cultura, na pessoa da Ministra Gabriela Canavilhas, a criação de uma secção dedicada à tauromaquia.

As sociedades modernas tendem a tornar-se cada vez mais civilizadas, abolindo, gradualmente, práticas medievais que as envergonham perante si próprias e perante o mundo, e cujo lugar deve apenas pertencer ao passado pelo que é lamentável esta atitude.

Independentemente dos prazeres pessoais de cada cidadão, que, obviamente, tem todo o direito de apreciar o que quer que apreciem, o facto é que, a sociedade não pode, nem deve, a bem da evolução civilizacional e moral, considerar aceitáveis, muito menos oficializar, práticas que impliquem a exploração e/ou sofrimento de quem não se pode representar a si próprio nem escolher participar nelas.

Em pleno século XXI chega a ser ofensivo discutir-se o sofrimento dos outros animais (que não os humanos).

Uma coisa é gostar e defender o que se gosta. Isso até aceito. Outra coisa é negar um facto evidente que é sofrimento alheio.

Quem é a favor desta prática medieval fala muito na tradição. Eu gosto das tradições mas existem algumas que não fazem sentido. Esta é uma delas.

No tempo dos romanos também era uma festa, uma tradição os espectáculos dos gladiadores e o assassinato de pessoas na arena e deixou de ser. Porque terá sido? Talvez porque infringia dor e morte, não? Esse devia ser o principio.

Os defensores das touradas alegam que se não fossem as touradas, os touros desapareceriam. No entanto, o argumento é tão fraco como ridículo.

Obviamente que, na eventualidade de se quererem manter estes animais seria perfeitamente possível mantê-los em regime de santuário, protegendo-os como acontece com tantos outros animais em vias de extinção.

Depois, em jeito de fuga dizem: Deviam preocupar-se com coisas mais importantes do que esta mas pergunto: Existem graus de importância? Estabelecidos por quem?

Porque temos de escolher um tema em detrimento de outro? oorque não lutar por ambas as causas, sejam elas quais forem, desde que acreditemos nelas?

Nem sempre o que é considerado legal (do ponto de vista do Direito) é moralmente admissível. A História tem-nos mostrado inúmeros bárbaros costumes, que estavam perfeitamente legalizados, e que se foram tornando ilegais, à medida que fomos evoluindo intelectual e moralmente.

Infelizmente, as vítimas da tauromaquia são silenciosas; não podem falar do que sentem, e, assim, comprovar a veracidade dos argumentos dos seus defensores. Todavia, os referidos defensores podem e devem, fazê-lo.

Não é incomum verem-se milhares de pessoas na rua, a manifestarem-se; Não é incomum ouvirem-se, na televisão e na rádio, intervenções de cidadãos indignados; Não é incomum lerem-se, na imprensa escrita, artigos de opinião e cartas de leitores. O que é incomum é verem-se similares declarações acontecerem em defesa dos interesses de outros, que não nós próprios.

Sou ribatejana e não me acho fundamentalista. No entanto, a tudo o que inflija dor, digo não obrigado.

Para mim, as touradas deviam acabar e acho prepotente da parte do governo designá-la como cultura pelo que me, na falta de outro poder, me acho no direito de manifestar a minha repulsa por esta atitude.

Fui ao dicionário ler a definição de cultura.

Cultura refere-se a crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identificam uma sociedade num determinado período. É o reflexo do desenvolvimento da humanidade.

Se assim é, que mau exemplo a nossa sociedade está a dar ao mundo e que pouco evoluídos estamos.

A tauromaquia é uma actividade de culto do sangue e da violência sobre os animais. Só os motivos económicos ganham na luta de ódio em que o Homem tem a cobardia de exercer sobre os animais.

Em toda a História da Humanidade sempre existiram tradições, cultos e crenças cruéis. Não devemos persistir no erro da manutenção de tradições retrógradas e sangrentas.

O ser humano é incrível pelo bem que faz mas também pelo mal que inflige e sabemos que muitas vezes não respeitam os direitos dos seus semelhantes, quanto mais dos outros seres vivos. No entanto, é necessário que esta situação se altere. Já se conquistou alguma coisa mas ainda não o suficiente pelo que não devemos manter-nos em silêncio.

O silêncio é conivente e mata em muitas situações.

Assinamos petições contra, revoltamo-nos mas parece que tudo que se faz parece pouco perante a força dos interesses económicos e menos claros de certos poderes.

Todos os argumentos são necessários pelo que vos deixo mais alguns: 10 argumentos para não se ir ver Touradas.

Sei que é um tema que gera polémica mas se calhar é disso mesmo que a nossa sociedade precisa, para agitar as consciências nos dias de hoje tão adormecidas.

Eu digo sim à Cultura como forma de dignificação da vida. Não à cultura da morte e dos sem vergonha...

Abraham Lincoln disse um dia "Eu sou a favor dos direitos animais bem como dos direitos humanos. Essa é a proposta de um ser humano integral."

Todos nós devíamos pensar no sentido que esta grande frase encerra.

Deixo-vos aqui dois artigos que acho muito bons e que reflectem bem o que penso desta atitude do governo:
"Viva la muerte" de Manuel António Pina no JN
"Morrer como um touro" de Paulo Varela Gomes no público


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ai se eu pudesse...



Se eu pudesse… ai, se eu pudesse… apenas poder. Não sei se me faço entender.
Porque não é assim tão simples poder-se poder. Só isso, poder.

Só pensar em poder já é poder. Tudo acontece, uma chama, uma faísca, um nada… Mas para isso há que poder. Sem se poder, não se começa. Ai, se eu pudesse poder não haveria tempo para amanhã.

Assim, espero pelo que não sei, pelo que não posso, pelo que não há…

E se eu pudesse?

Se eu pudesse gritar
Se eu pudesse falar
Se eu pudesse desabafar
Deitar para fora tudo o que me vai cá dentro
E tudo o que me vai cá dentro
É uma mão cheia de nada
e uma mão cheia de tudo

Ai se eu pudesse... Soltar os grilhões que me aprisionam a alma...
Eu sonhava... com um mundo perfeito!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

20 anos depois


Foi há 20 anos que o mundo assistiu ao momento de libertação de Nelson Mandela. Depois de anos a fio de Apartheid sentimos que a História podia e começava a mudar.

Não registo outro acto de inclusão de milhões de pessoas comparável a este o que revela a coerência objectiva e de carácter que só estão ao alcance dos homens bons e Nelson Mandela, hoje com 91 anos, é um homem bom e um exemplo a seguir.

Quis assinalar esta data porque acho que deve ser recordada, não só pelos africanos mas por todos os povos que prezam a paz, a liberdade, a igualdade e a tolerância.

Vinte anos depois da sua libertação e sob a presidência de Jacob Zuma, a África do Sul é uma democracia vibrante que vai ser anfitriã do Campeonato Mundial de Futebol mas que ainda tem milhões de pessoas a viverem na maior pobreza e em busca de melhores dias.

O mundo vive hoje dias conturbados e instáveis. O que é certo hoje, amanhã poderá já não o ser.

Damos por garantida a nossa liberdade mas não é bom dormirmos sobre os louros das nossas conquistas.

Valia a pena reflectirmos todos sobre o que este acontecimento significou para o mundo, reflectir-mos sobre o que foi o apartheid e sobre o importante papel de Nelson Mandela para que episódios negros da história da humanidade como este nunca mais se repitam.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Falar e não ouvir...

Um grande problema dos dias de hoje e transversal a todos...

Desânimo

Não sei se é do tempo frio e molhado… ou da falta de tempo livre para mim mesma mas a verdade é que ando num desânimo de doer!! Nem eu me estou a aguentar a mim mesma.

Ando chata, sem sal, sem vontade de fazer NADA!!

Ando desanimada com tudo mas especialmente com as pessoas que a cada dia que passa me desiludem para lá o inimaginável.

No meio de tantas lutas, no meio das correrias do dia a dia, algo se perde no meio do caminho e não temos consciência disso até que esse algo venha a fazer falta.

Tento levar as coisas para a frente, pois as tristezas não pagam dividas e comparativamente a tanta desgraça que há no mundo, sou uma afortunada mas a minha mente trai-me e dou por mim assim.

É como estar numa multidão e sentir-me completamente só.

Ando desaparecida e sinto a minha falta!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Uma desgraça nunca vem só...



Não bastou que o povo haitiano tivesse sido praticamente dizimado pela ocupação espanhola durante a colonização da Ilha...

Não bastou que o Haiti tivesse sido um dos principais redutos de escravos africanos...

Não bastou que o Haiti tivesse sofrido uma sangrenta ditadura a partir da metade do século passado...

Não bastou que o Haiti fosse vítima da corrupção e violência na última década...

Não bastou que mais de 80% da população do Haiti estivesse abaixo da linha da miséria...

Não bastou que o Haiti tivesse sido vítima de dois furacões, em 2008, que deixou um rasto de morte...

Não bastou tudo isso... E veio este maldito terremoto!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Sintonia Perfeita

“Uma das coisas mais belas da vida é olhar para o céu e imaginar que muito distante existe alguém a olhar para o mesmo céu, contemplando a mesma estrela e a murmurar baixinho: «Que saudade»”.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Desejos para o ano novo...

Nascer… a coisa mais importante que acontece a cada um de nós… o momento de sair da escuridão e enfrentar o mundo.

Também o nascimento de um novo ano é um ritual de passagem… para o futuro, para o desconhecido, para a esperança de dias melhores.

Festas, alegrias, surpresas, esperanças… o que representa para cada um de nós o início de mais um ano?

O que esperamos de cada um quando começa o ano?
Tudo igual?
Tudo diferente?
Tudo melhor?

Apesar de eu não estar muito optimista no que diz respeito a este novo ano que está a chegar tenho sempre a esperança que as coisas corram bem e é a este sentimento de esperança que, no fundo, todos nos agarramos nos breves momentos que separam o velho do novo ano: Um novo desejo, uma nova oportunidade, um novo recomeço.

A cada dia de nossa vida, aprendemos com os nossos erros ou com as nossas vitórias. Mas o importante é saber que todos os dias vivemos algo novo.

Que o novo ano que se inicia, possamos viver intensamente cada momento com muita paz e esperança e, acima de tudo, muita saúde.

Estes são os meus votos para todos: BOAS ENTRADAS E FELIZ ANO DE 2010!

"Para sonhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre."

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Reflexão de natal

É quase Natal e pensamos que seria justo, pelo menos nesta altura do ano estar toda a gente feliz... mas não é mesmo nada assim.

Muita, mas mesmo muitas pessoas, nesta altura do ano sofrem ainda mais a agonia da solidão... do querer dar algo especial aos filhos e nem sequer ter o que colocar na mesa... da agonia da doença e sofrer junto com a familia... da ausência de entes queridos...

E PORQUÊ???

Nestas alturas não consigo deixar de pensar nisso... ou desejar que esta minha realidade nunca mude... de poder estar proxima das pessoas que amo, ver a alegria de ter comida na mesa e a magia no olhar do meu filho ao abrir os presentes... da tranquilidade e paz de espirito que isso representa...

Acho que só isso bastava a tanta gente para ser feliz!!!!

Tal como as uvas vindimadas que nos nossos campos descansam agora, enquanto se transformam em algo ainda mais precisoso também cada um de nós deve, por momentos, parar e reflectir para que se faça desta a época da serenidade e da redenção e que possamos todos amanhecer renovados, fortalecidos e solidários.

Que neste tempo de amizade e família mas também de renascimento e confiança no futuro, possamos todos encontrar a tranquilidade e a esperança que nos levarão mais além no caminho do progresso e do bem estar.

É isso que desejo a todos...

UM FELIZ NATAL, cheio de momentos mágicos junto dos que mais amam E PRÓSPERO ANO NOVO com muita saúde e boa disposição!
QUE O CALOR DA AMIZADE NOS AQUEÇA A TODOS NESTES DIAS TÃO FRIOS!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Existe amizade virtual ou simplesmente amizade?


Hoje acordei a pensar nos amigos.

Amigos estes que não vejo muitas vezes... mas que os sinto.

Penso que este meu sentir foi resultado de uma tarde bem passada que tive à uns dias com umas amigas que "conheci" virtualmente e que foi muito boa.

Aquelas horas que estivemos juntas pareceram apenas minutos tal era a sintonia.

Nestas coisas ou existe o click, aquela coisa kármica que nos une ou nada feito. Eu tenho tido sorte.

Isto fez-me pensar no que é a amizade virtual e no que ela encerra.

Existirá mesmo amizade virtual ou é simplesmente amizade?

Conhecer pessoas novas está cada vez mais fácil. As novas tecnologias facilitam a nossa ligação com outras pessoas sem termos que estar ao lado delas fisicamente.

Estamos cansados de saber que isso trás os seus perigos, nem tudo o que parece é. Eu vou sempre com cautela. No entanto, também acredito que, apesar de todos esses perigos, existem amizades reais que tiveram início na Internet. Eu sou um exemplo disso mesmo.

Vou-vos contar duas histórias que se passaram comigo e que comprovam o que tenho estado a dizer.

Ainda longe do tempo da tecnologia existia uma coisa a que chamávamos de "penfriends". Não sei se já ouviram falar.

Era uma rede internacional de amizade onde as pessoas podiam trocar correspondência, normalmente através de carta, onde nos dávamos a conhecer.

Sempre adorei escrever e sempre tive muitos "penfriends" e de várias nacionalidades. Adorava ir à caixa de correio ver se tinha carta. Era uma alegria.

Existiram aqueles de quem nunca mais tive notícias mas outros com quem ainda falo hoje.

Tenho um amigo em particular que "conheci" com apenas 15 anos. É brasileiro e chama-se Marco.

A nossa amizade já cresceu para além do virtual mas foi ele que nos deu a conhecer.

Já passaram mais de 15 anos desde o nosso 1.º Encontro mas passados todos estes anos, nunca perdemos o contacto.

A amizade é assim, mesmo com a distância, deve-se regar, tal qual como uma flor.

Outro caso foi de uma amiga que conheci através de uma troca de mails relativamente à adopção de um cão, como sabem uma das minhas paixões.

A coisa foi crescendo de tal forma que hoje somos boas amigas e visita de casa uma da outra mesmo apesar das distâncias.

Algumas amizades tornaram-se tão fortes, que praticamente ninguém acredita que tenham surgido virtualmente.

Conheço pessoais "virtuais" com quem tenho mais proximidade do que com outros amigos com quem convivo socialmente. Estranho, não é?

Mas volto à mesma pergunta: Existirá mesmo amizade virtual?

A amizade não é um sentimento real que temos e que vai crescendo à medida em que vamos travando conhecimento com alguém?
O que importa que seja através de um computador?

Sei que as pessoas nem sempre são o que dizem ser mas acredito que a maior parte delas é sincera.

Acredito que existam "pessoas" do outro lado do ecrã do computador, mesmo que nunca as tenha visto, mesmo que nunca lhes tenha escutado o som da voz.

Pessoas com problemas ou não, alegrias ou tristezas, felizes ou desesperadas, mas com algo em comum: sentimentos reais!

Claro que a amizade, ao crescer, nos faz querer mais mas, neste ponto o que realmente vejo, é que não importa se é virtual ou real, as pessoas são sempre iguais nas suas idas e vindas ou com suas breves passagens em nossa vida.

Existe de tudo nestes amigos e cada um tem as suas características. Uns são mais alegres, outros mais sérios, outros mais confidentes mas, acima de tudo, não deixam de ser amigos.

É para mim um prazer receber aquela mensagem, aquele abraço... mesmo que virtual.

Por trás de um ecrã frio, existe o envolvimento, as emoções e a esperança do (re)encontro.

Chamem-me ingénua, sonhadora, o que quiserem. Mas as experiências que até agora tive levam-me neste sentido.

A Internet, mesmo com os seus perigos, permitem-nos conhecer pessoas extraordinárias que, de outra forma não seria possível e, nem que seja só por isso, vale a pena.

Podem deixar de ser só amizades virtuais. Ou então, nunca deixar de o ser. No entanto, nunca deixam de ser amizades.

Para tentar perceber ainda mais esta questão fui até ao dicionário.

Virtual: do Lat. virtus, adj., existe como faculdade, mas sem exercício ou efeito; potencial; possível; suscetível de se exercer ou realizar.
Amizade: do Lat. amicitate, s. f., quer dizer afeição; amor; boas relações; laço cordial; dedicação; benevolência.

Pela análise dos dois termos, poderíamos definir amizade virtual como uma relação afectuosa que ainda não se efectivou. Mas será isto totalmente verdade? Não acredito.

As minhas amizades virtuais são tão efectivas como este teclado em que escrevo neste momento estas palavras e tão afectivas como qualquer uma das minhas amizades. Este é um típico caso em que o idioma não expressa com exactidão a realidade.

Amigos são amigos em qualquer lugar. Em casa, na faculdade, no trabalho, não importa. Uma verdadeira amizade não tem hora nem lugar para começar.

Essa amizade que começa em frente ao frio ecrã de um computador se conservada, cresce. E dá início a uma intensa troca de calor. Até que chega um momento em que devemos trazê-la para o mundo real. E aquele amigo de mensagens mostra-se não só mais um amigo mas, muitas vezes, o amigo ideal.

Sinto que vocês, meus amigos virtuais ou não, fazem parte do meu mundo real e quero que continuem nele. Porque vocês são, para mim, realmente muito especiais.


Pode ser que um dia deixemos de nos falar.
Mas, enquanto houver amizade,
faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe.
Mas, se a amizade permanecer,
um do outro há de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos.
Mas, se formos amigos de verdade,
a amizade nos reaproximará
Pode ser que um dia não mais existamos.
Mas, se ainda sobrar amizade,
nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe.
Mas, com a amizade
construiremos tudo novamente,
cada vez de forma diferente,
sendo único e inesquecível cada momento
que juntos viveremos e nos
lembraremos para sempre.

Albert Einstein