Já imaginou se o seu animal de estimação, além de companheiro para todas as horas, contribuísse para problemas físicos e psicológicos? Pode parecer impossível, mas não é.Estudos provam que a interação entre o Homem e o animal de estimação contribuem para o nosso bem estar.
As terapeuticas auxiliadas por animais contribuem em tratamentos de todos os tipos, inclusive para autistas e idosos que, se bem tratados, podem tornar-se grandes colaboradores na cura de doenças humanas, tanto físicas quanto psicológicas.
"Os animais quebram barreiras e são capazes de se colocar no lugar das pessoas sem julgá-las, melhorando a auto-estima e capacidade de comunicação.”
Muitas vezes, a simples presença do animal estimula processos mnemônicos e cognitivos, ajuda idosos a relembrar factos da juventude, motiva pacientes a enfrentar tratamentos desconfortáveis e dolorosos com menos resistência, favorecem a recuperação física e estimulam a criatividade e a predisposição para a aprendizagem de crianças com atrasos no desenvolvimento físico ou mental.
Segundo os cientistas, o convívio com animais tem mesmo efeitos sobre o metabolismo das pessoas, a ponto de influir na saúde física e mental. Um estudo desenvolvido por Johannes Odendaal e Susan Lehmann publicado em 2001 pelo Journal of the American Association of Human Animal Bond Veterinarian (AAHABV) mostra que a interacção entre cães e humanos desencadeia — em ambos — alterações hormonais que afectam o nível de endorfinas beta, febilata lamina, prolactina e oxitocina por períodos médios de 15 minutos. A libertação destas substâncias diminui no organismo a acção do cortizol responsável pelos níveis de stress, provocando sensações de bem-estar.
Numa outra investigação, os mesmos cientistas estudaram os efeitos que a interacção com animais, associada à psicoterapia, tem sobre os aminoácidos presentes nos neurotransmissores de pessoas com depressão e as suas conclusões foram surpreendentes. Segundo eles “Há mudanças químicas no cérebro e no sistema imunológico. É um processo contrário ao que se dá em situações de stress, nas quais há supressão de determinadas substâncias.
A Terapia Assistida com Animais (TAA), também chamada Pet Terapia ou Zooterapia trata-se do recurso a animais em programas de apoio, que auxiliam a recuperação fisica ou psicológica de crianças e adultos. Os seus principais objectos são as pessoas idosos em lares, as pessoas fragilizadas fisicamente ou hospitalizadas, as crianças e adultos com problemas de aprendizagem ou com deficiência mental, as crianças e adultos fragilizados psicológicamente e as crianças provenientes de familias em risco e adultos com problemas sociais e de adaptação.Considera-se que a sua origem remonta a Inglaterra onde, nos finais do séc. XVIII, foi aplicada numa instituição, no âmbito do tratamento de doentes mentais ali internados.
Dadas as suas características comportamentais e morfológicas, os animais de eleição para este tipo de programas são o cão (cinoterapia), o cavalo (hipoterapia ou equinoterapia), embora também comecem a utilizar-se burros (asinoterapia), gatos, aves e golfinhos.
1- Cavalos e Burros
A Hipoterapia e asinoterapia são muito importantes no acompanhamento de crianças com paralisia cerebral, autismo, hiperactividade e síndrome de Down, tanto em termos fisicos, como em termos de ligação emocional. Não só o montar o animal ou interagir com o mesmo, como, consoante o caso, tratá-lo , em termos de o alimentar e escovar, é benéfico para a coordenação motora e para o amor próprio. Muitos são os exemplos de sucesso. Em países como os Estados Unidos e Inglaterra a terapia com golfinhos é igualmente utilizada com muito sucesso como coadjuvante da hidroterapia.
2- Cães e Gatos
Todos já conhecêmos os cães guia para cegos mas existem muitos outros usados em terapia, inclusivamente raças injustamente vistas como más, como o rottweiler, que pela sua autoconfiança e autodominio é um excelente animal de apoio e usado pelas equipas de terapeutas.
Desde os casos referidos anteriormente, passando pelas enfermarias de hospitais até aos lares de idosos, as suas visitas permitem um aumento da auto-estima e do bem estar. Crianças com problemas tornam-se mais abertas e comunicativas.
O simples facto de acariciar um cão ou gato é calmante e parte da recuperação passa pelo bem estar psicológico. Um cão ou um gato numa enfermaria pediátrica humaniza o ambiente ainda mais que a simpatia das enfermeiras.
Um cão, um gato ou uma ave, são por vezes o único suporte dos idosos sem familia e a sua razão última de viver, diminuindo a sua carga de ansiedade e evitando depressões.
Nas escolas, existir um animal a cargo de uma turma (sempre, note-se sob a supervisão de um professor) aumenta a auto-estima e o sentimento de pertença ao grupo das crianças, bem como de responsabilização perante a sociedade.
Apesar da Terapia Assistida por Animais (TAA) estar bem difundida lá fora, em Portugal a cultura continua a ser muito rígida e dificulta a entrada de animais em grande parte dos estabelecimentos. No entanto, esta tendência está a mudar e a TAA começa a ser uma forte aposta aplicada, por exemplo, em crianças com autismo ou sindroma de Down e no acompanhamento de idosos ou de adultos jovens com problemas diversos, quer funcionais, quer psicologicos ou que, simplesmente, se sintam sozinhos. Uma outra vertente de aplicação deste tipo de terapia ainda pouco explorada são os programas de reabilitação de reclusos.Os animais apesar de não sejam já os principais parceiros do Homem em termos de protecção contra animais selvagens, guardando rebanhos, ou servindo de meio de transporte, continuam mesmo assim, a ser essenciais, ajudando-nos a viver melhor e a superar as situações que advêm do nosso dia-a-dia ou do cada vez mais complexo modo de vida urbano.
Convido-os a ler o livro "Um amigo chamado Henry" um testemunho real e um fabuloso e emocionante relato sobre a amizade entre um rapaz e o seu cão, assim como a dolorosa luta de uma mãe pelo amor do seu filho autista.

Oiee!Adorei seu blog, é raro achar algum conteúdo na net sobre TAA, faço Fisioterapia e acho um máximno!Na minha cidade só conseguimos implantar o projeto Cão-panheiro, quem sabe um dia conseguimos chegar aos hospitais? Parabens pelo blog, ta lindo!Já me tornei uma seguidora!Bjos.
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