Alguns dos objectos que nos povoam a vida têm alma.Contam uma história, fazem saltos no tempo, são autênticas reservas de memória. E não há regras: Podem ser utilitários ou decorativos, peças de vestuário ou conchas de praia. Aquilo que os enche de vida é o toque humano
Foram exactamente alguns desses objectos que me despertaram a curiosidade pela genealogia, mais precisamente fotografias.
A minha avó Mia, como era carinhosamente assim tratada, tinha várias fotografias antigas que quando eu era pequena me mostrava, contando para cada uma delas uma história de vida.
Isso impressionou-me bastante e para além de me ter apaixonado pela fotografia até hoje também fez crescer em mim, embora inicialmente de uma forma inconsciente, o gosto por saber mais sobre as mesmas e ao mesmo tempo sobre mim.
Existem pessoas que não gostam de recordações, talvez por serem muitas vezes demasiado dolorosas. No entanto, elas são tudo o que temos e as nossas vidas resumem-se a isso: A encontros e desencontros, a sentimentos e recordações, a vida e morte.
Sem querer fazer a apologia de que devemos ser saudosistas e de achar que para a frente é que é o caminho, também acho que as pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados.
Isabel Allende no seu livro "Eva Luna" dizia:"A morte não existe, filha. A gente só morre quando nos esquecem. Se puderes recorda-me, estarei sempre contigo”.
O que somos hoje perde o sentido, se amanhã ninguém se recordar de nós e esse "eu" e toda a sua vivência deixa de existir. Dai a importância das recordações, sejam elas objectos ou memórias.Com a genealogia, trazemos de volta à vida a pessoa e toda a sua história ficando isso registado para a posteridade.
A genealogia baseia-se neste conceito. Para uns, por motivos religiosos, para outros como eu, por simples curiosidade.
Tenho pena de não ter tanta disponibilidade como a desejada para explorar mais esta questão mas com vontade e aos poucos se vai ampliando mais o conhecimento destas memórias.
Espero ter despertado em todos, um pouco da vontade de saber mais sobre a história dos vossos antepassados e invariavelmente, sobre vocês mesmos.
Para terminar, vou deixar-vos com um texto do Almada Negreiros de que gosto muito e sintetiza bem o que é o estudo da genealogia:
"nós todos, inclusive os expostos, temos as nossas árvores genealógicas do mesmo tamanho. Lá no tamanho das árvores somos todos iguais. Mas é precisamente nas árvores que está também a nossa diferença. Vê-se perfeitamente que a cada um aconteceu qualquer coisa que não se passou com mais ninguém. E aconteceu-nos ainda antes de nós termos nascido. É a árvore genealógica. Esse segredo do nosso segredo. Esse mistério do nosso mistério. Nós somos hoje o último fruto dessa árvore secular, secularmente secular."

ja conhecia o teu gosto pelas fotos e pela genealogia. tu tens jeito p tirar fotos. agora so as temos é no computador. poupa-se o ambiente suponho (daqui a 100 anos n sei se usar computadora por causa dos satelites tb n será prejudicial) mas tira-se algum prazer acho eu!! bj
ResponderEliminarRecordei os tempos em que o meu pai nos contavas histórias da sua infância, lindas histórias, deixavamos a televisão para as ouvir, tinham sempre algo de novo, e o que aprendi!
ResponderEliminarTambém tenho uma paixão grande por fotos dos antepassados parece até que os conheci tantas vezes olho para elas.
Lindo post amiga
Bjs
Querida Sara
ResponderEliminarO nosso "baú de memórias" nada tem de saudosista... é o traço que os nossos antepassados deixaram na sua passagem e que nós continuaremos, com as nossas próprias vivências.
Eu próprio, pouco a pouco, tenho criado um baú de memórias onde registo memórias de outros tempos... Muitas vezes recorria ao Pai Manel, um bom contador de estórias, para afinar pormenores, recordar um nome...
O tempo que passa é assim... e hoje isso já não é possível de fazer...
E a falta que eu sinto...
Beijinhos.
Amiga Sara, eu NÃO posso comentar este emocionante texto sobre genealogia pelos motivos que tenho deixado implicitos. Eu sei que compreenderás.
ResponderEliminarHumberto