segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Conviver com o nosso passado

Alguns dos objectos que nos povoam a vida têm alma.
Contam uma história, fazem saltos no tempo, são autênticas reservas de memória. E não há regras: Podem ser utilitários ou decorativos, peças de vestuário ou conchas de praia. Aquilo que os enche de vida é o toque humano

Foram exactamente alguns desses objectos que me despertaram a curiosidade pela genealogia, mais precisamente fotografias.

A minha avó Mia, como era carinhosamente assim tratada, tinha várias fotografias antigas que quando eu era pequena me mostrava, contando para cada uma delas uma história de vida.

Isso impressionou-me bastante e para além de me ter apaixonado pela fotografia até hoje também fez crescer em mim, embora inicialmente de uma forma inconsciente, o gosto por saber mais sobre as mesmas e ao mesmo tempo sobre mim.

Existem pessoas que não gostam de recordações, talvez por serem muitas vezes demasiado dolorosas. No entanto, elas são tudo o que temos e as nossas vidas resumem-se a isso: A encontros e desencontros, a sentimentos e recordações, a vida e morte.

Sem querer fazer a apologia de que devemos ser saudosistas e de achar que para a frente é que é o caminho, também acho que as pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados.

Isabel Allende no seu livro "Eva Luna" dizia:"A morte não existe, filha. A gente só morre quando nos esquecem. Se puderes recorda-me, estarei sempre contigo”.
O que somos hoje perde o sentido, se amanhã ninguém se recordar de nós e esse "eu" e toda a sua vivência deixa de existir. Dai a importância das recordações, sejam elas objectos ou memórias.

Com a genealogia, trazemos de volta à vida a pessoa e toda a sua história ficando isso registado para a posteridade.

A genealogia baseia-se neste conceito. Para uns, por motivos religiosos, para outros como eu, por simples curiosidade.

Tenho pena de não ter tanta disponibilidade como a desejada para explorar mais esta questão mas com vontade e aos poucos se vai ampliando mais o conhecimento destas memórias.

Espero ter despertado em todos, um pouco da vontade de saber mais sobre a história dos vossos antepassados e invariavelmente, sobre vocês mesmos.

Para terminar, vou deixar-vos com um texto do Almada Negreiros de que gosto muito e sintetiza bem o que é o estudo da genealogia:

"nós todos, inclusive os expostos, temos as nossas árvores genealógicas do mesmo tamanho. Lá no tamanho das árvores somos todos iguais. Mas é precisamente nas árvores que está também a nossa diferença. Vê-se perfeitamente que a cada um aconteceu qualquer coisa que não se passou com mais ninguém. E aconteceu-nos ainda antes de nós termos nascido. É a árvore genealógica. Esse segredo do nosso segredo. Esse mistério do nosso mistério. Nós somos hoje o último fruto dessa árvore secular, secularmente secular."

4 comentários:

  1. ja conhecia o teu gosto pelas fotos e pela genealogia. tu tens jeito p tirar fotos. agora so as temos é no computador. poupa-se o ambiente suponho (daqui a 100 anos n sei se usar computadora por causa dos satelites tb n será prejudicial) mas tira-se algum prazer acho eu!! bj

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  2. Recordei os tempos em que o meu pai nos contavas histórias da sua infância, lindas histórias, deixavamos a televisão para as ouvir, tinham sempre algo de novo, e o que aprendi!
    Também tenho uma paixão grande por fotos dos antepassados parece até que os conheci tantas vezes olho para elas.
    Lindo post amiga
    Bjs

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  3. Querida Sara

    O nosso "baú de memórias" nada tem de saudosista... é o traço que os nossos antepassados deixaram na sua passagem e que nós continuaremos, com as nossas próprias vivências.

    Eu próprio, pouco a pouco, tenho criado um baú de memórias onde registo memórias de outros tempos... Muitas vezes recorria ao Pai Manel, um bom contador de estórias, para afinar pormenores, recordar um nome...

    O tempo que passa é assim... e hoje isso já não é possível de fazer...

    E a falta que eu sinto...

    Beijinhos.

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  4. Amiga Sara, eu NÃO posso comentar este emocionante texto sobre genealogia pelos motivos que tenho deixado implicitos. Eu sei que compreenderás.
    Humberto

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