quinta-feira, 9 de abril de 2009

A Fábula da Galinha Ruiva

É uma fábula muito interessante pela sua actualidade. A ler...

Existe um conhecido conto tradicional ingles chamado “Little Red Hen” mas a versão de António Torrado, "A Galinha Ruiva", bem mais antiga e que foi editada em 1979 pela Plátano Editora na Colecção "Caracol" e ilustrada por Carlos Barradas é muito mais bem conseguida.

Qualquer semelhança com a realidade é… pura verdade!!!

Esta é a Versão original e a mais justa:

A galinha ruiva achou umas espigas de trigo.
Ela chamou o gato. Ela chamou o ganso. Ela chamou o
porco.
A galinha ruiva disse:
– Quem me ajuda a semear o trigo?
– Eu não – disse o gato.
– Eu não – disse o ganso.
– Eu não – disse o porco.
– Então semeio eu o trigo – disse a galinha ruiva.
E a galinha ruiva semeou o trigo.
O trigo cresceu.
A galinha ruiva disse:
– Quem me ajuda a ceifar o trigo?
– Eu não – disse o gato.
– Eu não – disse o ganso.
– Eu não – disse o porco.
– Então ceifo eu o trigo – disse a galinha ruiva.
E a galinha ruiva ceifou o trigo e levou-o para o moinho.
Depois de ter já o trigo moído e feito em boa farinha, a galinha ruiva disse:
– Quem me ajuda a fazer o pão?
– Eu não – disse o gato.
– Eu não – disse o ganso.
– Eu não – disse o porco.
– Então faço eu o pão – disse a galinha ruiva.
E a galinha ruiva amassou o pão, que ficou muito bem amassado, e cozeu-o no forno, muito bem cozido.
– Quem me ajuda a comer o pão?
O gato disse:
– Miau! Miau! Miau! Quero eu, quero eu, quero eu.
O ganso disse:
– Quá! Quá! Quá! Quero eu, quero eu, quero eu!
O porco disse.
– Gurnin! Gurnin! Gurnin! Quero eu, quero eu, quero
eu!
A galinha ruiva disse:
– Vocês não me ajudaram a semear o trigo. Vocês não me ajudaram a ceifar o trigo. Vocês não me ajudaram a fazer o pão. Pois então vocês não me ajudarão a comer o pão. Os meus pintainhos comerão o pão.
E a galinha ruiva e os pintainhos comeram o pão.
Quem não trabuca não manduca.

Está contada a história. Está dada a lição.


Esta é a versão transposta para os dias de hoje:

Era uma vez uma pequena galinha que achou alguns grãos de trigo.
– Vamos plantá-los e teremos pão. Querem ajudar-me?
– Não! – responderam em coro os bichos que povoavam a granja.
ela semeou e o trigo cresceu.
– Vamos colhê-lo! — Propôs ela.
— Eu não! – exclamou o pato.
– Vou perder o meu seguro de desemprego – pretextou o ganso.
– Ficarei sem os meus benefícios sociais – resmungou o porco.
E a pequena galinha fez a colheita sem auxílio de ninguém.
– Quem me ajuda a fazer o pão? – perguntou ela.
– Isso significa horas extras – murmurou a vaca.
– Perderei as minhas vantagens sociais – gritou o marreco.
– Para mim, seria uma discriminação social – rabujou o ganso.
E a pequena galinha preparou e assou o pão sozinha.
Mas, quando o pão ficou pronto, todos queriam comê-lo. A galinha disse:
– Mas eu posso comê-lo sem que ninguém me ajude...
— Exploradora! – mugiu irada a vaca.
– Suja capitalista! – berrou o pato.
– Assim violam os meus direitos! – reclamou o ganso.
E o porco pôs-se a grunhir. Os animais organizaram uma manifestação. Num grande cartaz, pintaram a palavra “Injustiça” e gritaram muitas obscenidades contra a pequena galinha.
Até que chegou o fiscal dos impostos. Por arte dos outros animais, ele convenceu a galinha de que devia pagar uma grande parte do seu pão. O fruto do imposto, portanto, beneficiaria os outros.

Resultado: Todos comeram. Mas a granja nunca mais voltou a ter pão.

Digam lá se esta é ou não a infeliz realidade dos dias de hoje?

1 comentário:

  1. vejo que pesquisaste a historia que contei ontem. é mesmo a historia actual!!! beijokas

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