domingo, 11 de outubro de 2009

Mal-me-quer, Bem-me-quer...

Nome científico: chrysantheme leucanthenum

Hoje, num dos meus passeios domingueiros vi que os campos, apesar de já termos chegado ao Outono, ainda estavam cobertos por imensas flores, entre elas centenas de malmequeres.

Eu adoro malmequeres! É uma das minhas flores favoritas.

Gosto de vê-las no campo, em liberdade. Gosto de lhes sentir o cheio e a intensidade.

É uma flor simples mas é na sua simplicidade que se encontra toda a sua beleza.

Ao longo dos tempos muito de disse sobre ela e através dela, símbolo do bem e do mal me quer.

A tradição de desfolhar os malmequeres começou na Idade Média. Se um cavaleiro andasse com um malmequer sem uma pétala, queria dizer que já tinha escolhido a sua dama.

Em França, as margaridas desfolham-se assim: il/elle m'aime, un peu, beaucoup, passionément, à la folie, pas du tout. Aqui, dizemos: bem-me-quer, mal-me-quer...

Seja no campo pessoal, social ou profissional todos queremos aceitação, todos queremos ser amados. No entanto, nos dias de hoje isso é muito difícil, seja pelo egoísmo crescente da sociedade, seja pela hipocrisia de não sabermos quem diz realmente a verdade.

É interessante pensar nisto e em como uma simples flor como esta se pôde transformar numa metáfora de vida, da vida de cada um de nós...

Como cantava Amália Rodrigues: "... O Malmequer não é constante, o Malmequer muito varia! Vinte folhas dizem morte. Treze dizem alegria!

Apesar do dramatismo da canção, acaba por descrever bem o que é a vida, ora doce, ora amarga mas ainda assim a valer a pena.

Mais do a sua beleza, o malmequer transmite-me sentimentos de bem estar, de tranquilidade e de liberdade, tão difíceis de encontrar nos dias de hoje.

É por isso que gosto dela: Por ser selvagem, livre e ainda assim tão bela!

Uma das melhores descrições que li sobre ela é a de Alberto Caeiro e é com ela que vou encerrar este meu pensamento desejando a todos uma vida cheia de bem-me-queres...

"Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar..."
Alberto Caeiro

7 comentários:

  1. O contacto com a Natureza faz parte de um dos meus encantos,deslumbra-me cada flor que observo as do campo parecem ser até mais verdadeiras e pouca gente lhes liga, todas me parecem diferentes, muitas vezes me abeiro para observar cada pormenor e quase falo com elas...ainda um dia terei uma casa no campo! em frente um campo de malmequeres....sonhos...
    Bjs

    ResponderEliminar
  2. Querida Sara

    Não defolho o mal-me-quer por bem lhe querer
    Mas deixo que meu olhar acaricie cada pétala
    E não penso, estou de acordo, tenho sentidos

    Não falo do malmequer, amo-o!
    [glosando Alberto Caeiro]

    Tão bonito este teu post que de pétala em pétala nos leva pelos usos e costumes, pelos hábitos e saberes, até... à poesia.

    E não é a poesia o concretizar de uma vida de pensamento?

    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  3. É verdade... este ano, o Outono apresenta-se enganador, dá-nos dias quentes e ainda nos enche o olhar de flores! Mas nós gostamos de flores e gostamos do sol! Só não gostamos é que nos enganem... quem dera que a vida fosse assim tão simples como o malmequer!

    Um bem-me-quer para ti
    Xi

    ResponderEliminar
  4. Sara,
    É de fato muito lindo os malmequeres, todas as flores do campo são muito lindas,são as chamadas margaridas ,tem também as amarelinhas e desfolhá-las é um prazer descobrir se nosso amor está nos querendo ou nao rsrs, era assim que entendia qdo adolescente.
    Boa reflexão,obrigada .
    Abraços e boa semana, Sara

    ResponderEliminar
  5. Sara, adorei essa sua postagem. Discorreu de um modo tão leve a respeito da natureza seus efeitos sobre nós humanos e as tradições criadas em sua homenagem. Muito bem colocado! Parabéns.
    Beijos sabor bem-me-quer. Manoel.

    ResponderEliminar
  6. Malmequer bem me quer muito pouco tudo ou nada!! Lembro-me de fazer isto às flores qd era miúda. Agora pensando melhor era uma violência estava a "decapitar" as plentas sem razão aparente... apenas pela Trad~ição passada de geração em geração não é? bj

    ResponderEliminar
  7. Com esta florzinha simples, olhaste o "mundo" e eu "olhei-o" contigo.

    (importantíssimo o conteúdo do poema do Alberto Caeiro...acho eu)

    Beijinho, Sara e um bom fim de semana

    ResponderEliminar