Durante anos, ia ao cinema como quem pratica um ritual. Escolhia o filme que queria ver, contactava a companhia desejada e preparava-me para sair. Era delicioso!
No entanto, desde que o meu filho nasceu, fez agora 2 anos, que este ritual tem sido cada vez mais dificil de concretizar.
Ontem quebrei este ciclo e nem imaginam o quanto soube bem.
Ao adormecer, talvez ainda embebida pela história do filme que havia visto, relembrei um poema que a minha mãe (o talento para a poesia da familia) fez a meu pedido aquando de um trabalho que fiz à anos atrás sobre o cinema e decidi escrever sobre ele.
Fernando Pessoa dizia que o "mito é um nada que é tudo" mas haverá explicação razoável para eles? Ou, pelo contrário, pertencerão eles a uma categoria de seres cuja capacidade de fascinar os outros, fica para além daquilo que pode ser compreendido?
Somos nós que criamos o mito, que o alimentamos e o destruímos consoante o nosso "humor" e a nossa necessidade de ter ou não, algo que nos faça "sobressair", "venerar", "idolatrar", no geral o espelho de como gostaríamos de ser vistos um dia, por pouco tempo que fosse...
O Mito e a Fama juntos são o "casal" quase perfeito. A Fama pode ser, ao contrário do Mito, efémera, dolorosa, por estar mais exposta... o Mito refugia-se muito na incógnita, na duvida... por isso mesmo se a vida é realmente luta, envolvimento e mistério eternamente renovado. E nós, actores famosos, numa multidão eternamente sós não duvidem amigos: O Mito somos mesmo todos nós!

...pois é menina:
ResponderEliminara vida é mesmo assim; percurso similar, desejos iguais...
Vais ver que a vida assim tb tem muitos 'Encantos'
Querida Sara
ResponderEliminarPrimeiro pensei comentar somente assim :) pois a emoção forte que senti ao ler-te poderia ser traduzida com um sorriso (no olhar).
Mas não resisti a dizer-te da tua suavidade a escrever poesia na forma tão difícil da prosa...
E o poema da mamã é tão bonito que não deixa dúvidas onde bebeste o que foste para chegares ao que és - :)
Na amorizade se faz caminho... Beijinho.
Sara, uma graça o poema feito por sua mãe. De fato nós, às vezes influenciados pela força da mídia, criamos nossos mitos. Sempre é o efeito espelho. Eles tem auguma característica que gostaríamos de ter nem que fosse por alguns segundos. É difícil percebermos que são gente como a gente e que muitas vezes tem que ficar escondidos do mundo e só aparecer em cena. Adorei sua postagem, Sara. Um beijo com muito carinho. Manoel.
ResponderEliminar"mito é um nada que é tudo" Bom ter referido o Fernando Pessoa e muito bom começar o dia com um poema.
ResponderEliminarVou ficar com o seu blog na minha lista dos "falamos todos os dias" :)
Eu não vou ao cinema há eras!!! Mito ou não... acho que a oferta televisiva mais do que as criancinhas condicionaram a ida ao cinema!!!
ResponderEliminarE já lá vai o tempo em que ir ao cinema era um dos meus passatempos preferidos, sim porque cinema é mesmo lá na sala de cinema, e apropósito deu-me cá uma vontade...acho que em breve lá estarei.
ResponderEliminarBjs