quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O que é a felicidade?


Há uns dias vi um documentário na televisão sobre o que era a felicidade.

Na sequência disso e por eu ser insatisfeita por natureza e achar que nunca serei realmente feliz decidi reflectir sobre o tema.

Pesquisei sobre o assunto e à dias que estou a tentar colocar por palavras o que sinto sobre o mesmo. No entanto, em conversa com um amigo, consegui encontrar um ponto final, pelo menos para este post.

Impõe-se a pergunta: O que é afinal a Felicidade?

Sinceramente não sei.

Tentei ler sobre o tema tentando apreender alguns conceitos e dai tirar as minhas próprias conclusões.

Segundo os especialistas, a felicidade existe e está muito perto de nós.
Dizem que a felicidade mora dentro do coração de cada um de nós. Então porque é tão difícil ser feliz?

Hoje em dia, ninguém, ou quase ninguém diz que é feliz.

Talvez por estarmos demasiado "absorvidos" nos nossos problemas, não conseguimos ver pequeninas coisas bonitas que nos rodeiam.

Há, realmente, muitas coisas más: a guerra, a fome, as doenças e as nossas insatisfações...

Mas a felicidade é criada passo a passo. É uma aprendizagem.

A felicidade não tem pressa. Nós é que estamos sempre muito apressados...


As crianças são as que melhor expressam este conceito. A felicidade para elas, com uma simplicidade invejável, está em pequenos gestos, num jogo de futebol com os amigos ou numa refeição cheia de coisas boas.

É com este mesmo sentimento pueril que Daniel Gilbert, professor de psicologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que estuda a felicidade há mais de duas décadas, coloca a sensação de bem-estar: “É difícil dizer o que é, mas sei quando eu a vejo. É simplesmente sentir-me bem”.

Nas suas pesquisas e livros sobre o tema, Gilbert mostra o que teimamos em não perceber no dia-a-dia: a felicidade não é uma sensação eterna ou um estado de êxtase, daqueles que se atingem nos momentos de extremo prazer. Estar feliz ou triste é um ir e vir. Apesar de difíceis, os processos de infelicidade também funcionam como um momento para amadurecer, pensar e repensar as atitudes e os projectos.

Não existe uma resposta certa ou única sobre o que fazer ou como chegar à felicidade. Mas existem pistas do que nos leva até ela.

Segundo o psicólogo israelita Daniel kahneman, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, passamos a julgar a nossa felicidade não pela situação actual, mas pela perspectiva de melhorar de vida no futuro. Meu Deus, quantas vezes cometi esse erro.

A felicidade não é uma posse permanente porque não dá para estar bem o tempo todo. Mas também não precisa ser uma eterna projecção. Vale a pena passar os olhos no que temos tão ao alcance das mãos. Parece simples, não é?

O filósofo grego Aristóteles afirmava, há mais de 2 mil anos, que a felicidade atingia-se pelo exercício da virtude e não da posse. Acho que ele, na sua imensa sabedoria, é que tinha razão. Infelizmente, ainda tropeçamos neste conceito, não acham?

Para nós, muitas vezes, a suposta felicidade é ter um carro novo, roupas novas, etc mas será um conceito correcto? Não, acho que não.

Penso que as crianças é que sabem, melhor do que ninguém, o que é estar feliz.
Pois tudo o que elas fazem e sentem baseia-se na simplicidade.

A felicidade quase sempre se encontra perto; nós é que, na ânsia de encontrá-la, nem a conseguimos ver.

A noção de Felicidade é subjectiva. Cada pessoa tem o seu conceito. O que para uns traz felicidade, para outros pode ser indiferente.

Deixo-vos aqui a reportagem que vi sobre este tema e que me levou a escrever este post:


Nietzsche dizia que o segredo da felicidade era que cada um de nós pudesse ter a hipótese de encontrar justamente a concepção da vida que nos permitisse realizar o seu máximo de felicidade e que isso não impedia necessariamente que a nossa vida permanecesse lastimável e pouco invejável.

Sorte daqueles que já conseguiram alcançar esse estádio. Eu ainda estou a tentar chegar lá e nem sei se algum dia conseguirei.

Apesar de tudo e de ser um exercício difícil, chego à conclusão que a felicidade é tão mais simples de alcançar do que parece. Basta consciencialização e constância na procura.

Se tivermos sempre presente que a felicidade não é, nem nunca será um continuum e que são os pequenos momentos que somados nos dão algo mais… nos dão prazer, nos dão aquela sensação de satisfação tão difícil de descrever mas tão boa, ai conseguiremos ter a sensação de paz interior e de plenitude necessária para nos considerarmos felizes.

Quando perguntaram a Cormac McCarthy, o autor da obra “A Estrada” ou da sua trilogia de fronteira onde se inspiraram os irmãos Cohen para fazer o filme “Este País Não é para Velhos”, sobre o que era a felicidade ele respondeu: “Um par de botas”.

Ou aquela história do lorde inglês que dormitava na Câmara dos Lordes enquanto um colega seu de bancada discorria com a verborreia típica de um político, sobre os feitos da Inglaterra e sua influência no mundo e que se voltou para um colega e comentou “O meu momento mais feliz, foi quando um porco meu ganhou um prémio numa feira” voltando de seguida a dormitar. Note-se que este homem era um dos mais ricos da Inglaterra.

Depois ainda temos aquela canção que diz “Felicidade, é uma casa pequenina, qualquer lugar que se ilumina, quando a gente quer amar”.

Exemplos destes existem muitos e só provam que, no fundo, a felicidade é, essencialmente, um estado de espírito.

Então pensei: o que me dá paz de espírito, o que me trás felicidade?

Por exemplo o sorriso do meu filho, um passeio com o meu cão, contemplar a natureza, viajar, o ter a minha família presente, ter saúde e ter amigos.

Depois pensei… afinal sou feliz!

Então, agora só preciso encontrar a paz interior necessária para gozar em pleno esta felicidade!

7 comentários:

  1. Querida Sara

    Para um tema muito difícil um texto inteligente...

    Encadeaste os teus pensamentos as tuas reflexões com as pesquisas que realizaste, com os autores que consultaste, com pensamentos de autores clássicos e de autores modernos. Tudo realizado com uma perfeita harmonia…

    Criaste uma análise de autora, um texto que no seu conjunto, é toda uma tese completa sobre “o que é a Felicidade”. Difícil, hem? Mas o mais gratificante de tudo neste teu trabalho são as conclusões… de mulher que vive, que sofre e que ama, que se empolga e que tem momentos de desânimo e que tira por si própria as mais belas conclusões sobre “ser feliz”:
    O sorriso do teu filho
    Um passeio com o teu cão
    Contemplar a Natureza
    A tua família presente
    A saúde
    Os amigos

    És feliz porque descobriste e aqui partilhas que a felicidade não é nada de muito elaborado, contínuo e arrebatador, mas simplesmente viver e sentir as coisas simples, os momentos – “moments”.

    Eu pessoalmente sou muito feliz neste momento. Sabes porquê? Porque tive o privilégio de ler este teu maravilhoso texto.

    Beijinhos.

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  2. Nos tempos que correm, os do consumo imediato e impensado, um tempo de uma sociedade frágil que necessita de consumir para se sentir existir, uma sociedade frágil que aboliu do quotidiano tudo e qualquer sentimento que não seja alegria (mesmo que fictícia) e que vive num permanente estado de exaltação alimentado por noticias sensacionalistas e vazias de verdade, neste tempo o único sentimento comum aceite é o da euforia.
    De um modo geral e assustador as pessoas esqueceram-se de que na vida existem momentos em que nos sentimos menos contentes, menos felizes , tristes .Esqueceram de que a felicidade não consegue ser um estado permanente mas um somatório de pequenas ou grandes momentos de felicidade.
    Vivemos num tempo em que ninguém quer estar nunca triste….em que confundem tristeza com depressões que “tratam” com comprimidos, enquanto que a tristeza passa com amor, ternura e muito principalmente com tempo.
    Criar uma criança sem lhe dar oportunidade de aprender a integrar esses momentos naturais de tristeza no dia a dia da sua existência é a meu ver um erro que os vai impedir de conseguirem ser pessoas completas, verdadeiras, adultas.
    A sociedade em que actualmente vivemos é constituída por uma maioria de pessoas que não sabem ou não querem crescer.

    Esta é parte de uma carta que escrevi a uma amiga em maio deste ano , que publiquei no outsider nesse mês, a pedido dela que estava doente .
    Agora estamos em outubro, fez ontem 2 meses que ela faleceu e entretanto pensei muito nisto da felicidade e acabo sempre por chegar á mesma conclusão.- para se ser feliz tem de se estar disposto a isso.
    Um dia muito feliz para si , que escreve tão bem:)

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  3. Sara
    Esta tua reflexão, certamente que foi uma busca e também um encontro para ti...descobriste, que és feliz
    Eu ao ler-te, aproveitei o "teu caminhar".
    ... ser feliz é uma predisposição que depende de nós.
    ... ser feliz é não procurar muito os "porquês" e "aceitar" a fluir natural da vida.
    ... ser feliz é simplesmente sentirmo-nos bem
    ... ser feliz são momentos

    Mas mesmo sabendo e interiorizando estes conceitos, as influências externas e também a nossa natureza, trai-nos.

    Isto digo eu, que nada sei, que sou insatisfeita e ando a tentar aprender a ser feliz

    Um abraço grande

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  4. Parabéns pelo post!
    Concordo com o que escreve. Afinal, é mesmo isso, a felicidade está bem dentro de nós! Basta saber cultivá-la todos os dias, todos os minutos.
    Felicidade, é o meu desejo ;) hoje e sempre

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  5. É bom refletir sobre este assunto, geralmente ela está ao nosso lado e nem nos apercebemos. Depois de ler o teu post chego á conclusão de que sou feliz, muito feliz.
    Bjs

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  6. Sara,
    Um lindo texto sobre um dos mais procurados sentimentos : a felicidade. Muitas vezes e quase sempre anda aqui tao pertinho ...
    Obrigada por trazer encantamentos a esse seu espaço e dividir conosco essa felicidade.
    Muitos abraços s sejamos sim muito felizes!

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  7. Gostei da tua reflexão Sara. É sempre muito bom podermos partilhar os nossos sentimentos. A felicidade quanto a mim passa sempre por tirarmos dos aspectos negativos algo de bom (por exemplo aprendemos sempre algo) e vivermos o nosso dia-a-dia com paz interior, sabendo sempre observar o que de bom há nas nossas vidas. Ou seja, ver sempre o copo meio cheio em vez de meio vazio. É possível ser feliz quando nos encontramos e sabemos o que queremos e sentimos.

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